Autor Jorge Amado. (Foto: Reprodução Internet)

Em meados de 2018 foi convidado a fazer uma palestra na I Semana Literária do Colégio Estadual Duque de Caxias, em São Mateus do Sul. O tema da Semana era a obra Capitães da Areia, do baiano Jorge Amado (1912-2001). O resgate da literatura no tempo do mobile merece respeito; e o esforço daqueles jovens do Ensino Fundamental em ler um dos mais aclamados autores da história do Brasil é digna de nota.

O evento contou com apresentações artísticas, regate histórico e eu fiquei encarregado de falar dos elementos jornalísticos presentes na obra. O olhar questionador daqueles jovens aparentemente tímidos me leva a fazer um paralelo com o que é apresentado no livro. Os avanços nas políticas públicas implementadas nos últimos vinte anos começam a dar frutos. Professoras (es) com verve instigadora vão ocupando cada vez mais os espaços e provocando seus alunos a ler, a escrever, a se entenderem como membros da sociedade e agentes de mudança – o que em escolas públicas do Brasil é um trabalho hercúleo: ainda hoje há quem vai para a aula pela merenda e que em nenhum outro ambiente de sua vida tem contato com a literatura e com as ciências.

Cito os últimos vinte anos pois o livro trata de uma realidade adversa. Um tempo em que o pobre, o negro, as religiões afro eram perseguidos. Jornais, ao invés de trabalhar com fatos, investiam nas versões, davam voz a preconceitos e discriminações. Muito mudou desde o tempo dos Capitães da Areia; a literatura é um meio de conhecer a história. Hoje, pelo menos, a juventude frequenta os bancos escolares e demonstra que há interesse, o que falta são recursos.

A escassa biblioteca da escola não dispunha de livros suficientes para as turmas – teve de se fazer uma rifa para que os alunos pudessem ler. A biblioteca pública do município (que mais se assemelha a um depósito, tamanho o desrespeito) não oferece material ou espaço adequados para um exercício como o proposto. Se o Estado, em todos os seus níveis administrativos, não cumpre com a obrigação de subsidiar a formação dos jovens com recursos básicos, como exigir que se prolifere o engajamento político, intelectual e social?

Por hora, o que temos a fazer é elogiar atitudes como a da Semana Literária, de professores que incentivam o debate entre seus alunos, que incentivam a busca e a construção do próprio conhecimento.

Texto escrito por Alexandre Douvan. Acadêmico de Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

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Redação do jornal Gazeta Informativa

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