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Os Caçadores da História Perdida

Membros do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul na aventura do resgate da memória local. (Fotos: Gerson Cesar Souza)

Membros do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul na aventura do resgate da memória local. (Fotos: Gerson Cesar Souza)

Em plena manhã de sábado (25/06/16) eu me encontrava no meio de um prédio em demolição, caminhando lentamente sobre os restos de um assoalho e me equilibrando para não cair de uma altura considerável. Junto a mim, outros quatro amigos repetiam os movimentos de equilibristas, rezando para que as partes do telhado que eram arrancadas por um guindaste, não despencassem sobre nossas cabeças.

A cena descrita acima, que parece parte de um filme do Indiana Jones, ocorreu, na verdade, aqui em São Mateus do Sul, no prédio da antiga Ervateira Maracanã. Os “aventureiros” que me acompanharam na expedição eram membros do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul: Mário Deina, Thales Okonoski, Tiago e Gideão Portes Borges. Mas o que estes malucos faziam em um prédio em demolição? Caçávamos a História! Sim, o referido prédio guarda parte da memória de nossa cidade, dos tempos áureos em que a “Nobreza Verde” enriqueceu com a erva-mate são-mateuense. Apenas para termos uma ideia, a revista carioca “O Observador Econômico e Financeiro” de maio de 1950 já trazia uma foto deste prédio, afirmando: “Na cidade de São Mateus do Sul estão localizados a sede social e armazéns da mais importante cooperativa [de erva-mate], com capacidade para guardar dois milhões de quilos”. Na época chamava-se Cooperativa Iguaçu (e depois Iguamate).

Mas voltemos ao trabalho dos caçadores: nossa missão era encontrar documentos, fotos ou objetos de valor histórico, e o que vimos lá foi um verdadeiro tesouro. No meio dos entulhos, várias balanças, moedores, equipamentos de beneficiamento da erva-mate, entre outros. De repente alguém achava uma raridade e gritava para que os outros trouxessem lanternas para explorarmos melhor. Foi assim quando encontramos uma vitrola, uma mesa para desenhos e projetos e uma máquina de escrever.

Também ficamos empolgados com uma caixa de papelão repleta de documentos. Blocos de compra e venda, registrados com os consumos da época, com nomes dos clientes e fornecedores. Fichas de empregados, várias delas com fotos, certidões de nascimentos e até óbitos. Enfim, sentimos que era possível trazer à vida novamente parte da história que morreria na destruição daquele prédio.

O fruto da nossa manhã de exploração ficou separado em um canto, para negociarmos com o dono do local a doação daquelas relíquias para o Instituto Histórico. Aproveitamos este espaço que a Gazeta Informativa nos cede, e fazemos um apelo: se você sabe de documentos, objetos ou fotos antigas que serão descartados ou estão se deteriorando, avise o Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus (IHGSMS). O que é lixo para alguns, pode ser um tesouro para a história de nossa cidade. Para estes casos, deixamos o contato do Presidente do IHGSMS, professor Mário Deina: fone (42) 8863-7343 e e-mail: desema@bol.com.br

No passado de São Mateus do Sul, o antigo prédio (que está sendo demolido) da Ervateira Maracanã e antiga Cooperativa Iguamate, foi edificação imponente.

Gerson Cesar Souza
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