(Foto: Hugo Lopes Júnior/Gazeta Informativa)

Uma entrevista em forma de bate-papo com a prefeita de São Mateus do Sul, Fernanda Garcia Sardanha, por ocasião dos cem primeiros dias à frente da Prefeitura. Vamos conhecer um pouco melhor como está sendo e conhecer melhor a chefe do Poder Executivo.

Como a vereadora Fernanda vê a prefeita Fernanda?

A vereadora teve o objetivo realizado: ter apenas um mandato como vereadora e participar do desenvolvimento de São Mateus do Sul. Ela vê que agora o desafio é maior e bem diferente, pois enquanto vereadora tinha que fiscalizar e agora tem que executar e vivenciar os desafios de executar as coisas. Tenho muito respeito pelo Legislativo, pois tive um grande aprendizado lá. Também digo que quem quer participar da vida política ativamente, deve passar primeiro pela Câmara. Só fico triste de não termos mulher no Legislativo.

Quais foram as boas surpresas até agora?

Poder realizar muitas ações e montar secretarias técnicas, além de estruturar cada secretaria com suas atribuições para, de imediato, começarem a executar.

Quais foram as surpresas ruins até agora?

Encontrar as licitações encerradas ou paradas. Ter que começar as licitações do zero, demanda tempo, são de obras e infraestrutura. Felizmente, isso não paralisou os serviços, conseguimos fazer mesmo assim. Outro ponto ruim foi assumir nos piores momentos da pandemia. Graças aos profissionais da saúde e o profissionalismo de todos, principalmente na batalha contra a Covid-19, seja na prevenção ou atuação direta. E em consequência a ampliação urgente da estrutura existente e falta geral de locais para envio de pacientes.

O que achava que poderia fazer e não pode?

Nada é impossível e com planejamento e participação ativa dos funcionários e da população é possível fazer. Pode ser que não de forma rápida, mas é possível realizar muito e temos diversas ações de curto, médio e longo prazo para serem feitas pensando sempre na população.

O que é mais difícil e mais fácil do que imaginou na administração?

O mais difícil é a dedicação exclusiva à Prefeitura, mas eu me dispus a isso, eu e minha família, ela sabia como seria e entendem. A Prefeitura e a população são a prioridade hoje e ficou mais fácil com a equipe, pois trabalhamos em conjunto e faz muita diferença, facilita bastante todo o trabalho.

Como é sua rotina?

Minha vida hoje é na Prefeitura, geralmente inicia às 7:00 horas, com visitas aos setores, as vezes visitando as comunidades ou tendo reuniões com secretários. Tenho também a programação do “Café com a Prefeita”, que abre espaço a população e representantes para discutirem diretamente suas prioridades, essa é a participação social. Normalmente, tenho reuniões à tarde, também visitas a empresas… tenho feito muito isso para ajudar a promover emprego. Semanalmente, tenho ido a Curitiba em busca de recursos, com setores do governo do Estado, bem como deputados estaduais e federais, buscando trazer recursos de qualquer partido, pois são da população. Sempre com vários projetos e orçamentos para demonstrar onde serão aplicados os recursos. Nunca sei exatamente como meu dia vai terminar, não tenho horário pra isso.

Qual a “obra” que mais deseja realizar?

Uma nova área industrial em São Mateus do Sul, bem estruturada e recebendo muitas empresas e de vários tamanhos. É preciso para fomentar emprego e renda. Também fomentar o turismo, pois temos uma cidade linda e é preciso potencializar a nossa história, com essa indústria limpa que gera recursos em diversas áreas.

É melhor ser vereadora ou prefeita?

Eu sei da importância do vereador e respeito muito, pois ele está ali para cobrar, criticar e, ao mesmo tempo, tem mais proximidade com o que dá certo ou não em uma cidade, ele também tem como diferencial a representatividade de algum setor da sociedade. Eu não diria que é mais fácil, mas ser vereador é mais leve do que ser prefeita. Na Prefeitura há o poder de executar e ver as prioridades de interesse da população, nunca um projeto pessoal. O prefeito tem que tratar do interesse coletivo da nossa população.

O que é que não faz mais agora como prefeita?

É o exercício da minha profissão, que amo tanto (Fernanda Sardanha é Assistente Social). Agora, a vida é dedicada a executar projetos para a população. Temos que respeitar a representatividade e servir a população, priorizar os seus interesses e isso é a maior recompensa.

O que gostaria de mudar dentro da Prefeitura?

Gostaria muito de mudar a falta de profissionais que existe hoje e também os índices da folha, que são altos. Também modificar a estrutura física dos servidores, precisa melhorar muito, inclusive a infraestrutura e a estrutura, informatizar para dar agilidade e também promover a descentralização. Por exemplo, criar associações rurais com recursos e equipamentos, como trator para que possam ter autonomia de executar pequenas obras nas comunidades, realizar pequenas construções, sem todo um trâmite centralizado. Também a acessibilidade aos prédios públicos.

Foi mais difícil do que imaginava?

Sendo sincera, sim, é mais difícil. Os desafios são maiores do que imaginava antes. Mas temos fé, determinação e Deus tem abençoado muito. As coisas vão ficando mais fáceis com esse trabalho de equipe que tem sido realizado. Sem a dedicação da equipe seria difícil mesmo.

Um destaque nesses 100 dias?

Tenho alguns destaques, como a participação popular e o acesso da população a Prefeitura e a prefeita, as execuções de obras nas estradas rurais que estão acontecendo num grande ritmo. Também a melhoria da infraestrutura nas escolas e Cmeis (Centros Municipais De Educação Infantil), com muitas obras iniciadas e novas construções.

Não apenas a reforma da rodoviária, mas uma transformação ali, com novo terminal de ônibus, e a construção da nova sede da Prefeitura no local. Uma bela biblioteca interativa que será próxima a rua do Mathe, um projeto diferenciado. Licitações de novos asfaltos, aquisição de área para o novo parque industrial, aquisição de área para habitação popular, fomento de novas empresas e também para empresários locais, a construção de prédio próprio para o programa Mãe São-Mateuense e a implantação desse programa. Tudo isso já está a caminho.

Uma urgência nesses 100 dias?

Sem dúvida, foi a saúde. A pandemia trouxe outra realidade e tivemos que nos adaptar rapidamente para tentar frear os casos e atender a demanda, que cresceu de uma hora para outra. Também os exames represados, pois o governo parou de atendê-los por causa da pandemia e tivemos que, urgentemente, criar um plano de ação para dar vazão a esses exames tão necessários.

Qual foi seu primeiro ato como prefeita?

Foi realizar o diagnóstico das secretarias e, junto a isso, realizar o planejamento e orçamento em cada uma, estabelecendo as prioridades e realizar as licitações tão necessárias. Com tudo isso, integrar as equipes de trabalho para atendermos as demandas da população o mais rápido possível.

Não temos “Primeiro Damo”?

Pois é, não temos Primeiro Damo, temos apenas o marido da prefeita. Ele é um grande apoiador dessa minha fase, assim como a minha filha. Tenho muita gratidão por eles entenderem bem esse trabalho e a minha ausência na casa. Eles compartilham muitas coisas comigo, fazem muitas visitas nas comunidades. Sábado, domingo, feriado… eles estão junto comigo sempre que podem. Sei que entendem e fazem isso porque, assim como eu, amam essa terra.

Hugo Lopes Júnior
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