Histórias de Terra e Céu

Os estudantes e a cerveja…

Os estudantes de São Mateus do Sul sabem que chega um momento na vida acadêmica em que se defrontam com a necessidade de buscar uma cidade maior para prosseguir nos estudos. Anualmente, muitos dos nossos jovens acabam indo para Curitiba, necessitando encontrar um local para se hospedar enquanto concluem o ensino médio ou fazem a faculdade. Mas você imagina como isso ocorria na primeira metade do século passado? Embarque comigo nesta história!

Após a emancipação da cidade, com os recursos da navegação e as receitas da venda da erva-mate, moradores de São Mateus começaram a sonhar com “algo mais” para seus filhos. E esse algo mais consistia exatamente em um aprimoramento da educação. Nas duas primeiras décadas do século passado ainda era muito tímido o movimento de são-mateuenses indo buscar um curso superior, mas aos poucos a situação começou a mudar.
Os filhos dos grandes barões do mate não tinham dificuldades para se hospedarem na capital do estado, mas o mesmo não ocorria com os filhos da nova classe média que aos poucos se formava. Precisavam alugar casas em conjunto, ou buscar hospedarias de baixo custo. Foi assim que eles tiveram uma ideia: criar uma “república” para possibilitar a hospedagem dos conterrâneos. Dessa forma, a 01 de maio de 1931, eles fundaram o Centro Estudantal São Matheus (era “Estudantal” mesmo, e não “Estudantil”).

A ideia deste local era servir de moradia, mas também de núcleo de estudos. Havia espaço para quartos e para biblioteca, mas os jovens não conseguiam recursos para comprar os móveis. Durante um ano tudo o que tinham eram colchões improvisados. Os estudantes resolveram fazer um apelo aos moradores de São Mateus. Usaram o jornal da cidade (“O São Matheus”) para relatar a situação do Centro Estudantal. Falaram da falta de camas, de mesas, cadeiras e estantes para os livros. A esperança era que algum dos grandes empresários da erva-mate ou da navegação se sensibilizasse com a penúria da moradia.

Após vários dias sem qualquer manifestação dos empresários são-mateuenses, os jovens tiveram uma surpresa: bateu à porta do Centro Estudantal o senhor Jorge Lemoine, representante em Curitiba da Cervejaria Adriática, de Ponta Grossa. Ele relatou que um exemplar do jornal havia chegado às mãos do senhor Henrique Thielen, e que o mesmo decidira mobiliar completamente o local, de forma a estimular os rapazes a permanecer estudando.

Os jovens registraram na ata do Centro Estudantal o agradecimento à Adriática, e depois reforçaram este agradecimento em jornais de São Mateus e Curitiba. Graças a estes móveis, por mais de uma década o Centro abrigou novas levas de estudantes, permitindo que jovens da Terra do Mate encontrassem um “porto seguro” na capital do estado.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
Últimos posts por Gerson Cesar Souza (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
A Maldição da Família Portes e o Fim de São Mateus
10 Passos na História
Primeiro de Maio, dia do azar em São Mateus do Sul