Artigo de Opinião

Os pais precisam ensinar aos seus filhos o respeito, e não a superioridade

Quando falo da relação de educação dos pais com os filhos, muitas pessoas podem contestar-me, “o que você está falando? Nem filho você tem!”, mas acredito que para entender de educação e formação de caráter, não é a geração de filhos que vai me dar toda essa moral, mas sim o entendimento da diferenciação de educação e superioridade.

Quem acompanha o cotidiano das redes de jornais nacionais, viu que nos últimos dias a repercussão do caso do garoto que atirou em seus colegas de classe com arma de fogo em Goiânia, matando dois, dividiu opiniões sobre os motivos que levaram o menino a praticar esse ato sórdido.

Percebi entre os entrevistados a justificativa do motivo da ação do garoto pelo possível bullying que ele sofria ligado ao mau cheiro. Quando você analisa a situação de primeira, uma mistura de compaixão e rejeição tanto com o menino (e seus pais), quanto para os familiares dos colegas que acabaram falecendo tomam conta, e é preciso analisar com calma todo esse tema.

Optei por trazer esse assunto como editorial dessa semana não porque quero fazer um texto que explique os lados negativos da prática do bullying, pois acredito que desse tipo de informação todos já estão cansados de saber, mas estou aqui para mostrar um lado dessa história que li em um texto que me fez abrir a mente para a situação, e que esta, não gira em torno do bullying.

Em um texto, o psicoterapeuta Jordan Campos expôs a sua opinião sobre o caso, que serve de alerta para você que vive em uma sociedade onde crianças e adolescentes compartilham de sentimentos ligados à essa fase. “(…) o motivo pelo qual o jovem assassinou seus colegas é um conjunto de fatores na formação de sua personalidade sob responsabilidade de seus pais. O gatilho que deu o start em seu plano de matar pode ter surgido da provocação de seus colegas, sim. Foi uma reação desmedida, autoritária, perversa e calculada a um conflito em que ele se viu inserido. A falta de preparo emocional e educacional deste jovem para lidar com frustrações é o ponto alto deste simples quebra-cabeças (…)”, cita o autor.

“(…) quando somos colocados frente a um conflito, ou o enfrentamos, ou fugimos ou paralisamos. As vítimas de bullying costumam paralisar (…), bullying é uma ressaca, um trauma no gerúndio, que vai minando as forças, destruindo a autoestima e a identidade frágil de suas vítimas (…) no caso do adolescente em questão ele não teve tempo de ser vítima de bullying, ele simplesmente enfrentou”, ressalta.

“(…) o garoto matou porque tinha na sua formação de personalidade uma espécie de autorização para fazer! A identidade deste jovem de 14 anos estava formada em um alicerce que permitia isso. Ele provavelmente iria fazer isso logo logo… Na escola, com o vizinho, na briga de trânsito ou com a namorada que terminasse com ele, e isso nada tem a ver com bullying (…) a maior prevenção ao bullying é aprender a vencer frustrações se submetendo a elas de forma sadia e com orientação (…)”, ressalta.

Trouxe esse texto para mostrar realmente quem é capaz de mudar essa realidade tão violenta que está tomando conta do pensamento de jovens. Quando entramos na questão de educação ao ser humano, não é ensinado a força brutal, mas sim mostrando os verdadeiros valores presentes em uma vida.

Eduque para o altruísmo!

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