Osmar Gasparini Terra é médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e político brasileiro, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro. Exerce o sexto mandato de deputado federal pelo Rio Grande do Sul. Em sua opinião, gripes sazonais são tão agressivas para pessoas mais idosas, com comorbidades e problemas crônicos e pulmonares, quanto o coronavírus. Número de infectados reduz quando chega em entorno da metade da população. (Foto: Divulgação)

Diferente de grande parte da mídia e num entendimento confronta medidas adotadas em todo o mundo, Osmar Terra cita números e fatos com convicção. Sua teoria é de que isolamento social não rebate, nem freia o contágio do novo Coronavírus (Covid-19). Para tanto elenca números, aponta comparativos e cita a experiência, em 2009, no combate à gripe suína. No Brasil casos dobram em meio aos bloqueios estabelecidos.

Parlamentar do Rio Grande do Sul, e médico, ele foi o secretário de Estado da Saúde gaúcho quando do avanço da H1N1 – a chamada gripe suína. Em 2009, o surto gripal registrou mais de duas mil vítimas fatais e o estado suspendeu aulas, entre outras medidas, que visavam o isolamento das pessoas de convívio social. “Não funcionou, só aumentou os casos”, explica o deputado.

Ao passo que defende que mesmo com o isolamento, países europeus ou o Brasil não teve o chamado ‘achatamento da curva de contágio’, e para tanto citando a justificativa com base num estudo britânico. O Imperial College London comandou este levantamento estatístico que previu muitas mortes e, conforme Terra, assustou a população e levou governos do mundo inteiro em determinar o isolamento.

O deputado pondera de que o poder público deve agir com muita responsabilidade diante de tudo que está acontecendo, mas fugir da ideologia pregada pela grande mídia nacional. O especialista condenou a postura da imprensa que cita tal medida como fundamental para o achatamento da curva de contágio, o que na prática não vem ocorrendo e, também, não tem base científica comprovada.

“Essa informação nos leva em achar que o mundo vai acabar amanhã. Eu tenho amigos meus que me ligam às vezes e dizem: ‘eu acho que eu não chego até maio’. Vai ser uma tragédia. É um negócio realmente preocupante”, observa ao passo que discorda dos dados e da forma de como as coisas têm sido tratadas. Sem deixar de demonstrar preocupação com idosos e grupos de risco (saúde fragilizada).

Sobre o ponto de vista médico, ele explica que pessoas com problemas de saúde, em especial crônicos, pulmonares e baixa imunidade precisam de maior proteção. Neste contexto, naturalmente, os idosos. “Estas pessoas precisam do suporte para estarem sim isoladas e evitarem qualquer tipo de contato que possa oferecer risco de contágio. Manter eles seguros e afastar as chances de serem infectadas.”

Medidas sem efeito

“O problema é que todas essas medidas que estão sendo tomadas não tem efeito nenhum sobre a epidemia”, afirma. O parlamentar entende que tudo isso só vai culminar com a quebra da economia e muitas pessoas morrendo de fome. Sem exercer qualquer influência, este isolamento, no avanço do contágio entre as pessoas. Segundo ele, só para quando atingir o pico da doença e passa a diminuir.

Osmar Terra entende que somente uma barreira natural reduz o contágio, o chamado indivíduo inume, ou seja, com formação em anticorpos naqueles que já foram contaminados com o Covid-19 e se recuperaram. A imunidade se torna um processo natural e vira barreira para novos contágios. “Todas estas medidas tomadas de isolamento não têm efeito nenhum. Não salvam uma vida a mais”, disse.

No caso de uma epidemia, sobre o prisma de ter enfrentado a H1N1 (também surtos de febre amarela e dengue), o deputado explica que para barrar vírus novos qualquer sistema de contenção é ineficiente. “Se fosse salvar uma vida a mais, ou frear o avanço, que se lixe a economia. Mas não é o caso. Não funcionam estes isolamentos. Só vai quebrar a economia e não vai resolver nada”, insiste.

Até porque, na visão médica, o infinito número de casos chamados assintomáticos é que criam imensa dificuldade de diagnóstico. “Muitas pessoas não apresentam sintoma algum, mas estão contaminando outros, sem saber.” Disso o entendimento de que fechar escolas pode potencializar a disseminação do contágio, dentro dos ambientes familiares.

Neste campo, o médico cita que entre a 4ª e a última semana de abril os números de infectados teoricamente atingem em torno da metade da população brasileira. Fato que estabiliza a curva e o contágio começa a reduzir. “Isso é um efeito natural. Sobe até o pico e, pelo número de pessoas já imunes e que haviam contraído, encontra barreiras não cresce mais e tende a cair. Independente de haver isolamento ou não”, cita.

“Quando não tem aula, e muitas vezes os pais precisam trabalhar e não se preparam para este período de suspensão do calendário, deixam o netinho, a netinha com o vovô com a vovó. Pelo fato das crianças não ficarem fechadas em casa, olhando para o teto o dia todo, brincam com outros e podem, aí sim, contrair o Coronavírus e levar para o avô ou para a avó”, observa Osmar Terra.

Disso a orientação de que, neste momento, pessoas com mais de 60 anos e que tem algum tipo de problema de saúde, seja de coração, pulmão, diabetes ou qualquer outro que deixe a saúde mais debilitada, evitem abraçar os netinhos. “Vamos esperar mais algumas semanas, a curva vai subir, logo cair e voltaremos à normalidade. Isso acontece com a maioria das doenças virais, foi assim com o H1N1”, acrescenta.

Ele, também, explicou sua teoria sobre a Itália. Taxa de tabagismo na casa de 30% da população, grande número de idosos e região muito fria. “Anualmente morrem muitas pessoas na região da Lombardia e Vila Romana de gripe sazonal, por conta destes fatores.” Também a proximidade comercial com Wuhan (onde surge o vírus na China). “Milão é capital da moda e tem vôos diários para esta região”, acrescenta.

Curvas e casos no mundo

Osmar Terra defende, com estas evidências, que o estudo do Imperial College London criou a instabilidade mundial. Os dados citam uma curva exponencial que vai subindo gradativamente o número de pessoas infectadas, também, infelizmente, o número de mortos. Após a entrevista concedida na semana passada, no início desta semana, o médico mostrou estes panoramas por meio de gráficos.

Nossa reportagem fez o levantamento das informações, fechadas semanalmente para analisar este entendimento exposto. E aponta alguns comparativos desta curva com base em divulgação feita pelo jornal espanhol El Pais – Johns Hopkins – (disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2020/03/12/ciencia/1584026924_318538.html) – (CSSE. EL PAÍS). Estas informações permitem alguns comparativos.

A Espanha iniciou o isolamento social na semana do dia 17/03 quando registrava 11.748 casos. Uma semana depois do bloqueio os casos saltaram para 39.885, 14 dias depois para 95.923 e, dia 05/04 atingiram 131.646 infectados. A Itália iniciou o isolamento dia 10/03, com 10.149 casos. Dia 17/03 eram 31.506, duas depois 69.176, três semanas após o isolamento atingi 105.792 contaminados e, 05/04, 128.948.

A Alemanha determinou suspensão das aulas e isolamento dia 09/03. Uma semana depois registrava 9.257 casos, após 15 dias 32.986 e 31/03 atingi 71.808. A estatística fecha em 05/04 com 100.123 infectados. Por sua vez, a França se isola dia 17/03 com 7.699 registros, uma semana depois os números saltam para 22.656, duas 52.699 e dia 05/04 atinge 93.623 casos.

Donald Trump sugeriu isolamento voluntário dia 17/03, com os Estados Unidos da América registravam 6.421 casos. Mesmo endurecendo medidas, a curva avançou: dia 24/03 subiu para 53.736, dia 30/03 chegou a 161 mil e em 05/04 superou 330 mil. Criticada, até então, a Suécia não impôs quarentena neste período. Em 17/03 registrava 1.190 casos, dia 22/03 1.934, dia 30 atinge 4.028 e 05/04 chega ao número de 6.830.

Este mesmo mapa, também, retrata o Brasil, já em isolamento social na terceira semana. Com base nestes dados, divulgados pelo El Pais, não se evidencia o esperado achatamento da curva relativa ao contágio do Coronavírus. O país iniciou o bloqueio e fechamento de grande parte do comércio dia 23/03. Um dia depois registra 2.247 casos, dia 31/03 os números sobem para 5.717 e dia 05/04 chega 11.130 mil.

Os comparativos, com base nestes dados, não diferenciam países que imprimiram restrições e quarentena, caso da Espanha, Itália, França, Alemanha e Estados Unidos. Estes viram casos dobrarem ou até triplicarem de uma semana a outra. No Brasil, mesmo com regras de isolamento impostas há quase três semanas, praticamente, casos dobram semanalmente.

Ao passo que a Suécia, sem isolamento social até o início desta semana, também dobrou nas duas primeiras semanas e cresceu menos de 70% na terceira. Todos estes dados, como descrito, tem amplo embasamento de estudos e simulações em gráficos a partir de informações oficiais. Há ainda, o indicativo de que, testes em massa, podem multiplicar as estatísticas brasileiras. Em especial pelos casos assintomáticos.

Sidnei Muran

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