Perfil

O professor que faz das suas aulas, um espelho de humanização

Apresentação musical no Colégio Estadual Duque de Caxias, e as turmas que o Felipe Chico leciona. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Felipe Domingos de Lima Chico, mais conhecido como Felipe Chico, de 33 anos é natural de São Mateus do Sul e na edição desta semana torna-se protagonista da matéria de perfil. Com uma infância tranquila na cidade, Felipe costuma dizer que, “aqui é a cidade dos 5 minutos: em 5 minutos você está na igreja, em 5 minutos você está no banco, em 5 minutos você está no mercado, em casa, no trabalho, em qualquer lugar”.

Desde pequeno, o incentivo e apreço pela música fez parte de sua vida. Com todo esse interesse, buscou a primeira aula com a Tia Lolita na escola de música Clave de Sol, com 11 anos. Sua primeira experiência musical foi com ela e neste mesmo momento, a igreja passou a se tornar o seu primeiro palco. “Apesar das aulas sempre fui meio autodidata e fui aprendendo sozinho. Quando eu era adolescente me interessava mais pela música do que pelos estudos. Meu sonho era ser guitarrista profissional”. Mas o que esse garotinho não fazia ideia, era de que a música foi o caminho para a sua atual profissão que é a principal base da formação estudantil.

Como o amor pela carreira profissional ligada a música foi tornando-se realidade, quando estava no 2º ano do ensino médio fez uma audição para tocar na banda Alma Nua da cidade de União da Vitória, e tornando-se dessa maneira, integrante da equipe como guitarrista. “Fui morar para lá por conta da banda. Tocávamos nos finais de semana, e durante a semana ensaiávamos na parte do dia, a noite me restava um tempo livre”. Incentivado pela colega de banda, que nesse tempo de ócio começou os estudos em uma faculdade, o músico resolveu matricular-se para licenciatura em história nesse tempo que lhe restava.

“Na verdade, eu sempre fui curioso com a história, mas fiz a faculdade nessa área porque era o que tinha na mão. E acabei usufruindo muito. Gosto de vários recortes da história, mas a parte que mais me interessa é a história moderna contemporânea, o final das monarquias absolutistas na formação do nosso estado como ele é hoje”. No último ano da faculdade, Felipe Chico passou em um concurso público, e em 2007, retornando a São Mateus do Sul começou a trabalhar em colégios do município e da região. “Tem uma lei da química que diz que todo corpo tende a uma estabilidade e em algum momento ele tem que sossegar, e isso aconteceu comigo”.

Um professor de opinião própria, “tento nas minhas aulas sempre apontar a história a partir de fontes, em documentos, na produção humana. Na maior parte das vezes busco não transparecer o que eu penso. Se for uma aula sobre comunismo, serei o maior dos comunistas, se for uma aula sobre capitalismo, serei o maior dos capitalistas”, ressalta.

Sendo um homem movido a desafios, e buscando algo que o tirasse da sua zona de conforto, após a sua formação em história Felipe também é engenheiro eletricista. “Eu tive a oportunidade e tratei como desafio. Eu não encaro a matemática como algo impossível e tenho como hobby estudar, então tudo isso facilitou”.

Hoje lecionando nos colégios estaduais São Mateus, Duque de Caxias e na Casa Familiar Rural com a disciplina de história, e no colégio Maria Augusta (Sema) e na Universidade do Contestado (UnC) nas disciplinas ligadas a engenharia elétrica, Felipe Chico acredita que as aulas são como grandes laboratórios, com êxitos e fracassos que são naturais na vida acadêmica.

“Tem várias histórias de alunos que me motivam até hoje. Em certos momentos eu penso que eu posso ser a única referência boa na vida dessa pessoa, e eu me sinto muito agradecido por isso, esse reconhecimento que eu tenho e que para mim é válido com os alunos que estão tendo sucesso na vida, não tem preço, e é isso que me deixa feliz”, admite.

Um professor que para muitos é um sinônimo de amizade, Felipe Chico faz das suas aulas, uma interação mútua de conhecimento. “Eu vejo uma relação transcendente a professor e aluno. Resolvi colocar nas minhas estratégias de disciplina aquilo que eu acreditava que faltava na estratégia de alguns professores que me deram aula. Obtive sucesso, mas muitos fracassos também. Esta oportunidade de trabalhar em escolas do centro, da periferia, do interior, ajudou da melhor maneira possível o meu engrandecimento humano”, comenta.

Apaixonado e defensor dos animais, acredita que a condição que os difere dos seres humanos faz com que muitas vezes os maus tratos, abandonos e injustiças se tornem realidades mundo afora. “O cachorrinho de rua quando ele passa na frente da casa de algumas pessoas elas vão e tocam, chutam, brigam. São seres vivos e não tem como se defender, eles não têm a condição de que se algo está errado ele olha e te pede”.

Atualmente, Felipe está estudando mestrado em instrumentação e controle na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), e faz do esforço uma das suas principais virtudes, que garantem que a inovação desafiadora se transforme em valores fortalecedores que o fazem sentir-se vivo em meio a todas estas experiências.

Turmas do 9ºC e 9ºD do Colégio Estadual São Mateus.

O professor de história que faz a diferença na história de seus alunos

Talvez um dos diferenciais do professor em uma sala de aula é o quão marcante as suas aulas se tornam em meio a tantas matérias que se fazem presente durante o ano letivo.

História, geografia, ciências, seja qual for a matéria, e como se baseia o interesse de cada aluno (interesse este, que é individualizado), o professor é a base para transformar a matéria em algo diferenciado e da mesma forma, aguçando o interesse para apreciação da disciplina.

A Gazeta Informativa, para concretizar este momento da melhor maneira possível, instigou algumas turmas nas quais o professor Felipe Chico está atuando na disciplina de história, e como resposta, conseguimos alcançar a verdadeira essência do professor em sala de aula com os seguintes depoimentos:

“Eu gosto dele porque ele fala de um jeito que conseguimos entender, ele não explica igual um robô. As aulas do professor Felipe Chico é como conversar com um amigo”.

“Eu não gostava de história até conhecer o professor Felipe Chico. Agora ficamos muito mais animados quando sabemos que a próxima aula é de história”.

“Ele é o melhor professor de história que conheci. Ele não se baseia só na teoria, ele conversa com a gente e isso facilita o nosso entendimento com as brincadeiras”.

Como bons amigos, a intenção de um futuro brilhante é unanimidade quando a pergunta é “o que desejam para o professor Felipe Chico?”, entre diversas intenções positivas, o que mais nos chamou a atenção foi o cuidado e a gentileza no desejo de um futuro próspero nos estudos do professor, “ele nos disse que está fazendo mestrado, então desejamos que ele sempre consiga atingir cada vez mais seus ideais”, comentam.

Um homem que busca no exemplo de caráter, a motivação na vida de seus alunos. Compartilha do ideal de que devemos ser ilimitados na vida, nos desejos e nas motivações. Um professor que consegue transformar de maneira significativa a vida dos jovens que são a face do nosso futuro.

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