Musicista, crítico literário, contista, poeta e jornalista, nasceu na Fazenda Rosas, município de São Mateus do Sul em 1917 e faleceu em São José dos Pinhais em 1990. Como jornalista, colaborou em vários jornais e revistas do Brasil e de outros países. Como poeta, foi detentor de inúmeras premiações, tendo pertencido a várias entidades literárias, dentre elas a Academia de Letras José de Alencar, Sala do Poeta e Centro de Letras do Paraná. Este poema foi escrito em 1935, em São Mateus do Sul.

IGUAÇU

Desces, léguas e léguas marulhando
e os margedos floridos alagando,
rio soberbo e nobre desta terra,
que, atravessando mil regiões incultas,
fartas riquezas em teu seio ocultas,
no estuário azul que entre as campinas erra!

Rio Iguaçu, tranquilo e marulhoso,
Fertilizas as terras marginais,
deslizando- potente, caudaloso,-
Entre a verdura imensa dos ervais.
És um rei, certamente, poderoso,
Em cujo leito há jóias sem rivais:
As mais raras, fulgentes pedrarias,
Entre as vagas revoltas e bravias.

as árvores te prestam reverência
à tua superfície se inclinando,
de teus margedos, tendo a florescência
das copadas, nas águas se mirando.
És perfumado por divina essência
E em tua superfície-espelho brando-
Vejo o perfil dos altos pinheirais
Esguios, majestosos, colossais!

É por isso que, às vezes, eu me fico
A fitar-te, horas longas, meditando…
E, ao ver-te, ó rio de beleza rico,
Contemplo as formas que a água vai tomando.

Então, diante de ti, me certifico
de que és um rei bondoso e venerando
e em triunfo passas, límpido sorrindo
mil belezas agrestes refletindo!

Nota: Poema transcrito como consta na publicação de 1995.

Referência: Nascimento, Oswaldo. Seleção Poética-Obra póstuma. Organização STOCCHERO, Harley Clóvis STOCCHERO. Curitiba, Paraná, 1995. p.42

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