Máquina do Tempo

Os são-mateuenses que lutaram contra os nazistas. São Mateus do Sul e a Segunda Guerra Mundial – Parte III

Na imagem foto de Osvaldo Chagas e uma carta sua enviada a Legião Paranaense do Expedicionário; medalha e um cartoon dos estúdios Walt Disney em homenagem a FEB (acervo Museu do Expedicionário)

Em 1943, quando convocados pelo exército brasileiro para integrar a Força Expedicionária Brasileira, os soldados são-mateuenses eram transportados de trem até a capital paranaense Curitiba, e de lá seguiam viajem até a cidade do Rio de Janeiro, onde recebiam treinamento militar. O treinamento, quando longo, durava de três a quatro meses, do contrário, muitos pracinhas o recebiam em apenas um mês e aprendiam a arte da guerra nos campos de batalha. Com treinamento transmitido em inglês pelos norte americanos, dificultava-se a preparação ainda mais, pois uma boa parte dos pracinhas paranaenses era de origem humilde, produtores rurais, com baixa ou nenhuma escolaridade, que como mencionado nas colunas anteriores, também enfrentaram frios de até 20 graus negativos com roupas inadequadas e armamentos ultrapassados, para combater temidos inimigos, pois a essa altura, já era de conhecimento público a crueldade do exército nazista.

Mesmo assim, nossos soldados de São Mateus do Sul promoveram atos heroicos nos campos de batalha na Itália. Tive a oportunidade de ter acesso aos registros militares de boa parte deles através da documentação que encontra-se com a Legião Paranaense do Expedicionário, mantenedora do Museu do Expedicionário em Curitiba. Além disso, familiares dos 62 conterrâneos que foram para a guerra, compartilharam comigo a história de seus entes queridos. Na semana passada citei o soldado Osvaldo Chagas e sua condecoração com a Cruz de Combate de 1ª Classe, uma alta condecoração digna de orgulho. Osvaldo recebeu a honraria depois de participar de uma ação direta contra os nazistas, segue abaixo a transcrição de parte do relatório:

“(…) quando por ocasião do ataque a Montese, tendo o cabo chefe de peça e mais um soldado sido ferido durante o ataque, revelou-se de grande bravura pessoal, combatividade, coragem e espírito de sacrifício. Com mais dois outros camaradas, assumiu a direção de uma peça de metralhadora desenvolvendo uma ação segura sobre o inimigo e digna de admiração. Tendo sempre grande desprendimento e quase excesso de sangue frio, nessa ocasião então revelou-se excepcional, pois apesar do verdadeiro inferno de fogo que tiveram de suportar, jamais deixaram de estar entre os primeiros, mesmo com o material pesado que muita fadiga lhes proporcionava (…)”.

Me deparei também com a história do soldado Alípio Bueno, falecido em 2011, sua filha, Eloí Lima, compartilhou comigo seu depoimento e fotografias que seu pai guardava, entre elas a emblemática foto do fascista Mussolini sendo executado em praça pública na cidade de Milão, já no fim da guerra, e o soldado Teofilo de Freitas Padilha que de tão ferido teve que ser evacuado dos campos de batalha. São histórias que ultrapassam o limite dessas linhas. Por isso, encerro esta coluna com uma boa notícia, pois como membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul, me comprometo a dar continuidade nessa pesquisa e escrever muito mais a respeito num futuro próximo! Até a próxima viajem e fique de olho nas próximas edições amigo leitor, pois a cobra vai fumar!

*a cobra vai fumar: lema criado pela FEB, por conta do descrédito da população brasileira na época que dizia ser mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na Guerra! Entramos, e a cobra fumou!

Confira algumas imagens!

Jéssica Kotrik Reis Franco
Últimos posts por Jéssica Kotrik Reis Franco (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Dia Internacional da Mulher: a história
Preservar para lembrar
VOTES FOR WOMEN Made in Brazil