A Gruta é o ponto de encontro entre familiares e amigos desde sua descoberta. (Fotos: Fotos: Cláudia Burdzinski e Thaís Siqueira/Gazeta Informativa)

Pertencente ao distrito de Fluviópolis, a Gruta Nossa Senhora de Lourdes – local também conhecido como Serraria Velha –, completou 70 anos dia 11 de fevereiro.

A descoberta da gruta aconteceu de um jeito peculiar, mas que foi capaz de fazer com que o espaço se transformasse em um ponto de encontro entre familiares, amigos, jovens e adultos desde sua criação. “Logo que a Gruta foi descoberta, era bonito de ver o pessoal rezando o terço. Sou devota de Nossa Senhora de Lourdes e rezo para ela em nome de toda a minha família e amigos”, garante Maria Lídia Nepomuceno Franco, de 88 anos, uma das moradoras mais antigas da comunidade e que acompanhou de perto toda a evolução do espaço. Seu sogro foi um dos doadores do terreno onde hoje a Gruta está localizada. “Fico muito feliz e me emociono com a participação das pessoas de nossa comunidade”, afirma Maria Lídia, que com sua simpatia conquista todos que lhe conhecem.

Na imagem, Maria Lídia Nepomuceno Franco.

De acordo com alguns registros históricos disponibilizados pela equipe da diretoria da capela, tudo começou quando a família italiana Gugelmin chegou até o distrito de Fluviópolis, tendo como ideia principal a construção de uma serraria na comunidade, próximo ao local da Gruta. O trabalho era feito de forma convencional, em que a madeira era transportada em carretões de tração animal. Antônio Gugelmin e Maria Moura Gugelmin tiveram nove filhos: Elio, Albino, Rodolfo, Afonso, Rogério, Irio, Francelino, Ernesto e José. “Toda a família trabalhava unida, apesar das dificuldades da época. Por possuírem uma forte religião, a fé possibilitou o crescimento da serraria, fazendo com que se tornassem importantes na região”, explica a diretoria.

Rodolfo Gugelmin, filho de Antônio, casou-se com Catarina, e tiveram sete filhos: Josésito, Sebastião, Elio, Rosí, Ivo, Antônio Carlos e Palmira, a protagonista da descoberta da Gruta. Certo dia, Maria Moura, avó de Palmira, estava varrendo a casa e fez um pedido para que a neta fosse cortar uma vassoura nos lotes próximo a casa. Cortando os galhos de lageana, planta utilizada para a confecção de vassouras, a menina observou um local alto, onde vertia água por entre as pedras. Ficando entusiasmada com o que havia descoberto, Palmira foi correndo avisar a avó sobre o “achado” próximo à casa, tendo a ideia de construir uma Gruta no espaço. A família toda apoiou a decisão, pois até então, não havia nenhuma capela na comunidade.

Primeira capela.
Capela de pedra.

Com o intuito de ser o primeiro ponto de encontro religioso, os carpinteiros Bonifácio Martins e Roberto Rebeim foram os responsáveis pela construção da primeira capela, por volta de 1947. O padre Inácio Zabrzeski, pároco do Rio Claro do Sul, foi quem deu início às missas, que eram realizadas esporadicamente. Com a chegada do padre Zeguimundo no ano de 1965, foi comprado o terreno de Artur e Vitalina Wiker, que era próximo ao espaço onde as celebrações aconteciam, com o intuito de aumentar ainda mais o espaço. A Gruta ficou sob administração de Darci Cordeiro Escocim, José Ferreira Franco, Estanislau Guis, Afonso Nepomuceno e Nordival Sales Franco, que deram início entre os anos de 1975 e 1978 na construção do barracão e da capelinha de pedra, onde atualmente está localizada a capela de alvenaria em que são realizadas missas um sábado ao mês e cultos todos os domingos às 9h30.

Hoje, a capela, o pavilhão e a Gruta estão sob o cuidado das famílias Escorsim, Franco, Guis, Ferreira, Nepomuceno, Giboski, Novakosk, Guimarães e muitas outras, que realizam toda a administração do local visitado todos os dias. “Sempre que passamos por aqui vemos pessoas de outras cidades conhecendo a Gruta. Todos aqui possuem muita fé em Nossa Senhora de Lourdes”, garante Ivanei Pedroski Guis, ministra da eucaristia há 10 anos.

A Santa da Gruta

Foi no ano de 1858 que a Virgem Santíssima apareceu, nas cercanias de Lourdes, França, na gruta Massabielle, à uma jovem chamada Santa Marie-Bernard Soubirous ou Santa Bernadete. Essa santa deixou por escrito um testemunho:

“Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela. Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá voltei e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, vária vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”.

Festa em comemoração

Aconteceu no domingo (10), a festa em comemoração aos 70 anos da Gruta Nossa Senhora de Lourdes, no distrito de Fluviópolis. A Gruta está localizada a 2 quilômetros da BR – 476, próximo à entrada do Colégio Estadual do Campo Professor Eugênio de Almeida.

A comunidade agradece a família Gugelmin e todas as pessoas que colaboraram com a construção da Gruta.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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