Educação e Cultura

Olhar à moda antiga: como um jovem mantém viva a magia da fotografia analógica em preto e branco

Fotos: Larissa Drabeski/Gazeta Informativa

Uma cena bonita merece ser eternizada na fotografia. Fazer o foco, ajustar o enquadramento e clique! Então, é só aguardar completar as 12, 24 ou 36 poses do filme, retirá-lo e mandar para a revelação. Parece coisa do passado. Afinal, hoje em dia, com o desenvolvimento das câmeras digitais e celulares capazes de registrar imagens cada vez mais com qualidade, poucas pessoas usam as velhas câmeras analógicas.

Na casa de José Manoel Pavoski a tendência não foi seguida. Ainda hoje as fotos de família que compõem álbuns e os retratos que enfeitam os cômodos da casa são registrados em câmeras analógicas, mantendo o velho processo de aguardar até as fotos serem reveladas para rever aqueles momentos.

Apaixonado por fotografia, Juca coleciona câmeras de diferentes modelos.

O contato com o processo tradicional e a história da fotografia em sua família acenderam em Juca, como é mais conhecido, uma paixão. O seu bisavô, Tadeu, era fotógrafo. O avô materno André, com quem Juca mora, tinha laboratório de fotografia por hobby. Além disso, sua tia Janete Pavovski foi proprietária da empresa JB Fotografia, uma das mais tradicionais em São Mateus do Sul.

Em sua coleção, Juca guarda negativos de vidro usados pelo seu bisavô Tadeu, até 1940. Cada placa era utilizada para quatro fotos. “Quando ia alguém tirar foto de documento com meu bisavô, como ele tinha que usar a placa inteira, ele tirava duas fotos de documentos e aproveitava para fotografar as crianças da família. É uma coisa que quase ninguém tem: fotos de criança de 1930 a 1940, porque era caríssimo. São fotos do dia a dia”, explica Juca. Entre as relíquias, também um negativo com a foto do tataravô Otto.

Nesse contato constante com o lado mais romântico da fotográfica, o garoto tomou esta arte para si. Apenas explorar os recursos existentes tornou-se insuficiente: era preciso criar e dar asas à imaginação. Conhecendo os princípios físicos que explicam a fotografia, ele decidiu construir sua própria câmera fotográfica. A partir de uma foto do seu bisavô com sua câmera fotográfica, Juca se inspirou no modelo para construir manualmente sua própria câmera. Mais tarde, construiu outra, como aprimoramento. Com essas façanhas ele registra imagens belas e nostálgicas.

Juca declara que sua maior paixão é o momento de revelar as fotos em preto e branco no laboratório. “É aqui que a magia acontece!”, declara. A primeira vez que ele pisou nesse ambiente especial era apenas um garoto. “Eu tinha uns seis anos, lembro bem do vô André revelando as fotos”. Quando o avô deixou o pequeno Juca brincar no laboratório fotográfico foi que essa paixão aflorou. Juca, que faz revelações há quase dez anos, hoje mantém seu refúgio nos fundos da casa. Um antigo banheiro foi transformado em um laboratório fotográfico. Ali ele desenvolve todos os processos: revelação do filme, fixação e ampliação no papel fotográfico. “Alguns produtos químicos eu faço, como fixador ou papel fotográfico, assim consigo efeitos diferentes”. Juca também arrisca métodos inusitados, como colocar as fotos de molho no chá mate para produzir um tom amarelado.

“O que eu mais gosto é tomar o tempo para fazer isso. E está voltando isso, o pessoal cansou de só apertar o botão, quer realmente mexer em alguma coisa”, avalia.

Embora tenha muitas pessoas interessadas neste hobby, ele ainda não é tão comum em São Mateus do Sul. Neste momento, a tecnologia é grande aliada para conseguir os produtos como revelador, filme e papeis fotográficos. “É o antigo aliado ao novo”, conclui.

Confira mais do trabalho do Juca no Instagram @rolleifluxo ou no flickr.com/rolleifluxo

Fotos: José Manoel Pavoski

Larissa Drabeski

Larissa Drabeski

Jornalista com MBA em Administração e Marketing, é cofundadora da empresa Levante - Fotografia e Comunicação, que oferece serviços diversos de marketing e comunicação empresarial. Contato: larissadrabeski@gmail.com
Larissa Drabeski

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