Há quase 2 anos eu não visitava minha terra natal, principalmente devido à pandemia. Mas depois da segunda dose da vacina e de algum planejamento, resolvemos matar as saudades da rainha bela do Iguaçu. Foram 6 dias dedicados a respirar ares são-mateuenses.

Nos diversos encontros com amigos e parentes havia uma constante: perguntavam se eu havia percebido mudanças na cidade. Em resposta escrevo esse texto para falar de comparações que pude fazer entre a São Mateus do Sul que deixei e a “Samas” que agora encontrei. Pensando nessas mudanças percebi que a relatividade do tempo realmente é uma verdade.

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São mais de 15 anos vivendo a 700 km de SMS e de minha gloriosa Vila Amaral. Nesse intervalo aconteceram muitas modificações na cidade e também e nas atividades do povo, todavia ainda existem coisas que estão do mesmo jeito.

Tive a impressão de que o crescimento do número de edificações foi desproporcionalmente maior que o populacional. Mas é só uma impressão. Sem dados para verificar estatisticamente, não é possível nenhuma conclusão.

Na margem oposta do Iguaçu, uma “nova cidade”. Palmeirinha, Loteamento Santa Cruz, Vila Verde, se tornaram um grande bairro. A minha Vila Amaral então, quase não tem mais terrenos vazios e está asfaltada! No outro lado da cidade, na Rua Tem. Max Wolf Filho, agora tem uma linda igreja Ucraniana!

A Rua do Mate é uma realidade. Ouvi falar dela ainda nos anos 1990 e quem a descreveu foi o “Chico do Pano” num mês de setembro em que ele estava envolvido na organização de uma “semana farroupilha”. Acho que ele imaginava algo mais gaúcho do que polaco, mas a versão que saiu do papel é muito boa. Uma ideia que ouvi há 3 décadas se concretizou. Agora cabe ao cidadão compreender que este espaço é da coletividade e cada um tem o direito e também o dever de cuidar de sua preservação e bom uso.

Estive na Rua do Mate na noite do dia 15 de setembro, saboreando um espetinho na feira gastronômica. No belíssimo palco, com paredes pintadas à mão no estilo polonês, se apresentavam alguns músicos. Era dia do gaiteiro e alguns estavam por lá, mas a música era por conta dos Irmão Lúcio e Aloísio Poncheki. O Lúcio no palco me fez recordar do festival de música que culminou com a gravação de um disco, no qual ele cantava em dupla com o Marlos. Que tal organizar um novo festival de música com os concorrentes cantando agora no palco da Rua do Mate? Se não me engano, o festival ao qual me refiro teve apresentações no estádio Olívio Wolff do Amaral e foi organizado pela Rádio Difusora do Xisto.

Os Irmãos Poncheki seguiram tocando e foram chamando os gaiteiros presentes para “dar uma canja”. Fui embora pensando na evolução musical ocorrida na cidade nas duas últimas 2 ou 3 décadas. Surgiram grandes gaiteiros, violonistas, guitarristas, jovens que estudaram o instrumento e executam peças musicais sem “comer” acordes. Foi o tempo de tocar tudo com 3 ou 4 acordes e ignorar o resto. Evoluímos!

Outra mudança visível está na gastronomia. Pudemos saborear alguns produtos que recebem erva-mate como ingrediente. Mousse, suco, cocada, faltou tempo pra experimentar outros pratos. Voltaremos!

O almoço no restaurante que funciona onde era a loja dos irmãos Toppel foi uma experiência interessante. Me sentei mais ou menos no local onde ficava o acesso à sala do Sr Ronaldo, aonde eu ia receber o pagamento aos sábados.

A Banca do Romeu fechada ainda é algo que não combina com o São Mateus. Tem coisas que são permanentes, nem que seja só na memória. Pelo menos o prédio está lá. Já o casarão de madeira ao lado do estádio deu lugar a um supermercado atacadista decretando uma mudança na paisagem. A mudança foi boa, mas deu saudades dos anos 80, quando moravam ali ao lado, os irmãos Waligurski, grandes amigos!

O trânsito na cidade é outra mudança que impressiona, mas é algo comum em todos os lugares. “Desaprendemos” a andar a pé ou de bicicleta. Desculpem, agora é “bike” e a disputa não é mais entre Caloi e Monark. Tendência mundial, os “bikers” também se multiplicaram em SMS. Isso é muito bom! Mas saúde e valorização dos espaços públicos porque de bicicleta vemos melhor as belezas da cidade.

Não foi possível fazer as fotografias da cidade como planejei. A chuva atrapalhou. Mas não tem problema, outra mudança positiva é justamente neste ramo. A cidade hoje conta com ótimos novos fotógrafos, alguns meus amigos. É muito bom poder ver a cidade através dos olhos deles.

Parei para comer um cachorro quente na lanchonete do Gaúcho. Isso não pode faltar nas minhas viagens a “samas”. Mas a cada viagem noto que conheço menos os frequentadores do local. Jovens e desconhecidos rostos com feições que lembram alguém, certamente filhos de amigos ou vizinhos. Quinze anos fazem muita diferença para as pessoas e para as coisas. Edificações e ruas ficam. Pessoas se tornam lembranças. Mas o lanche do gaúcho ainda é o mesmo!

E por falar em lembranças, pudemos fazer uma visita à Casa da Memória. Estava fechada para organização de uma exposição, mas a queridíssima Hilda permitiu que eu e minha esposa olhássemos o acervo. Vi o antigo malhador de erva-mate, capacetes dos pracinhas são-mateuenses, artefatos indígenas coletados na região e entre outros objetos, parte da antiga farmácia que havia na descida para a Vila Amaral onde lembro de ter entrado uma ou duas vezes quando criança. O acervo da Casa da Memória é a preservação da nossa história. Conhecê-lo é um privilégio, mas deveria ser obrigação.

Se SMS mudou? Sim. Está diferente e acho que é para melhor. No entanto, tem muito a ser feito e é preciso que todos os são-mateuenses participem dessas mudanças e se orgulhem de sua terra!

Luís Ferraz
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