Histórias de Terra e Céu

O Xisto é Nosso, Presidente Castelo Branco!

Numa época em que todos tinham medo da ditadura militar, quando os grandes marechais que ocupavam a função de Presidente da República mandavam prender e matar, um empregado da SIX resolveu dar uma bronca no senhor Presidente… E o motivo era o xisto! Embarque comigo nesta história!

Após ser fundada a Comissão para a Industrialização do Xisto Betuminoso, que mais tarde se tornaria a SIX, os trabalhos de exploração e pesquisa se concentraram em Tremembé (SP). Já neste período se discutia a implantação de uma Usina em São Mateus do Sul, mas só depois de uma década de discussões técnicas e políticas, lá no ano de 1963, é que foi tomada a decisão de abandonar Tremembé e investir todas as fichas em São Mateus.

O problema é que um ano depois dessa decisão ser tomada ocorreu o golpe militar de 1964. E por mais que houvesse um caráter desenvolvimentista na gestão dos Marechais, não se sabia ao certo o que ocorreria com o xisto. Os militares mudaram o comando da Superintendência da Industrialização do Xisto, colocando como superintendente o Coronel Hilnor Canguçu (foto).

Canguçu era um homem de extrema inteligência. Fez parte da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra, falava sete idiomas, se especializou no Instituto Francês de Petróleo, era o militar que tirou o primeiro lugar na turma de João Batista Figueiredo (que seria Presidente da República). Mas junto a essa inteligência, Canguçu era altamente emocional, podendo se apaixonar por uma ideia e explodir contra quem questionasse ela.

Quando teve contato com a SIX, Canguçu rapidamente se apaixonou pelo xisto. Não se contentou em seu um Superintendente de escritório. Foi para campo, pegou amostras, levou para congressos. Escreveu artigos sobre o xisto e participou ativamente do desenvolvimento de equipamentos para o processamento do minério. Aquilo virou sua paixão. Ao citar os trabalhadores de São Mateus, Canguçu assim se falou para uma revista da época: “Graças à competência, dedicação e tenacidade dos engenheiros, pesquisadores e operários que hoje labutam na SIX (…) será possível finalmente ver transformada em riqueza efetiva aquela energia potencial, tornando realidade os sonhos de (…) Angewitz e tantos outros”.

Mas quando tudo ia muito bem, no ano de 1965, o Presidente Castelo Branco aprovou um parecer acabando com o monopólio do governo na exploração do xisto. Com isso, a Petrobras poderia abandonar o projeto, entregando nas mãos de empresas privadas. Quando Canguçu soube da decisão considerou-a um desrespeito à nação. E não teve dúvidas: na mesma hora enviou um telegrama ao Presidente da República dando uma senhora bronca em Castelo Branco. Quem o Presidente pensava que era para querer acabar com o xisto?

Logo após receber o telegrama, Castelo Branco demitiu Canguçu do cargo. Mas a coragem do homem que tinha o xisto nas veias, fez com que ficasse famoso. Assim que Castelo Branco deixou o governo, Canguçu se tornou Superintendente na REDUC. E o xisto seguiu forte em São Mateus e no coração de Canguçu.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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