Detalhe no jaleco que demonstra os dias da semana durante o trabalho de Valdir. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Quando estamos à procura de bom atendimento, não é só a qualidade dos produtos que avaliamos como essenciais que são priorizados quando vamos adquirir o desejado. O contato humano, a compreensão pelas necessidades antes, durante e após o consumo são fundamentais para garantir a fidelidade do cliente, e dessa maneira, fazer com que ele compartilhe do bom atendimento com as outras pessoas.

Na edição de perfil dessa semana, a Gazeta Informativa pôde compreender a história do empreendimento simples do são-mateuense que ganhou destaque nacional, e como a particularidade da prestação de serviço é uma das principais virtudes para o sucesso.

Valdir Novaki, de 47 anos, nasceu em São Mateus do Sul na comunidade de Meia Lua e durante sua adolescência trabalhou como boia-fria no município. “Trabalhava na roça porque só com a quarta série primária não tive muita oportunidade de emprego por aqui”, conta.

Completando 18 anos de idade, Valdir mudou-se para Curitiba em busca de melhor chance de emprego, procurando sempre a estabilidade financeira que por ele era tão desejada, sonhando na construção familiar. “Fui embora para Curitiba solteiro, mas com o objetivo de construir a minha própria família, e dar a eles o que eu não tive: a dignidade de uma vida melhor”, comenta.

Estando na capital paranaense pela primeira vez em sua vida e sem possuir uma qualificação profissional, Valdir bate de frente com a sua mais nova realidade: estar sozinho em uma cidade grande praticamente sem nada. “Cheguei no ano de 1989, e o único trabalho que consegui após grande tempo de procura foi de lavar carros em um estacionamento”, lembra.

Trabalhando no lava car até o ano de 1992, seu patrão decide fechar o negócio, e Valdir encontrou-se novamente desempregado. “Comprei um jornal e dei uma olhada nos classificados de emprego e encontrei uma outra oportunidade para trabalhar como balconista em uma banca de revistas na Praça Rui Barbosa”, conta. Levando seu currículo até o proprietário, uma semana após, o são-mateuense foi contratado.

“Na Praça Rui Barbosa se concentra uma grande quantidade de vendedores ambulantes e comecei a ter contato diariamente com eles, e foi aí que despertou a minha vontade de montar o meu próprio negócio”, garante. Após conversar com os colegas que dividiam a praça com a banca em que trabalhava, Valdir foi orientado sobre os procedimentos necessários para conseguir um ponto de venda em Curitiba. “A pipoca foi a primeira coisa que veio na minha cabeça porque o dinheiro que eu tinha guardado só dava para montar um carrinho desse segmento”, enfatiza.

Dessa maneira, Valdir foi até a Prefeitura de Curitiba no dia 24 de agosto de 1992 para realizar o pedido de ponto para conseguir a licença para vender pipoca na rua. Como a fila de espera era extensa, a liberação para venda saiu apenas no dia 28 de setembro de 2006. “Fiquei 14 anos persistindo e foi na pipoca que vi uma oportunidade clara para realizar todos os meus sonhos, porque percebi que os vendedores que existem até hoje em Curitiba possuem grande dificuldade em dar um atendimento de qualidade, que é de obrigação de todos”.

Promoções realizadas por Valdir, e o kit higiene ofertado na compra de cada pipoca. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Frisando que 70% do sucesso de qualquer empresa, por menor que ela seja, o pipoqueiro defende que é o atendimento o principal alicerce para alcançar o resultado desejado. Dividindo a receita do êxito, Valdir garante que conseguiu o reconhecimento nacional através de etapas como a qualidade no atendimento; qualidade na escolha dos produtos e ingredientes para fazer a pipoca; e o asseio (higienização). “Hoje posso afirmar que tem mulher que para no carrinho de pipoca para retocar a maquiagem no vidro”, diz.

Como todo profissional, Valdir possuía o sonho de ser considerado o melhor pipoqueiro de Curitiba, e acordava todos os dias com o entusiasmo para realizá-lo. “Meu sonho não era vender mais que o concorrente, meu objetivo era ser reconhecido como melhor pipoqueiro da cidade pela qualidade do meu serviço”. E o primeiro passo para ir em busca da ideia desejada, ele começou a apostar nas inovações: lançou o cartão convite, que instigava as pessoas irem até a Pipoca do Valdir para experimentar um pacote de pipoca de graça no sabor desejado, para que dessa maneira criasse um fluxo grande de pessoas, objetivando que “aonde tem gente comprando atraí mais comprador”.

“O meu principal desafio era mudar o conceito que as pessoas tinham de que todo pipoqueiro era igual”. Dessa maneira, Valdir alcança uma grande demanda de clientes que começaram a frequentar fielmente seu carrinho de pipoca. “Percebi em um determinado dia uma freguesa, logo após comer, higienizar as mãos na própria embalagem em que a pipoca foi servida. Nessa observação resolvi montar o kit higiene que contém um guardanapo, uma bala de menta e fio dental, e que são entregues para cada cliente”, ressalta.

Outro diferencial da Pipoca do Valdir é que o pipoqueiro mandou confeccionar jalecos personalizados com os dias da semana, que garante ao cliente a higienização e a troca do jaleco durante todos os dias de atendimento.

Como conseguiu o sucesso nacional?

A sua primeira aparição nas mídias foi através do atendimento à diretora do Jornal Gazeta do Povo, que ficou admirada com a prestação de serviço e resolveu fazer uma matéria sobre o diferencial oferecido por Valdir.

Daí em diante, a repercussão com a história do são-mateuense foi se intensificando cada vez mais, o que já lhe rendeu entrevistas no programa Mais Você, Fantástico e a aparição como capa duas vezes na Revista VEJA, sem falar das inúmeras entrevistas já realizadas contando sobre seu empreendimento de sucesso.

Lembra do sonho em ser o melhor pipoqueiro de Curitiba? Em pesquisa, Valdir foi eleito como o melhor pipoqueiro do Brasil. Hoje, Valdir ministra palestras de empreendedorismo, em que já realizou mais de 1.200 seminários por muitos lugares do Brasil. Casado há mais de 20 anos, conta que hoje a esposa, o filho e a nora cuidam do atendimento no carrinho de pipoca em Curitiba, e em média, 1.000 pipocas são vendidas ao dia.

O pipoqueiro e São Mateus do Sul

Apesar de ir embora muito cedo de São Mateus do Sul, Valdir ainda possui uma forte ligação com os amigos que estão no município, que mesmo com as dificuldades que passou na juventude, jamais deixaram de lhe ajudar. “Já passei fome quando morava aqui, mas muitas pessoas me ajudaram”, conta.

Hoje possuindo uma chácara no município, reforça que um dos melhores passatempos que ele traz consigo é tirar uma folga em São Mateus do Sul, onde ele mesmo planta as hortaliças que são consumidos por ele e pela família.

“Normalmente as pessoas quando me encontram na rua sempre têm a curiosidade de saber como consegui chegar onde estou, e eu sempre digo que o potencial está presente em cada um de nós. Não podemos perder a esperança e sim lutar pelos nossos objetivos, porque percebo que hoje é mais fácil reclamar do que ter atitude para mudar alguma coisa”, encerra.

A Pipoca do Valdir está localizada na Praça Tiradentes, Centro de Curitiba. Na foto, Valdir Novaki e sua esposa Lenice Novaki. (Foto: Acervo Pessoal)

Como experimentar a Pipoca do Valdir?

Você encontrará a Pipoca do Valdir na Praça Tiradentes próximo à Igreja Matriz e à Caixa Econômica, no Centro de Curitiba, Paraná. Com horário de atendimento de segunda à sexta, das 11h às 19h30.

Os clientes podem adquirir o cartão fidelidade (na compra de 5 pipocas, a 6ª é por conta do Valdir) e a mais nova promoção Oba!!! Dúzia de dez! (na compra de 10 pipocas, você ganhará a 11ª e a 12ª) podendo consumir durante os dias que preferir.

Mais informações sobre palestras e a trajetória de Valdir Novaki você poderá conferir em www.pipocadovaldir.com.br.

CHARGE:

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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