Foto: Reprodução Cursilho Xyz

A história de São Mateus do Sul é rica em figuras pitorescas, sujeitos sobre os quais poderíamos escrever extensas novelas. Um desses indivíduos é o mais antigo padre polonês a vir para o Brasil. Embarque comigo nessa história!

Ludwik Przytarski nasceu no dia 27 de setembro de 1844, em Chojnice, na Polônia. Veio para o Brasil em 1875, sendo o primeiro padre polaco a atender os imigrantes, apoiando, inclusive, as iniciativas para incentivar a imigração conduzidas por Edmundo Saporski. Estabelecendo-se na comunidade de Orleans, em Curitiba, liderou a construção da Capela de Santo Antônio, inaugurada em 1880. No mesmo ano recebeu a visita do Imperador Dom Pedro II, e conseguiu arrancar do monarca a promessa de doação de sinos para a capela. Os sinos encontram-se até hoje lá, e conservam o brasão do Império.

Nos anos seguintes o sacerdote passaria a atuar também como “padre visitador”, atendendo colônias recém instaladas. Foi numa destas visitas que conheceu a pequena colônia da Água Branca, e orientou os poloneses a construírem uma igrejinha no alto da colina… Assim nascia a centenária capela da Água Branca, que seria concluída anos depois pelo padre Wróbel.

Przytarski era um polonês nacionalista. Em todas as missas repetia a prece: “Para que nos restituas a Pátria Livre, Senhor!”. Mas era também um defensor da Monarquia e, após a proclamação da República, passou a enfrentar a oposição de paroquianos republicanos. Chegou a sofrer um atentado, quando três tiros foram disparados contra ele. Após a Revolução Federalista a situação ficou ainda mais complicada. Przytarski foi preso acusado de traição ao governo. Recebeu, por certo tempo, a proteção do Bispo, de quem era o confessor oficial.

Após o fim da Revolução, Przytarski se desentendeu de tal forma com alguns paroquianos que chegou ao extremo de negar o acesso ao cemitério. Numa situação inusitada, os opositores enterraram uma mulher à noite. Ao descobrir o fato, o padre fez com que o corpo fosse desenterrado. Era a gota d’água… O bispo decidiu mandá-lo para o exílio: as colônias de São Mateus. A sua chegada em 1895 foi muito festejada, com direito a tapete de flores e fogos de artifício. Meio ano depois, seria transferido para uma colônia ainda mais distante: Rio Claro.

Em Rio Claro, Przytarski liderou a conclusão da capela, com uma torre de 50 metros (foto), construída com a madeira de uma única árvore. A capela chegou a ser chamada de “Częstochowa paranaense” pela semelhança com a famosa igreja da Polônia. Mas após alguns anos de paz, o confronto com maçons e anticlericais, geraria um novo atentado, e uma bomba explodiria em sua casa. Parte da comunidade revidou defendendo o padre, mas o bispo resolveu afastá-lo das atividades, entregando a capela ao padre Kandora. Przytarski manteve-se vivendo de forma isolada em Rio Claro. Segundo relatos, no dia 15 de fevereiro de 1919 sua empregada comunicou sua morte, dizendo que ele havia sido enterrado na madrugada, sem que houvesse velório e sem que ninguém visse o corpo… Até na morte o primeiro padre polonês do Paraná causaria polêmica.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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