(Fotos: Acervo Pessoal)

A prática do isolamento social, muito importante na redução dos impactos em saúde promovidos pela pandemia do coronavírus, também expõe os indivíduos a um cenário bastante diferente do habitual. Profissionais de diversas áreas tiveram sua rotina de trabalho alterada, o que também interfere nas relações pessoais de cada um desses cidadãos.

O desempenho das atividades rotineiras do trabalho, sejam aquelas que continuam acontecendo no ambiente habitual ou aquelas que passaram a ser exercidas em domicílio foi profundamente alterado. Isso implica em uma série de mudanças e situações que profissionais de diferentes áreas passaram a enfrentar. Produzimos uma reportagem reunindo três perfis diferentes, que ilustram esse cenário vivido pelos trabalhadores.

A Educação Física e a prática de exercícios

A prática de atividades físicas foi um dos aspectos da sociedade que sofreu remodelações durante o período de quarentena. Em nosso município, através de normativas estabelecidas pelos Decretos Municipais relativos ao coronavírus, os esportes coletivos estão proibidos de acontecer. No entanto, as academias têm funcionamento garantido, tomadas as devidas precauções e respeitado o atendimento limitado de alunos.

Lucas Vozniak é professor de Educação Física e atua numa academia localizada em um clube do município. Ele comentou sobre as alterações percebidas no dia-a-dia. “O movimento do clube no geral diminuiu bastante, pois áreas como as piscinas, quadras e parquinhos estão interditados. Geralmente esses espaços são bem movimentados, mas sabemos que essa medida é essencial para a segurança de todos no momento”, declarou ele.

O desempenho de atividades físicas em academias está acontecendo de maneira restrita em nossa cidade, permitindo que as pessoas mantenham hábitos saudáveis importantes no momento da pandemia.

A realização de atividades físicas é muito importante, mesmo em momentos semelhantes ao qual vivemos. “Apesar da diminuição no movimento da academia, a realização de atividades físicas é muito importante na manutenção da imunidade alta. Isso contribui para que o indivíduo corra menos risco de contágio, o que tem feito com que muitos alunos continuem praticando seus exercícios normalmente”, comentou Lucas. Esses exercícios têm sido realizados com bastante precaução. “ Devido a essa situação, fizemos algumas mudanças importantes no atendimento dos alunos. O uso de máscaras é obrigatório e reduzimos a lotação para um limite máximo de alunos. A atenção com a higiene dos equipamentos foi redobrada também”, finalizou ele.

A advocacia em tempos de pandemia

O Direito e a atuação dos advogados também foram práticas que sofreram algumas restrições durante o período de quarentena. Simone Gelinski Brandl é advogada há 17 anos em nosso município e comentou sobre a situação. “No dia 19 de março, foi publicada uma Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que suspendeu os atendimentos presenciais nos fóruns e cancelou as audiências, entre outras coisas. A determinação da OAB (Ordem dos Advogados Brasileiros) para que os advogados exerçam suas funções remotamente e os Decretos Municipais de fechamento de algumas atividades, mudaram minha rotina e a dos meus familiares”, destacou ela.

A advogada também ressaltou o aspecto duplo que a jornada de trabalho em casa representa para várias mães e famílias. “A situação do home-office traz à tona um contexto que eu e várias famílias ao longo do mundo temos vivido. Sou mãe de um casal de gêmeos e preciso conciliar os prazos estabelecidos pelo trabalho, com o cuidado e amor que devo dedicar a eles. As crianças também estão vivendo um processo de adaptação ao ensino à distância e estão privadas do contato com familiares e amigos no momento. Meu esposo tem me ajudado muito nesse sentido”, comentou Simone.

A advocacia também foi afetada nos últimos meses e Simone realiza a maioria dos atendimentos de maneira remota, devido à necessidade do isolamento social.

Sobre as mudanças no esquema de trabalho e na vida, ela também pontuou. “Diante da reabertura do comércio local, pude abrir meu escritório, cumprindo todas as determinações de segurança estabelecidas pela Prefeitura Municipal. O sentimento que eu tenho é uma preocupação com o futuro, pois as atividades realizadas por profissionais autônomos, como eu, irão continuar sofrendo impactos. No entanto, temos que encarar um dia de cada vez. No futuro, quero que meus filhos lembrem dessa situação e se recordem de como puderam contar e estar próximos aos seus pais, dando o suporte que precisam para enfrentarmos tudo juntos”, concluiu Simone.

A educação pública

Wagner Silva é professor de Geografia da rede estadual do Paraná há 6 anos. Ele também atua no colegiado de Geografia da Universidade Estadual do Paraná, no campus de União da Vitória. O professor salientou as mudanças que a pandemia provocou no seu cotidiano, no âmbito profissional. “Dentre as principais mudanças profissionais, destaco a substituição das aulas presenciais pelas remotas, via Moodle na universidade e via aplicativo Aula Paraná e Google Classroom na educação básica. As reuniões e conversas formais entre os educadores e gestores também estão sendo realizadas através de aplicativos”, declarou ele.

Os educadores foram uma das classes mais afetadas pela pandemia, pois passaram a exercer atividades em casa que extrapolam a carga horária normal dos profissionais.

A intensa rotina de trabalho também foi um dos aspectos ressaltados por Wagner. “O tempo dedicado ao trabalho aumentou consideravelmente. Nesse momento é importante que as coisas sejam feitas dessa maneira, pois a aglomeração nos ambientes de estudo representa uma potencial contribuição à disseminação do vírus. Estamos nos adaptando, assistindo aulas, elaborando e corrigindo atividades, além de produzir vídeos que incentivem o aluno. O desenvolvimento de situações como a insônia e a ansiedade estão me afetando e me preocupo com os profissionais da educação de maneira geral”, destacou Wagner.

O professor também comentou sobre o esquema de trabalho que vem sendo utilizado na educação pública. “Sempre fui favorável ao uso de tecnologias em sala de aula, mas como esse processo aconteceu de repente, surgem algumas dificuldades e erros, decorrentes do aprendizado. Acredito que a educação requer a proximidade do contato entre alunos e professores e essa situação do vírus afasta as coisas nesse sentido. A acessibilidade dos alunos também é uma questão pertinente, mas, os educadores de todo o Brasil têm buscado se superar diariamente, a fim de continuar oferecendo seus serviços da maneira mais positiva possível aos alunos”, encerrou ele.

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