Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Os taxistas e a terra do xisto/erva-mate

No auge da profissão, 33 taxistas atuavam em São Mateus do Sul em seis pontos da cidade. Atualmente cerca de sete profissionais trabalham no município. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Engana-se quem pensa que táxi é apenas um meio de transporte de cidade grande. Em São Mateus do Sul ainda atuam cerca de sete taxistas, que dividem o ponto no Terminal Rodoviário Guilherme Kantor, no Centro do município. Apesar do pouco movimento nos dias de hoje, os carros bem limpos e acomodados em fila única, já foram o cenário principal de pequenos trajetos entre as vilas da cidade e longas viagens à fora. Com bom papo e uma bagagem de histórias para contar, a equipe da Gazeta Informativa conversou com os profissionais do ramo, que contaram como a profissão foi se encaminhando com o passar dos anos no município.

“Eu comecei com um fusca ano 72 e já estou há 41 anos na profissão”, afirma o são-mateuense Francisco Gawlik, de 70 anos, que mesmo aposentado ainda continua atuando na área. O taxista recorda que logo no início de sua carreira o trabalho era muito valorizado, principalmente com o auge da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), que trazia muitas pessoas de fora até a cidade, seja de passagem ou não. “Não conseguia ficar estacionado por tanta procura, pois na época não havia ônibus de linha e poucas pessoas possuíam o próprio carro”, afirma Chico, como é popularmente conhecido. O tempo das “vacas gordas” valorizava ainda mais a profissão.

A chegada das primeiras grandes indústrias, como a SIX e a Incepa, faziam com que 33 profissionais atuassem em seis pontos de táxi em São Mateus do Sul. “Houve época que eu recebia cerca de R$ 10 mil por mês. Tinha fila de pessoas para pegar táxi, era bonito de ver”, afirma Chico, que recorta que muitos jovens usavam o meio de transporte para irem até os bailes. O alto salário garantiu uma estabilidade e planejamento financeiro para o taxista, que afirma que hoje a procura pela profissão mudou muito. “Tem dias que eu não faço nenhuma ‘corrida’”, diz. Porém, nos bancos do táxi de Chico já passaram muitas histórias, desde grávidas prestes a ganhar o bebê à viagens para outros estados. “Uma vez por mês uma senhora me paga para lavá-la até o Rio Grande do Sul. Ela confia no meu trabalho”, conta o taxista.

Apesar da procura reduzida, os perigos também estão presentes na realidade da profissão. “Eu já fui assaltado três vezes. Levaram meu dinheiro, meu celular e alguns pertences pessoais”, conta Chico, que ainda testemunha que muitos amigos de profissão já foram assassinados enquanto atuavam. “Infelizmente alguns são-mateuenses não estão mais aqui para dividir o ponto com a gente”, diz.

João Maria Ferraz é taxista há 30 anos, e confirma a dificuldade enfrentada nos dias de hoje. “Cansamos de ouvir das outras pessoas que o nosso trabalho é ‘moleza’, mas muitas vezes não conseguimos fazer nenhuma viagem e saímos no prejuízo”, ressalta. Sebastião Brokel de Castro, taxista há 18 anos, conta que há algumas semanas fez uma viagem para Santa Cecília – Santa Catarina, e levou um grande prejuízo, pois o cliente não pagou a corrida. “Quando cheguei na marginal o pessoal pediu para agradecer que eu estava vivo, e me mandaram de volta para casa”, testemunha.

A maioria dos profissionais são aposentados na área, mas o taxista Zeney Brokel, que atua há 10 anos, tira todo seu sustento das corridas de táxi. “Somos autônomos e por isso precisamos mostrar o nosso diferencial, trabalhando da maneira certa para agradar nossos clientes”, enfatiza. O são-mateuense ainda comenta que existe um certo preconceito do serviço de táxi em uma cidade pequena. “Esses dias fui levar uma senhora em uma casa e a família achou um absurdo ela ter pego um táxi. Expliquei como funcionava o nosso trabalho e eles compreenderam que atuamos de forma justa e digna. Ficaram até com o meu cartão depois”, afirma.

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski

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