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O Papai Noel são-mateuense!

Prestes a entrar na famosa terceira idade, aposentado da Petrobras desfruta da plenitude da vida fazendo o que gosta em plena forma, de corpo e alma. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Nesta edição trazemos à tona a história de mais um são-mateuense de coração, sim, de coração, pois mesmo tendo a naturalidade ponta-grossense, escolheu viver, ter e criar sua família e ser feliz em São Mateus do Sul, a terra da erva-mate.

Quem nunca se deparou pelas ruas da cidade, em algum evento ou atividade, com aquele senhor de barba branca, conversa fácil e de ótima prosa que quase sempre ostenta uma camisa do seu time Coritiba ou mesmo vermelha e branca com algo escrito em polonês, por quase todo lugar que vai? Quem já o encontrou, tem a certeza de ser alguém especial. Sejam todos bem-vindos a história de vida de José Sultowski.

Aposentado, cozinheiro, ator, cenógrafo, figurinista, ecologista, entendedor de pimentas, polaco, torcedor alviverde, são algumas das proezas que este cidadão carrega em sua bagagem.

Nascido em data e momento propício, no dia 25 de dezembro de 1957 e prestes a entrar na melhor idade, 60 anos, José Sultowski chegou em São Mateus do Sul em 1977, logo após servir ao exército brasileiro e motivado a trabalhar como vigilante da segurança patrimonial da Unidade Petrobras em nosso município, função que desempenhou até 1982, quando tornou-se operador e acompanhou de perto o crescimento da empresa na região, “velhos e bons tempos aqueles”, destaca José.

O filho mais novo dos oito filhos do casal ponta-grossense Wenceslau e Felicia Sultowski, desde a infância o pequeno Zezinho já demonstrava sua aptidão e talento, iniciando suas atividades como Papai Noel aos 12 anos, quando suas irmãs (ótimas costureiras) lhe fizeram uma roupa no capricho e lhe arranjaram uma barba de lã de carneiro. Mas a história encantadora deu continuidade anos depois.

Já em São Mateus do Sul, Sultowski conheceu a antoniolintense Maristela Machiavelli, encantado por seu carisma, casou-se e juntos tiveram três filhos, Poliana, hoje técnica em inspeção de equipamentos, Luiz Otávio, residindo em Recife e atuando como engenheiro de produção no Centro de Abastecimento Alimentar (CEASA) daquela região e Gabriel que é estudante. Sultowski ressalta o ensinamento que regeu a criação de seus filhos “primeira coisa que tem de ter é a humildade e respeito!”. Sempre atuante nas mais diversas atividades na cidade, o bom velhinho ao se aposentar em 2002, empenha-se ainda mais nas ações de cidadania solidárias, “sempre fui envolvido com várias atividades, porém depois que me aposentei, entrei de cabeça”.

Uma das atividades preferidas de José, é o teatro. Quando os filhos ainda frequentavam o colégio Integral, sempre estava presente, principalmente nas ações culturais as quais eram muito valorizadas pela instituição que trazia profissionais do estado de São Paulo para produzir grandes peças teatrais e promover o saudoso Festival de Teatro Amador (FESTA), “eu ia ajudar com a criação de cenários e figurinos, pois meus filhos atuavam nas dramatizações, e ali criávamos um vínculo de amizade muito grande”, vínculo este que levou a uma intimação inesperada, “preciso de um ator para minha próxima peça e este ator será você Zé”, afirmou Alexandre Souzah, diretor teatral que atuava em São Mateus do Sul nos anos 2000, “eu disse não, não vou fazer teatro, pronto e acabou”, reclamou ainda cheio de receio com aquele convite. Mas, não resistindo aos incentivos e apoio de amigos e familiares, lá estava Sultowski atuando. A peça em questão era a belíssima obra de Benedito Rodrigues Pinto, “Meia Sola”, comédia que contava a história de uma família proprietária de um hotel que era um bordel. “Fiz o papel de um bêbado, esposo da dona do hotel e pude atuar ao lado da minha filha, que também atuou como minha filha em cima do palco”. E no final do FESTA 2002, o prêmio de melhor ator foi para aquele cidadão que temia se expor em cima dos palcos.

Como ator, a trajetória de Sultowski foi marcada a partir de 2004, quando iniciou a participação no grupo teatral Pau & Corda, onde atuou como o Rei Herodes, na encenação da Paixão de Cristo daquele ano e desde aquele momento, muitas peças o emocionaram, assim como o seu público. Ao se falar em cultura, Sultowski tem um pensamento positivo porém enaltece que “temos de colocar na balança que o povo gosta de cultura, se você fizer algo, vai ter gente pra assistir, mas infelizmente não possuímos um local adequado para a cultura. Existe a extrema necessidade de um local não somente para o teatro, mas sim para dança e outras expressões culturais”.

Descendente de poloneses, Sultowski relata que seus avós vieram da Polônia no século passado e ele respeita e valoriza suas origens, costumes e cultura, principalmente atuando junto da Braspol e o grupo folclórico Karolinka, o qual é membro da diretoria.

Fiel torcedor alviverde, Sultowski relata que aos 10 anos de idade, assistia junto de seu pai ao clássico da época, Palmeiras e Cruzeiro, onde viu o gol de meio de campo do meia atacante do time paulista, a empolgação da narração e a vibração daquela torcida, o empolgaram a torcer pelo time verde e branco. Porém já em 1971 quando vinha à São Mateus visitar seu irmão que residia no município, relata que via muitas bandeiras do atlético paranaense e do Coritiba e se encantou com aquela situação e devido as cores serem as mesmas de seu Palmeiras, iniciará ali seu amor pelo Coxa.

Apesar de aposentado, o local mais fácil para Sultowski se esconder é em sua casa. Sempre com a agenda lotada de compromissos em meio a comunidade e nos vários grupos e ações as quais faz parte, um dos seus hobbies é cozinhar e expor seus pratos saudáveis nas redes sociais, quase que diariamente, a fim de incentivar seus amigos aos hábitos saudáveis, consumindo legumes e verduras. Além de ser craque na cozinha, é popularmente conhecido pelos seus molhos de pimenta, as quais ele colhe no próprio quintal onde tem mais de 20 pés de pimentas de países como Bolívia, Turquia, México e Tailândia, “na verdade não gosto muito de pimenta, plantei uma vez e comecei a fazer os molhos e os amigos gostaram. Até tentei ensinar, mas todos disseram que o meu jeito de fazer ficava melhor, então até hoje eu faço”.

Voltando a história do velho e bom velhinho, Sultowski afirma que em meio a várias situações emocionantes na sua longa jornada como Papai Noel ele presenciou muitas histórias de crianças que o cativaram e muitas vezes o fizeram correr atrás dos pedidos dos pequeninos. “Tem de haver muita preparação, seja como pai, seja como cidadão, aí entra o Papai Noel ator, interpretando e não se deixando levar dependendo da situação”.

Porém a trajetória do principal Papai Noel são-mateuense, parece estar chegando ao fim. É provável que Sultowski não atue mais como o personagem, “estou completando 60 anos e há anos destaco o mês inteiro de dezembro a esta atividade, vou às escolas, às entidades, corro o dia 24 de dezembro, o tempo inteiro, de casa em casa e impreterivelmente deixo minha família de lado”.

Nossa história não poderia encerrar de forma diferente, José Sultowski ressalta que sua perspectiva para o futuro de São Mateus do Sul é a melhor possível, “temos gente séria, pessoas preocupadas com a cultura, com a educação, o bem estar de todos – o que falta é mais ação, tem muita conversa mole para pouca ação. As vezes falta um pouquinho de boa vontade, pois o mundo passa por São Mateus do Sul”, conclui.

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