(Imagem Ilustrativa)

No mês de outubro, nesta Coluna, apresentei algumas considerações sobre a escrita e o processo evolutivo. Nela afirmei que o maior marco na história, neste processo de evolução da humanidade, depois de decidirmos ficar em pé, deixarmos de grunhir e passarmos a articular sons, criarmos palavras e nossos padrões de comunicação, foi a invenção da escrita e com ela o desenvolvimento de nossa habilidade de registrar, construir a nossa história, criando uma nova base para nossa evolução.

Pois bem, nesta semana, assistindo a um vídeo com a fala do escritor, tradutor, ensaísta e editor argentino Alberto Manguel intitulado “O poder da escrita”, reforcei ainda mais a minha visão sobre a leitura e a escrita. Mais ainda sobre a nossa capacidade de criar. Falava ele sobre a nossa capacidade de imaginar.

Para Manguel, “o que pertence à imaginação tem raízes muito profundas na realidade, pois nosso conhecimento da realidade é através da imaginação. Há uma qualidade que nos diferencia como seres humanos e é a possibilidade de imaginar uma experiência antes de que ela ocorra e para isso precisamos da imaginação. Quando imaginamos essa experiência e colocamos essa experiência em palavras, às vezes, se tivermos sorte, contribuiremos com um parágrafo, uma frase ou uma página a essa biblioteca imaginária universal”.

Como escritor, ele falava da escrita, mas isso vale para qualquer ramo da arte ou da ciência, enfim, do conhecimento.

Através da imaginação podemos voltar ao passado, visualizar um lugar ainda não visitado, ou tentar prever o futuro. A imaginação guia os passos da humanidade. Paulo Coelho afirma que a imaginação nos faz criar e recriar o mundo várias vezes ao dia.

Imaginando, depois testando, concebemos nossos inventos, formulamos nossas teses, projetamos o futuro. Assim, como num jogo de xadrez, estamos sempre um passo à frente, os que usam o poder da imaginação.

É com base nela que tomamos nossas decisões, que construímos o nosso caminho. Ela atua de forma automática, mas podemos exercitá-la também, mantendo o nosso cérebro, a nossa máquina de pensar e imaginar, ativo.

Pesquisando, encontrei um vídeo com uma palestra da professora de filosofia Lúcia Helena Galvão, abordando o tema sob a ótica da filosofia e psicologia. Ela recorria ao pensamento de Platão onde ele sustentava que existe um plano das ideias e um plano material reflexo desse esboço imaginário. Então, o mundo material corre atrás do ideal definido no mundo das ideias. Isto seria o que chamamos de evolução.

Relembrando a origem do emprego da palavra evolução, ela dizia que os gregos copiaram os egípcios aonde evolução vem de desenvolver, desenrolar, já que ideias, o conhecimento se registrava em folhas de papiro que eram enroladas e depois desenroladas para quem desejasse adquirir conhecimento.

Falando sobre evolução, ela afirmava que certa vez perguntaram para Steve Jobs se ele não tinha medo de que suas invenções tecnológicas o substituíssem. Ele respondeu que isto era coisa de ficção científica (eu acredito também na ficção como ferramenta imaginativa e de construção), que desenvolver as ideias que já existem, isto a tecnologia poderá fazer cada vez melhor, mas gerar novas ideias vai ser sempre humano e cada vez mais raro.

Então, é melhor que nos incluamos neste seleto grupo de pessoas que continuarão imaginando. Até aqui, nos diferenciávamos dos outros animais. Agora, precisamos manter a nossa humanidade, imaginando, criando e garantindo o nosso espaço, nesta disputa com máquinas.

Adnelson Borges de Campos
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