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Padre Sidnei José Reitz: sinônimo de fé, carisma e humildade

“Desde pequeno senti o chamado de Deus em minha vida e tentei atender aquilo que Deus estava propondo”, diz. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Nascido na cidade de Rebouças e filho de humildes agricultores, Sidnei José Reitz, popularmente conhecido como padre Sidnei, recém completou 14 anos de ordenação sacerdotal e vem cativando cada dia mais as pessoas das comunidades aos arredores da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Vila Prohmann.

Vindo de família humilde e tendo como berço, um ambiente familiar religioso baseado em fé e participação assídua na vida religiosa, Sidnei que tem mais quatro irmãos, sendo Eliane que é religiosa, Claudinei e Claudemir, já casados e a caçula Josiane que reside com seus pais.

Sidnei iniciou sua trajetória como coroinha em sua comunidade, inspirado e cativado pelo então pároco padre José Schipanski, o qual relata que valorizava muito os jovens voluntários da igreja. “A gente sempre estava perto do altar. Deus se utilizou disso para me fazer criar carinho por estar na igreja, momento o qual comecei a pensar em ser padre, aos 6 anos de idade”.

Hoje aos 38 anos, padre Sidnei se emociona ao relembrar sua trajetória de formação cidadã e religiosa, sempre apoiado pela família e pela comunidade.

Aos 11 anos, o jovem reboucense já frequentava retiros vocacionais com Dom Walter, hoje bispo emérito da Diocese de União da Vitória, “Dom Walter possui o carisma do cuidado com as vocações e foi uma pessoa que me ajudou muito”, reitera. Aos 14 anos, aquele sorridente e promissor adolescente entrou no seminário em União da Vitória, “quando me fizeram a pergunta: ‘você quer entrar no seminário ou não?’, e com medo, disse que sim. Depois me arrependi e não tive como voltar atrás”, brinca.

A partir daí foram anos de preparação, crescendo e agregando em várias dimensões. Mas nem tudo pode ser considerado as “mil maravilhas”, “passei por dificuldades – meu pai ficou doente e eu como filho homem mais velho sofri demais. Meu pai, agricultor que tira do trabalho, no dia a dia, seu sustento, precisava de mim e eu tinha de estar no seminário, e em alguns questionamentos, eu pensava: será que é justo ir e deixar meu pai, foi um período complicado”, relata.

Hoje em dia, a cada cem seminaristas que entram para a preparação sacerdotal, cerca de no máximo 10% deste total concluem a formação. Este fato foi um dos mais marcantes para Sidnei que viu vários dos seus amigos, ao longo dos anos deixando o seminário, “amigos deixando o seminário e eu me perguntava – será que devo continuar?”, conta. O tempo passou e sempre confiando em Deus e tendo o total apoio da família, “amadureci e o amor à proposta de Deus cresceu”, afirma. Em 10 de agosto de 2002, Sidnei foi ordenado diácono e em 28 de junho de 2003, ordenado padre. “Deus confiou em mim e me deu a graça para cumprir aquilo que ele me deu como missão”, completa.

Em 2003, ainda como diácono, iniciou suas atividades no seminário em União da Vitória, onde atuou como membro da equipe de formação, sua responsabilidade era ser o mestre de disciplina: função a qual o fazia estar junto dos seminaristas e ajudá-los a seguir nos caminhos de Deus ao longo de 12 anos.

Ainda no seminário, o padre estudou e formou-se em pedagogia, entre os anos de 2007 e 2011 e tão logo formado cursou seu mestrado em Teologia Dogmática em São Paulo – estudando Eclesiologia, ou seja, os estudos sobre a igreja. Entre 2014 e 2015 assumiu o cargo de reitor do seminário.

Já em 2015, com a chegada de Dom Agenor à diocese, padre Sidnei ficou à disposição do bispo diaconal para assumir uma paróquia, “essa era minha vontade”, comenta o então reitor à Dom Agenor que tão breve o convidou a assumir a Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em São Mateus do Sul – “desde pequeno senti o chamado de Deus em minha vida e tentei atender aquilo que Deus estava propondo”, assim em 06 de fevereiro de 2016 assume a paróquia de São Mateus do Sul.

“A experiência desse um ano e meio, agradeço a Deus. Adoro estar aqui, adoro esse povo”, enaltece o pároco. “Hoje eu amo mais ainda ser padre, a paróquia me concedeu isso. Aqui convivo com o povo, participo da vida das pessoas, das famílias e tento dar respostas para aquilo que o povo necessita”, relata emocionado.

Uma pessoa simples que gosta de rir muito e dono de uma prosa acolhedora e carismática, Sidnei Reitz, hoje pároco em São Mateus do Sul enaltece que tudo que aconteceu e está acontecendo contigo e com a igreja da comunidade é uma obra de Deus e através de sua simplicidade acolheu e acolhe a todos os filhos de Deus que vão a sua casa para ouvir o representante do pai entre os homens. Seu sonho baseia-se em cumprir sua missão como presbítero até o fim e “servir as pessoas até o final da minha vida”.

“Meu sonho é a consequência de ver as pessoas bem! Essa será a minha realização como padre, pois não vivo para mim, vivo para o povo. Meu serviço prestado em nome de Deus serve para fazer as pessoas sentirem-se mais próximas a Deus!”

Gente como a gente

O que poucos fiéis sabem, é que o padre é um torcedor dedicado do Santos Futebol Clube. E essa ligação futebolística vai muito além de assistir um jogo pela televisão. Padre Sidnei é meio-campista do receptivo time “Os Velhinhos do CEPE”, e nas horas vagas, também faz parte da equipe do “Reumatismo Futebol Clube”, nos quais, ele mostra sua total habilidade dentro do campo.

Apreciador de uma boa música sertaneja, admira a dupla Chitãozinho & Xororó. Sua simplicidade não se resume apenas nisso, mas na sua vivência pessoal. Instigado sobre o que gosta de fazer nas horas vagas, ajudar em afazeres na agricultura surge de primeira em sua mente. Em tempos de férias, auxiliar a família em trabalhos de lavoura, faz com que a sua integridade se torne ainda mais apreciada.

Fã de macarrão com carne moída, padre Sidnei é um homem que tem como lema, uma vida pensada no bem comum na vivência religiosa e fraternal. Não é um homem que possui ambições pessoais, mas um homem que pensa e presa o carinho comunitário.

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