Especial

O são-mateuense e seu baú de histórias

O acervo de Vitor Romério Nadolny tem incontáveis objetos e relíquias, os quais guarda com muito apreço. (Fotos: Cláudia Burdzisnki/Gazeta Informativa)

Com certeza você conhece, frequenta, ou já passou em frente à banca de jornais e revistas Vitor’s & Cia, que fica próximo ao Terminal Rodoviário Guilherme Kantor. Lá também é um dos lugares escolhidos pela Gazeta Informativa para deixar o exemplar do jornal à venda toda sexta-feira.

Naquele espaço repleto de revistas, materiais escolares, jornais e produtos de utilidades, também é perceptível alguns objetos que demonstram a paixão do proprietário Vitor Romério Nadolny. O que poucos imaginam, é a quantidade de histórias e relíquias presentes atrás da construção para quem vê de fora.

Nesta reportagem elaborada especialmente para contar a história do são-mateuense e seu baú de lembranças, também queremos trazer um incentivo para que você passe a olhar os detalhes espalhados por todos os cantinhos desse empreendimento familiar, e também note o que tem dentro das suas próprias casas, empresas ou lugares preferidos.

O apaixonado e criativo empresário aposentado da família Nadolny, é exemplo de paixão pelo que lhe traz sentimentos agradáveis. Tudo começou quando a equipe da Gazeta Informativa foi até a banca, e jogando uma conversa fora, Romério aparece com um álbum antigo completo de figurinhas. “Olha só meu amigo Alexandre, o que eu encontrei!”, disse Romério, todo empolgado, mostrando a revista para o repórter GI.

A partir desse momento, percebemos que a paixão não se resumia apenas nas imagens coladas de acordo com a numeração apresentada nas folhas de entretenimento que ganhou o coração de muitos jovens na época, mas sim, o olhar e o conhecimento daquele homem em saber sobre a história de cada página e figura do álbum.

Quem convive e sabe desse hobby de Romério, está acostumado a escutar sobre as histórias e relíquias encontradas e doadas para seu acervo pessoal. Mas para quem apenas sabe da existência da banca, não imagina a quantidade de objetos guardados cuidadosamente por Romério.

Existem relíquias dentro do estoque da banca, nas caixas de madeiras separadas cuidadosamente entre os cômodos de sua casa, nos baús, nas salas e galpões, que se tornaram o lar de todos esses objetos.

Na tarde de sábado (10), a equipe GI saiu em busca de um objetivo: conhecer de perto todo esse material, e repassar essa gama histórica para nossos leitores, que acompanham as histórias de vida que ganham espaço e visibilidade dentro do jornal.

Nem a chuva de verão impediu as gravações naquele sábado. O papo começou logo na entrada, onde as filhas e a esposa, contaram orgulhosas sobre o acervo de Nadolny. “Ele tem que se cuidar para não ficar famoso demais”, comenta sua esposa de maneira irreverente.

Quando chegamos, percebemos a vontade e a animação de Romério no planejamento do que iria nos mostrar primeiro. Logo de cara, pegou um banco de madeira, e tirou de cima das prateleiras da loja 2 rádios antigos, um vindo exclusivamente de Chicago – Estados Unidos, e que segundo Romério, “se fizer alguns ajustes ele ainda funciona!”. Nadolny lembra que ambos os rádios foram doações de amigos e familiares que sabem de sua paixão por materiais antigos.

Puxando material para cá, abrindo gavetas de lá, paramos em uma sala onde existe um espaço que está sendo elaborado exclusivamente para o acervo pessoal de Romério. “Quero montar esse lugar como se fosse um memorial particular, com o nome de cada pessoa que trouxe para mim algum objetivo importante de sua família”, diz.


Apostilas com imagens, fotos de antes, durante e depois, são alguns dos materiais guardados por Nadolny, que destaca e conta com orgulho tudo que foi encontrado ou doado por pessoas que confiam as relíquias em seu cuidado. “Tudo que tem a ver com São Mateus do Sul eu tenho guardado aqui”, comenta, apontando para fotos antigas da Igreja Matriz São Mateus, e da BR que corta a frente do monumento são-mateuense.

Um ponto que chamou a atenção é o acervo dos primeiros jornais de São Mateus do Sul. Um datado de 1985 traz à tona a pavimentação da estrada que liga São Mateus do Sul e Irati, que já causava grandes esperanças na época. Esse tema será abordado em uma matéria especial, que contará sobre toda tramitação que perpetua há anos nos dois municípios.

Andando mais na frente, conhecemos o espaço dedicado a marcenaria, onde Romério teve grande influência através de seu pai Roberto Alexandre Nadolny, que era um marceneiro de mão cheia. O aposentado guarda com carinho alguns brinquedos feitos pelo pai, e emocionado, lembra que ele tenta repassar a mesma técnica fabricando brinquedos para seus netos. “Na época não tínhamos condições para comprar brinquedos. Meu pai fazia tudo”, relembra emocionado.

Criador de produtos artesanais como bancos, mesas e brinquedos, Romério além de produzir de maneira rústica tudo isso, traz consigo materiais antigos usados pelo seu pai e por pessoas conhecidas. Alguns objetos chegam há mais de 100 anos.

Logo após a visita na marcenaria, fomos ao espaço dedicado aos telefones antigos, revistas, fotonovelas, jornais e muitos, muitos gibis e álbuns de figurinhas. Um dos principais materiais encontrados ali são os exemplares da revista em quadrinhos Tex, famosa nos anos 50. “Já me ofereceram muito dinheiro nessas revistas, mas não vendo de jeito nenhum”. Ele também guarda consigo um almanaque do ano de 1908, que possui a mesma idade que a emancipação política de São Mateus do Sul.


Romério conta que o interesse por guardar revistas e materiais antigos se deu aos 10 anos, quando ele trabalhava com seu irmão na banca de revistas da família. O menino aproveitava do trabalho, e levava para casa algumas revistas para ler durante a noite, e isso foi formando seu grandioso acervo.

Além de construir o seu próprio espaço histórico, ele busca através de todos os acervos, materiais que também falem sobre a família Nadolny. “Esse aqui é um escritor alemão que o sobrenome é Nadolny”, comenta apontando para um livro de Sten Nadolny, que tem um lugar especial no seu baú.

Para um bom amador de relíquias, Romério tira de letra sobre o conhecimento e a história das centenas de peças encontradas pela sua casa, e garante que é uma pessoa que está sempre à disposição para receber novos objetos, e contar sobre o passado de cada um para quem tiver interesse. “Nunca parei para contar tudo que tenho aqui”.

Poderíamos escrever linhas e linhas sobre todos os materiais presentes na casa de Romério, mas resolvemos adaptar tudo isso em uma vídeo reportagem, que será lançada em breve na página da Gazeta Informativa no Facebook, que mostrará nos detalhes algumas das principais relíquias do são-mateuense apaixonado pela história.

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