Artigo de Opinião

O Paraná pedia socorro, e escutaram (previamente) esse pedido

Escarpa Devoniana. (Foto: “Brunno Covello/Gazeta do Povo/Arquivo)

No último ano do curso técnico em meio ambiente me interessei ainda mais pela formação ambiental do Paraná, principalmente a da nossa região. A mata de araucária junto das pequenas espécies que vivem nessa extensão da mata atlântica me fizeram entender que cada ser vivo, em sua peculiaridade, é importante para manter o controle da vida terrestre. Seja um simples passarinho que deixa a semente cair do bico ou a árvore que cresceu justamente por conta disso, são responsáveis pelo pouco da qualidade de vida que ainda nos resta. Às vezes nos esquecemos dessa dependência e pensamos que somos indestrutíveis aqui na terra, mas o que devíamos pensar é que dependemos dos recursos ambientais para ser quem somos, com a saúde que deveríamos ter.

Também em 2017, conheci um pouco mais sobre a Escarpa Devoniana, um dos recursos ambientais mais importantes para entender a formação de vida no Paraná. Com extensão nos Campos Gerais, nesse mesmo ano, um projeto de lei ameaçava a biodiversidade desse local: deputados e empresários influentes no agronegócio queriam diminuir 237 mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa – sendo que a área total da APA é de 392 mil hectares –, ameaçando as espécies nativas e o solo da região. Houve manifestações contra e a favor do projeto. Houve medo, ganância e empatia. Houve pessoas defendendo quem não tem voz ativa; houve também aqueles que brigavam por um espaço de terra. Mesmo sendo pouco divulgado nacionalmente, o Paraná pedia socorro.

Porém em 2018, mais precisamente no dia 31 de outubro, esse projeto de lei foi arquivado, e de acordo com os deputados que propuseram o projeto, o tema “necessita de uma discussão mais ampla”. Até que ponto vale a pena diminuir uma das poucas áreas ainda protegidas do nosso estado? É preciso entender que junto desses documentos arquivados há a liberdade de quem não consegue se defender.

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