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Os são-mateuenses que lutaram contra os nazistas. São Mateus do Sul e a Segunda Guerra Mundial – Parte II

Na foto, os Pracinhas da FEB (Força Expedicionária Brasileira), como eram chamados os soldados brasileiros. (Acervo Museu do Expedicionário)

Governado desde 1932 pelo interventor Manoel Ribas, natural de Ponta Grossa, o Paraná dos anos 1930 e 1940 vivia o contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O solo paranaense foi colonizado por uma expressiva quantidade de imigrantes europeus. Isto, resultava em diferentes nuances em termos ideológicos na sua população, que vivia em contato com seus conterrâneos do Velho Mundo (Europa).

Um exemplo disso, foi a formação do Círculo Paranaense vinculado ao Partido Nazista Alemão, cuja atuação se deu em diversas cidades, como Curitiba, Rio Negro, Ponta Grossa e Irati. Contudo, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra, o Paraná iria adotar uma postura combativa ao nazifascismo, não só em solo próprio, mas também em solo inimigo, onde encontravam-se os soldados de Hitler. Nossos combatentes souberam que seu destino era a Europa apenas quando estavam desembarcando em solo europeu. A princípio, a participação brasileira seria no Norte da África. Chegando às proximidades de Roma, em meados de 1944, logo foram deslocados para o norte gelado da Itália, área ocupada pelos Reich alemão. A missão do exército brasileiro era expulsar os nazistas de lá, combatendo na região do Vale do Rio Pó.

Fizeram parte do exército brasileiro que lutou na Segunda Guerra Mundial, 62 homens de São Mateus do Sul. Hoje, seus nomes constam nos registros militares da FEB, no Museu do Expedicionário em Curitiba-PR. Entre eles, nenhum foi morto em combate, mas muitos ficaram feridos em confrontos diretos.

Alguns destes, condecorados com medalhas de honra, como é o caso do soldado Oswaldo Chagas, do 11º R.I, que recebeu a Cruz de Combate de 1ª Classe e o soldado Silvestre Zimini do 11º R.I, que recebeu a Cruz de Combate de 2ª Classe. Entre os feridos em ação, que receberam a medalha Sangue Brasil, constam os soldados são-mateuenses Teofilo de Freitas Padilha 1º R.I, Antonio Ribeiro Batista do 6º R.I, Francisco Riske do 6º R.I, Jorge Colaço Barros do 1º R.I, e Miceslau Mikolaiczyk do 6º R.I.

Frio congelante, território desconhecido, inimigo bem armado e treinado, e uma dura missão pela frente, foram estes os desafios desses são-mateuenses citados acima e dos 55 que estão com seus nomes estampados na praça da rodoviária de São Mateus do Sul. Na semana que vem, para encerrar este tema com chave de ouro, pretendo trazer aqui, o depoimento de alguns destes pracinhas ou de seus familiares e amigos. Se você conhece algum deles, não deixe de entrar em contato com o jornal Gazeta Informativa! E até a próxima viajem pessoal!

Acadêmica de bacharelado e licenciatura em História pela UFPR (2015), membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul (2016), e atua como monitora no Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba (2016). Mesmo sendo sua área de pesquisa a História Antiga, é apaixonada pela História Regional.

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