Histórias de Terra e Céu

Os Justen e o Hino perdido

Se eu lhe perguntar se você conhece o Hino de São Mateus, provavelmente você já sairá cantando o “Fulgurante no vigor da mocidade…”. Mas e se eu lhe dissesse que houve um hino anterior a este? Embarque comigo nesta história!

A referência musical de São Mateus no início do século passado estava na família Justen. Em 1905 a cidade tinha dois mestres em música: Eduardo dos Santos Justen e João Pereira Gomes. Ambos eram maçons, pertencentes inicialmente à Loja Luz e Caridade, mas que migraram para a Loja Renascença, na cisão que ocorreu entre os membros da maçonaria são-mateuense em 1902. Eduardo Justen dava aulas de música e criava composições musicais.

Mas em 1912 a família Justen receberia um reforço musical. Eugênio dos Santos Justen, que havia assumido como professor de alunos do sexo masculino em Clevelândia, obteve transferência para São Mateus. Assim que assumiu a turma na cidade, Eugênio tratou de montar uma banda com as crianças. Meninos que nunca haviam tido contato com instrumentos começaram a aprender com o paciente mestre e, em pouco tempo, já mostravam resultados. Com apenas dois meses de trabalho, a banda recebeu elogios de um jornal de Curitiba: “É digno de todo nosso louvor o procedimento do zeloso professor Eugênio Justen que, regendo há dois meses uma pequena banda de música, cujas figuras são crianças de 14 anos para menos e que nada conheciam daquela arte. Ontem tocaram com satisfação um dobrado e uma valsa da lavra do mesmo professor”.

Nos anos seguintes, cada visita importante que chegava a São Mateus era recebida pela banda regida pelos Justen (ora por Eugênio, ora por Eduardo). Mas o grande evento musical de 1912 ocorreu durante a posse do prefeito e dos vereadores. Luciano Stencel havia vencido Bernardo Wolff na eleição e assumia a prefeitura numa grande festa em 21 de setembro, com direito a novena, missa festiva e baile no Clube Amantes da Prosperidade. Às 13 horas, no exato momento da posse do segundo prefeito de São Mateus, as autoridades foram brindadas com a apresentação do hino municipal de São Mateus, cantado “pelas escolas de ambos os sexos”.

O fato surpreendente da notícia citada acima é que o hino que conhecemos hoje foi composto por Arnoldo Prohmann apenas em 1933. Então, qual seria esse hino cantado em 1912? Teria sido composto por algum dos Justen, como as demais canções que as crianças apresentavam na época? Haveria algum registro deste “hino perdido”?

Infelizmente, amigo leitor, eu não sei as respostas para as perguntas acima, mas tenho certeza que algum pesquisador, ou até algum membro da família Justen, poderia explorar este tema e descobrir o tal hino perdido, peça valiosa da história inicial do nosso município.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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