Histórias de Terra e Céu

Os outubros de Angewitz

O mês de outubro marca os aniversários de nascimento e de morte de Roberto Angewitz, o pioneiro da produção de combustíveis no Brasil. Mas outubro foi um mês com muitos outros acontecimentos na vida do “Perna-de-Pau”. Embarque comigo nesta história!

Roberto Angewitz nasceu no dia 29 de outubro de 1878 em São Bento do Sul. Três anos depois, também em um mês de outubro, dia 18, ocorreria a primeira tragédia de sua vida: Natália Cyms, sua mãe, morreria, quando o garoto não havia nem completado três anos… Após mais cinco anos, o mês fatídico voltaria a marcar o menino: em outubro de 1886 Roberto seria picado por uma jararaca, tendo que amputar sua perna. Dali para frente teria que utilizar uma perna-de-pau, que ele mesmo fabricava, e que lhe renderia o apelido que levaria por toda a vida.

Mas não seria só coisas ruins que outubro reservaria a Angewitz. Após uma juventude difícil (em que teve que fugir de casa) foi trabalhar em Curitiba, casou com Helena Henning e dois de seus três filhos nasceram em outubro: Paula em 07/10/1908 e Roberto Oscar em 17/10/1911.

Angewitz montou uma fundição e estava indo muito bem nos seus negócios, até que a Primeira Guerra Mundial, encarecendo e dificultando as importações, acabou lhe trazendo dívidas impossíveis de pagar. Em outubro de 1915 foi decretada a falência de sua empresa, e os credores tiraram tudo o que o Perna-de-Pau possuía. Mas ele era um guerreiro. Conseguiu adaptar um carro para sua deficiência e se tornou taxista em Curitiba. Numa de suas viagens ouviu falar de pedras que continham “petróleo” na cidade de São Mateus do Sul. Devorou livros que falavam sobre xisto e mudou-se para a pequena cidade às margens do Iguaçu.

Em São Mateus Roberto Angewitz montou sua mineração e sua usina, construindo ele próprio todos os equipamentos. Já no primeiro ano, em 1932, enfrentou um incêndio que destruiu suas instalações e precisou recomeçar do zero. Após conseguir estabilizar a produção de combustíveis em larga escala, passou a ser notícia nos jornais de Curitiba e do centro do país. Mas ao invés de ajudar o empreendedor, o governo resolveu se apropriar da Usina de Angewitz. Em outubro de 1943 Angewitz via oficializada a passagem de todos os ativos da Usina para a empresa Lumber, também controlada pelo exército.

Com uma indenização irrisória, o Perna-de-Pau voltava para Curitiba, buscando tratamento para os problemas respiratórios que havia adquirido ao se expor aos gases do xisto sem qualquer proteção. Seu filho ainda permaneceu trabalhando na Usina de São Mateus, mas em outubro de 1946 (sempre outubro!), a Lumber demitiria os últimos empregados e fecharia a Usina.

Pobre e sem o devido reconhecimento, o Perna-de-Pau faleceria em 22 de outubro de 1947 (há 70 anos). Seis anos depois, também num mês de outubro, seria fundada a Petrobras, que na década seguinte retomaria o sonho do pioneiro do xisto.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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