Prismas

“Olhe para as estrelas, não para baixo, para seus pés”

Na imagem Stephen Hawking. (Imagem Ilustrativa)

Suponha que você tivesse 21 anos de idade, fosse um universitário de uma das mais respeitadas universidades do mundo, um jovem promissor e cheio de sonhos. Acabasse de conhecer a pessoa que acreditava seria o amor de sua vida. De repente, descobrisse que possuía uma doença degenerativa, que você viveria no máximo mais uns dois anos e que antes do fim da sua jornada, perderia todos os movimentos motores do seu corpo. Para não viver eternamente numa cama de hospital ou de sua casa, viveria preso, amarrado a uma cadeira de rodas.

Talvez você desistisse de viver e acabasse com sua vida logo que os mais graves sintomas começassem a surgir. Quem sabe não suportasse a dor para realizar, enquanto ainda podia, um simples movimento. A maioria das pessoas nessa situação, mesmo que não tivesse coragem para tirar sua própria vida, quem sabe optasse por viver num quadro de depressão até que a sua possível condição vegetativa chegasse.

Mas imagine que você fosse capaz de descobrir que dentro de si mesmo havia uma mente viva, ativa e que não se conformava com as limitações físicas que lhe eram impostas. Acreditasse que a sua mente continuaria livre e fosse capaz de navegar pelo universo e descobrir seus segredos, seus caminhos, seus atalhos. Fosse capaz de visualizar até o invisível, modernizando, por exemplo, a teoria dos buracos negros. Abrisse caminhos não só para si, mas para toda a humanidade. Então, você decidisse encarar cada dia como se fosse o último e tentasse aproveitá-lo ao máximo.

Quando a sua voz se calasse, seus lábios paralisassem, conseguisse com seus olhos exteriorizar todo o seu pensamento, dividir o seu aprendizado, suas ideias. Não só com os maiores cientistas do mundo, mas popularizar seus pensamentos, leva-los a qualquer um que se interessasse pela sua ciência, em todos os cantos do nosso planeta em palestras, em livros.

Tudo parece o enredo de uma história de ficção, uma teoria, mas não é. Até o dia 14/03/2018 este ser, que mais parece uma personagem estampada em um livro, habitou este nosso planeta, teimou em viver por 55 anos após o diagnóstico de sua doença. Foi o cientista mais reconhecido desde Albert Einstein. Stephen Hawking deixou muitas lições de vida e muitos exemplos, alguns que, como na maioria das vezes, passaremos a dar valor depois de sua morte.

Certa vez, quando questionado por que o universo não era perfeito, ele respondeu que “sem imperfeição você e eu não existiríamos”. Ele conhecia mais do que ninguém as suas próprias limitações e imperfeições, mas fazia delas o motivo para superar desafios, saltar os obstáculos, mesmo que aparentemente num corpo inerte. Também errou como qualquer um de nós.

Se você lê este texto, provavelmente ocupa um corpo relativamente saudável. Talvez seja belo, talvez não. Quem sabe atlético ou um pouco sedentário. Pode ser inteligente ou nem tanto. É provável que eu não o conheça, meu caro leitor, mas tenho uma certeza: eu e você fizemos ou fazemos muito menos do que somos capazes de fazer. Não precisamos ser um Stephen Hawking ou um José Leite Lopes, pois cada ser humano é único. Porém, precisamos encontrar uma forma de fazer diferença, positiva, na vida de outras pessoas ou na nossa própria vida.

Adnelson Borges de Campos
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