Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

O que falta e o que faz falta nesses 110 anos

Como mostra as duas fotos acima, o “Violão na Praça” era um evento cultural que englobava vários artistas de nossa região, que realizavam as atividades de forma voluntária. (Fotos: Acervo/Edna Guimarães)

É até bonito de ver toda movimentação no começo do mês nas ruas da cidade. Bancos e lotéricas acomodam filas de pessoas que vão ansiosamente, mês à mês, receber o tão esperado pagamento. É gente do Centro, das vilas e das comunidades do interior, que se encontram com parentes e amigos pelas esquinas do município e relembram de como tudo era antes.

“Uma das principais lembranças que eu tenho do Centro da cidade é de quando vínhamos de fusca com meus pais no dia de pagamento. Meu Dziadek – avô em polonês – vinha em outro carro, e eu com as minhas irmãs ficávamos esperando ele entregar um dinheirinho para que fossemos no Bar do Cíntio tomar gasosa e comer pão com mortadela. Era o melhor pão com mortadela da cidade!”, relembra Adriane Alves Chula, são-mateuense que recorda com saudade do ponto de encontro que ficava situado na Rua 21 de Setembro.

O Bar do Cintio, era localizado na Rua 21 de Setembro. Ele deixa saudade em muitos são-mateuenses. (Foto: Arquivo Pessoal)

Falar de saudade é algo que meche com os nossos sentimentos, ainda mais se essas lembranças sejam capazes de fazer com que mais pessoas se identifiquem com ela. “Nossa, eu sinto muita falta da Vaca Mecânica que fabricava leite de soja aqui na cidade. Minha mãe trabalhava lá e eu lembro do processo de produção, era muito divertido e ficou marcado na minha memória… Elas aqueciam o leite em certa temperatura, colocavam o sabor e depois fechavam os pacotinhos que eram distribuídos para as escolas do município. Lembro que muitas pessoas vinham de outras cidades buscar os pacotes, pois São Mateus do Sul era referência regional na fabricação desse tipo de leite”, recorda Eliandra Olszewski. A Vaca Mecânica ficava próximo a Creche Casulo.

Nesses 110 anos, inúmeros estabelecimentos comerciais e obras públicas e privadas já fizeram parte de momentos especiais que marcaram a história de diversas pessoas. “Sinto muita falta do campo do Atlético São-mateuense, nostalgia enorme em lembrar daquele lugar. Tenho muitas histórias vividas ali: meu primeiro jogo em ‘campo grande ou campo de 11’ aconteceu lá. Foi ali que meu amor pelo esporte começou e tenho certeza que isso aconteceu com muita gente. É triste olhar aquele lugar parado e as obras inacabadas. Um estádio de futebol em São Mateus faz muita falta”, expressa Angelo Neto.

Tardes culturais, boa música e a mistura de grupos de amigos também fazem falta para alguns são-mateuenses. “O ‘Violão na Praça’ transmitia uma energia incrível! Era um evento que reunia vários grupos diferenciados e a galera ia pra curtir, trocar ideia, admirar o trabalho artístico, tanto visual como musical das demais pessoas. Acho que de alguma forma promovia a arte na cidade”, enfatiza Yago Gustavo.

Até quem não vive mais no município lembra de maneira saudosista dos fins de semana da cidade. “Sexta-feira geralmente tinha ‘som’ no salão nobre do Duque de Caxias, no Umbenau, ou em alguma escola ou salão de igrejas como a do Paiol Grande. No sábado, Baile do CTG, gerenciado pelo Seu Belmiro. No domingo, pra encerrar o fim de semana tinha a domingueira no Salão do João Edivino, na Vila Nepomuceno. O curioso é que algumas figuras, como esse que voz fala, se encontravam sexta, sábado e domingo na gandaia! Se faço isso hoje vou precisar de uma semana pra me recuperar!”, relembra Luis Ferraz, que mora atualmente em Santa Maria, Rio Grande do Sul.

No mesmo ritmo de festa, a saudade dos carnavais do município também estão nas lembranças de quem viveu tudo isso, e a são-mateuense Danielle Magnani Ogurtsova, compartilha esse sentimento conosco: “carnavais do Clube Ideal São-mateuense (CIS), minha nossa… Eram os melhores! Não sei nem como explicar, brincávamos no carnaval, se divertíamos, e muitos amigos de fora prestigiavam a festa, aproveitávamos o matinê e à noite. Era muito bom!”

É saudade da Banca do Zé, do Bar do Me-hem, da Banca e Revistaria do Romeu Nadolny, do KiPão, do Bola 1 Café, do “Zoológico” da SIX, da Livraria Nobel, do Centro de Eventos Estação e tantos outros lugares que marcaram gerações.

O que falta

Mesmo com tantas lembranças boas que fazem falta, ainda existe muita coisa que falta em nosso município. Vale lembrar que esse texto tem o intuito de trazer para todos uma reflexão do que pode ser feito para melhorar o futuro do município nesses 110 anos de história.

“Assim como muitos são-mateuenses, vivo na pele as dificuldades de todos os dias viajar para estudar. Perigos da estrada, altos custos e cansaço fazem parte da rotina de todos nós, levando muitos a inclusive desistirem, ou até mesmo mudarem de cidade. Não é de hoje que nós, os cidadãos, pedimos que haja incentivo para que Instituições de Ensino Superior se instalem em São Mateus do Sul; com exceções de polos universitários com cursos e vagas limitadas, nossa cidade infelizmente não atende a grande demanda de jovens que procuram ingressar na vida universitária”, expressa Luis Fernando Juraski, de 20 anos. Alguns também sentem a falta de um cursinho pré-vestibular, de forma extensiva, comunitária gratuita.

Do mais complexo ao mais simples, os são-mateuenses comentam que o município ainda carece de mais incentivo à cultura, como lojas voltadas para materiais artísticos, mais atividades recreativas para as crianças, livrarias e o tão sonhado cinema. “Aqui temos basicamente as culturas gaúcha e polonesa, no entanto não há um centro para exploração, apresentação, ensaio ou um lugar para guardar as vestes de quem faz essas atividades. Aqui falta um centro cultural”, instiga Djenane Fayad.

Há também quem deseja mais opções de gastronomia na cidade. “Sinto falta de estabelecimentos para alimentação com horários flexíveis para as noites dos finais de semana. Nossa cidade carece de novidades em relação a gastronomia, locais com ambiente bacana, comida boa e principalmente: preço acessível”, afirma Alice Licheski.

O incentivo para que mais indústrias se instalem no município também é um pedido de alguns são-mateuenses, pois ainda existe uma certa dependência relacionada a algumas empresas. Ideias, inovações e saudade. E para você, o que falta e o que faz falta em São Mateus do Sul?

Ainda um dos principais apelos dos jovens é mais opções de cursos superiores na cidade. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

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Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
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