(Imagem Ilustrativa)

Há alguns dias, assisti The Post, um filme que abordava a questão de liberdade de imprensa versus a suposta necessidade de segurança nacional americana diante dos fatos da Guerra do Vietnã, durante o governo de Richard Nixon.

No filme foi resgatada uma frase atribuída a Philip Graham, ex-presidente do Washington Post, que já estava morto em 1972. Phil Graham dizia que “A Notícia é apenas o primeiro rascunho da história, que nunca está acabada”.

Então, nesta primeira Coluna de 2021, quero falar da importância da imprensa e dos profissionais de comunicação neste processo de registro da história, que nunca está acabada, como corretamente afirmado por Graham. Neste momento, tudo que está sendo noticiado é apenas um primeiro rascunho, ou melhor várias versões de um primeiro rascunho da história, escrito sob diversos pontos de vista. Só o tempo, talvez muito tempo, poderá demonstrar o que mais se aproximou da realidade.

Quem publica uma notícia, relata um fato, emite uma opinião, precisa compreender a importância do seu registro para as gerações futuras, para a construção da história, pois ainda não foi inventada uma máquina do tempo e não é possível voltar e verificar a autenticidade de uma informação. Muitas vezes, mesmo no presente, isto é impossível.

Por exemplo, quando você toma uma decisão, todos à sua volta conhecem seus pensamentos, sabem os reais motivos que fizeram com que você adotasse determinada posição? Com certeza não. Mas se alguém próximo de você ou que fosse impactado por sua decisão, registrasse o que você externou ou o que ele observou durante o desenrolar dos fatos, seria algo próximo da realidade?

E, se quem registrasse o fato fosse seu opositor, qual seria a versão da história dele?

Assim, sempre que você receber uma notícia, procure verificar qual a fonte, se há fundo de verdade. Procure avaliar quais são os interesses envolvidos, qual a linha do veículo de comunicação ou do pensamento de quem a escreveu. É importante lembrar que este rascunho da história também é feito e afirmado por aqueles que leem e repassam a informação adiante.

Com os atuais meios de comunicação disponíveis, muitos de nós se julgam donos da verdade e escrevem sem ao menos pensar nas consequências de nossos atos. Com as redes sociais, todos temos voz: mesmo os ignorantes. Dessa forma, as notícias e versões “falsas” da história vem sendo construídas. Logo agora, que temos nas mãos excelentes e rápidas ferramentas para fazer bem feito.

Nossa versão da história atual conta com alternativas que, num passado não tão distante, não tínhamos. Sendo assim, boa parte do que conhecemos foi passado de boca em boca, ao longo das eras. Temos registros escritos, falados e gravados, fotografias, filmes, desenhos, entre outros. Apesar de tudo, fica mais difícil identificar o que é verdadeiro, num primeiro momento.

Atualmente, temos mais um risco: quem detém o poder sobre as ferramentas de redes sociais está escolhendo o que deve e o que não deve ser publicado e até “apagando” uma parte da história registrada.

Mas este é assunto para outra Coluna. Hoje, escrevo para ressaltar a importância do Jornal na vida das pessoas, na construção da história. Os profissionais de comunicação foram formados para melhor retratar a nossa história. Podem não o conseguir, mas estão melhor preparados que aqueles que apenas jogam informações irresponsáveis ou interesseiras em suas postagens.

Fico triste quando se percebe que poucas pessoas leem jornal, que poucos desenvolvem o seu senso crítico. Não sou dono da verdade, ninguém é, mas acho importante ter elementos, informações confiáveis para construir uma versão da história mais próxima da realidade.

Lembrando: a história não tem uma versão final, está sendo construída a cada dia. Então, você pode ajudar a escrevê-la. Leia, incentive que outros leiam. Discutam o que foi registrado.

Um grande 2021 para todos!

Adnelson Borges de Campos
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