No verão, uma das atividades mais adoradas pelas pessoas é se refrescar em praias, piscinas, cachoeiras ou sair tomar aquele sorvete na companhia de pessoas especiais. Mesmo com esse sentimento de liberdade, existe aqueles momentos de insegurança, em que é colocada em dúvida a forma de vestir e o “constrangimento” em mostrar o próprio corpo. Afinal, até que ponto devemos amar quem somos fisicamente?

Dilmara Bueno, de 24 anos, é ativista na causa de aceitação. Natural de São Mateus do Sul, ela compartilha em suas redes sociais experiências e incentiva mais mulheres a amarem o próprio corpo. “Percebo que nessa época do ano encontro mulheres que não se sentem confortáveis de viajar para praia ou até mesmo sair de casa com uma roupa mais fresca. Quero mudar esse pensamento e fazer com que elas sejam felizes, sem se importar com o que os outros pensam”, diz.

Não foi sempre assim…

Desde criança Dilmara passava por momentos de vergonha. “Sempre fui gordinha e sentia na pele a insegurança em ir para a escola. Fui vítima de bullying nesse tempo pois fui a menina mais cheinha da sala”, relata.

A fase da adolescência e a descoberta nos relacionamentos fez com que Dilmara pensasse que não seria capaz de encontrar alguém que a amasse do jeito que é. “Ficava envergonhada com os olhares e sempre sentia que estavam me julgando. Doía demais”. Após passar por uma depressão e a perda de 8 quilos, Dilmara não se reconhecia. “Não me sentia bem daquela forma. A pessoa que eu olhava no espelho, não era eu.”

Dilmara sempre foi saudável, e após receber o apoio de pessoas especiais em sua volta, o processo de aceitação foi crescendo cada vez mais. “A sociedade espera que a gente se esconda, e sempre estejamos em busca do emagrecimento. As pessoas precisam entender que devem mudar se elas quiserem! Se amar é você se respeitar, e respeitar a sua história.”

“Merecemos estar na moda”

Um dos obstáculos relatados por Dilmara nesse processo de aceitação é a dificuldade de encontrar roupas com numeração plus size que estejam na moda. “Mas algo que vejo na maioria das lojas são modelos sem corte para mulheres mais velhas. Eu quero usar um macacão, um vestidinho e uma roupa diferente”, diz.

Pensando em quebrar esse estigma, Luana Iusviaki trabalha com peças tendências para o público mais jovem. “É difícil encontrar peças da moda na numeração plus size. Quando encontrei algumas, publiquei no Facebook que precisaria de uma modelo plus size para divulgar as minhas peças. A repercussão foi tanta que até me surpreendi da quantidade de meninas que se disponibilizaram a ser a modelo. Foi quando entendi do número de mulheres que procuram alguma peça legal na cidade para usar e dificilmente encontram.”

A autoestima

De acordo com a psicóloga Milena Moreira, especialista no atendimento com mulheres e crianças, a autoestima é o conceito que a pessoa tem sobre ela. A profissional explica que a construção desse conceito é feita ao longo da vida, e sofre interferências do meio em que estamos inseridos.

“Não é novidade que a sociedade em que vivemos impõe diariamente padrões de beleza principalmente para mulheres. Esses padrões são alimentados através de mídias afim de gerar lucro à indústria da beleza. Indústria essa, que age de forma cruel com as mulheres, pois, os padrões impostos são sempre inalcançáveis. Vende-se a ideia de que é sempre preciso mais”, diz.

Com suas experiências profissionais, Milena percebe que as consequências desse processo em busca do “preciso ser mais”, podem abalar toda uma vida. “As mulheres possuem o comprometimento de uma vida saudável em prol de um ideal externo, e, a frustração de não alcançar esse ideal de beleza causa problemas. Viver com a sensação de que você não é adequada o suficiente, de que precisa mudar para caber em um rótulo, não é nem um pouco saudável.”

A profissional entende que se aceitar e viver de forma autêntica não é uma tarefa fácil e que precisa ser trabalhada aos poucos. “Há muitas formas de ser e elas não são erradas. Um corpo não é o que define uma mulher.”

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Candidatos ao Conselho Tutelar apresentam seus currículos e objetivos
São-mateuense é aprovada em concurso do Tribunal de Justiça do Paraná
Os Müller e uma parte da história da música são-mateuense