Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Os pobres migrantes

Não é de hoje que existem situações de migração de pessoas de um lugar para outro. Já na antiguidade, mais por uma questão de sobrevivência, povos saíam de suas terras para buscarem melhores condições de sobrevivência para seus rebanhos e assim, para suas vidas.

Passado o tempo dos povos nômades (não fixos em um lugar), a vida sedentária não está sendo condição de vida melhor hoje para muitos em alguns lugares do mundo.

Estamos acompanhando pelos noticiários, a migração em massa de pessoas da África e do Oriente Médio rumo a Europa.

Em busca de uma melhor condição de vida material e de liberdade, arriscam suas vidas atravessando o Mar Mediterrâneo, ou correndo o risco de ficarem à deriva em campos de refugiados, sem saber seus destinos.

Dois fatores certamente são causas fundamentais deste fenômeno, ou melhor descrevendo, desta tragédia humanitária: A concentração de renda e o fundamentalismo religioso.

Se pensarmos religiosamente, não podemos pensar em um Deus que castiga as pessoas, que deseja a maldade, ou muito menos que pratica o mal. Criado por Deus, o ser humano, amado por Ele, recebeu uma das provas do seu amor incondicional, a liberdade. Contudo, respeitando a liberdade dada, Deus ainda acredita em seus filhos (as) para que, vendo as consequências de suas atitudes, possam repensar seus comportamentos e, se sensibilizando pelo sofrimento do seu próximo, avaliem e modifiquem suas ações.

Não só em grande escala, mas cada um de nós é convidado a avaliar se não vivemos uma vida de concorrência com nosso semelhante; se não buscamos cada vez mais concentrar renda para nós com base na competição.

Quantos que não favorecidos pelas necessidades básicas para uma vida digna sofrem, carecem de elementos que nós estamos acumulando ou esbanjando? Os povos africanos são vítimas sim da concentração de renda de outros países, e de políticas comerciais que vetam ou fornecem suprimentos em troca de favores.

Também o fundamentalismo religioso, a crença do monopólio da Verdade, faz com que em nome do Deus amor, autor da vida e da liberdade, vidas humanas sejam eliminadas.

Ora, a vida vale muito mais que uma interpretação religiosa, ainda mais se esta é excludente.

O fato da migração pode estar longe de nós como localização, mas nosso sentimento de indignação, deve despertar dentro de cada um a reflexão pessoal, nos levando a uma mudança de comportamento onde nós vivemos, nas nossas realidades de convivência.

Enquanto nós não somos as vítimas, é fácil esquecermos o sofrimento deles, porque nos meios de comunicação tal notícia é um “espetáculo” de momento que pode alguns dias não ser mais a pauta. Porém, a duração do sofrimento destes migrantes podem custar uma vida inteira.

Rezemos para que com estes fatos Deus nos faça despertar para a sensibilidade do sofrimento alheio. Que construamos nossas vidas juntos, sem queremos chegar primeiro e melhores ao final. Não teria o porquê. A vida de cada um possui o mesmo valor dado pelo mesmo e único Deus.

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