(Imagem Ilustrativa)

Já falei antes que vivemos tempos sombrios, por muitos dos acontecimentos que presenciamos e vemos nos noticiários do dia a dia, e parece que nem dá para acreditar. Acompanhando algumas missas e cultos vemos que até onde deveria haver fé, as coisas andam mesmo sombrias.

Mas falando nisso, outro dia me caiu nas mãos um pequeno texto com o título, “Milionário de pequenas coisas” e me deu, como se costuma dizer, uma injeção de ânimo, que somente algo divino explica.

Sempre fui um otimista inveterado, de ver algo de bom, em tudo, mas ultimamente não está muito fácil praticar a tal resiliência, mas respirando fundo e refletindo um pouco, algo nos puxa para o chão e nos faz ver novamente o brilho das coisas. Principalmente o brilho das coisas simples, que a maioria das pessoas não se dá conta de quanto é importante na nossa vida. Principalmente nesses tempos de pandemia vale essa reflexão.

Para quem perdeu alguém para o Covid, parente, amigo ou conhecido, ou mesmo perdeu o emprego, a empresa está passando dificuldades com essa pandemia, o mundo passou a ter um novo sentido, uma nova maneira de se olhar. Os valores de muitas coisas mudaram e com isso a vida passou a ter, diria eu, uma importância diferente, e tomara Deus que isso perdure e passe a fazer parte do íntimo de cada um.

Tenho pessoas queridas lutando contra a Covid, outras lutando contra o câncer, e algumas com outras doenças oportunistas. São diversos grupos de WhatsApp que fazem correntes de orações, pedindo por alguém com muita Fé e isso muda a gente por dentro também, é uma energia que não se soma, ela se multiplica. E isso aos poucos vai fazendo com que as pessoas acordem e comecem a dar conta dos luxos que sempre desejávamos e que agora de verdade estamos alcançando.

Estamos nos dando conta (graças a Deus) de que luxo mesmo, não é e não precisa ser algo caro ou raro, aquilo que é inalcançável para a grande maioria. Luxo mudou de patamar, pois luxo é estar saudável, enquanto dinheiro não consegue reverter às mortes pela Covid. O luxo que temos hoje é não precisar ir para um hospital, é poder fazer todas as refeições necessárias do dia. Luxo é poder dar abraços e beijos em quem se ama. Luxo é poder (apesar desse frio) levantar pela manhã e ir enfrentar mais um dia de trabalho. Luxo é ver o brilho nos olhos de quem se ama. Luxo passou a ser escutar “Te Amo Pai” ou “Te Amo Mãe” e poder responder “Te Amo também Filho(a)”. Luxo é não faltar ninguém nos grupos de amigos e saber que em breve poderão se encontrar. Luxo é ter e valorizar o emprego que possui nesse momento em que tantos estão sem um ganha pão fixo. Luxo é saber que dentro em breve poderemos ir até um lago, uma praia, um rio e caminhar sentindo aquela sensação maravilhosa que é pisar na água. Luxo passou a ser aquela oportunidade de parar e sentir o sol na cara e nos darmos conta de estarmos vivos para lutar mais um dia. Luxo passou a ser aquele tempinho que levamos lendo um livro do autor que gostamos e nos acrescenta muita coisa. Quem sabe luxo seja assistir aquele filme com uma boa história que nos faz pensar. É ver o sorriso de uma criança e ver ali toda a esperança do mundo.

Luxo não é ter uma bela joia, mas ter o bastante e poder repartir com quem tem falta. Luxo não é ter aquele carrão e estar rezando por uma vaga de UTI. Luxo não é mais ter uma casa grande, em que está faltando pessoas. Luxo não é mais as grandes viagens, que não poderão mais se repetir porque faltará alguém. Luxo mesmo é poder sonhar, luxo é poder abraçar, luxo mesmo é ter saúde para desfrutar mais um dia, luxo é poder amar e estar vivo. Tudo isso sempre foi um luxo e não sabíamos.

Luxo é estar escrevendo esse texto e de repente tocar no computador, “Mais Bonito Não Há”, com Tiago Iorc e Milton Nascimento… pode acreditar…

Hugo Lopes Júnior
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