Em reportagem especial de Dia dos Pais, vamos relembrar a história de Jéssica Cordeiro e Diogo Ferreira Przyvitowski, pais da Martina. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Há menos de um ano Diogo Ferreira Przyvitowski não imaginava que a paternidade chegaria tão depressa. Pai da pequena Martina, ele junto de Jéssica Cordeiro (em memória) descobriram o verdadeiro significado do amor puro, regado à luta e da descoberta de uma força sem igual.

O cuidado

Diogo e Jéssica se conheceram há seis anos, e em todo esse tempo um colaborou com o crescimento pessoal do outro. “A Jéssica me ajudou a ser quem eu sou hoje, e serei eternamente grato à isso”, afirma Diogo. Diagnosticada na pré-adolescência com cardiopatia e hipertensão pulmonar, desde muito cedo Jéssica precisou enfrentar tratamentos médicos para manter a qualidade de vida. “Quem a conhecia via a determinação que ela irradiava. Jéssica não deixava se abalar e era sempre motivada à lutar por seus objetivos”, aponta Diogo.

Em novembro de 2018 o casal recebeu a confirmação de que Jéssica estaria grávida. Com o coração pulsando ainda mais forte, eles sabiam que a luta só estava começando. Por conta dos problemas de saúde, a equipe médica alertou que Jéssica e o bebê correriam risco de vida, dando à ela a opção de aborto. “Sempre apoiei a Jéssica em todas as decisões, e com esse diagnóstico não seria diferente. Ela quis lutar por ela e pelo bebê, e eu estava do seu lado.”

Com a preparação da chegada do bebê, Jéssica compartilhava todos os momentos de felicidade do casal nas redes sociais, desde o teste de gravidez positivo ao chá de revelação. “Não sei porquê, mas sentíamos que o bebê seria um menino e foi uma surpresa muito grande quando descobrimos que a Martina estava chegando”, relembra Diogo. Ele conta que se fosse menino ele seria responsável pelo nome, mas se fosse menina, era Jéssica quem escolheria.

O amor

Martina significa “pequena guerreira”, nome que também demonstra uma das virtudes de Jéssica. “Fazíamos acompanhamento médico semanalmente para ver como o bebê estava se desenvolvendo”, diz Diogo. A família contava com o apoio da equipe do Hospital das Clínicas em Curitiba, que dava atendimento especializado para Jéssica e Martina.

No dia 17 de abril de 2019, a pequena Martina chegou ao mundo com a colaboração de mais de 15 profissionais na sala de cirurgia. A comemoração de toda a equipe médica foi unânime após o parto, pois Martina e Jéssica venceram juntas essa importante luta.

(Acervo Pessoal)

Por complicações no quadro de saúde, seis dias após o nascimento de Martina, Jéssica veio à falecer, ciente de que o seu papel de mãe foi cumprido com maestria. “Ela amou a Martina tanto quanto eu, e tenho certeza de que onde ela estiver, sempre estará do nosso lado”, afirma Diogo.

O amor de pai

A história de Diogo, Jéssica e Martina gerou repercussão nacional pela linda demonstração de entrega de uma mãe com a filha. Agora, o amor de pai é fortalecido todos os dias após o nascimento da pequenina, que media 33 centímetros. “Me sinto muito bem com as mensagens de carinho que recebo dos amigos e da família, e também daqueles que conheceram a nossa história.”

Diogo conta que pegou a Martina no colo 11 dias após o nascimento, sentindo e conhecendo o verdadeiro amor de sua vida. A rotina na UTI Neonatal – local especializado no atendimento à bebês prematuros –, fez com que o pai aprendesse tudo que era necessário para os cuidados com a filha. “Cada dia que passava era uma vitória diferente. Antes da Martina nascer eu tinha medo de pegar um bebê no colo, e lá na UTI Neonatal pude conhecer uma força que não imaginaria que existisse”, relembra.

Foram 90 dias diários de visitas na UTI para acompanhar o desenvolvimento da Martina, que estava sendo positivo à cada minuto. “Lá eles chamavam ela de ‘dinossaurinha’”, conta Diogo, que agradece todo o incentivo dos profissionais que atuaram para o bem-estar da Martina durante todo o seu tempo no hospital. O pai trocava a frauda, via a temperatura e controlava a troca dos sensores da pequena Martina, que crescia forte dia a dia.

De acordo com a legislação, por conta do falecimento de Jéssica, Diogo teve o direito de pegar o tempo de licença paternidade equivalente à licença maternidade, para cuidar especialmente da filha.

Martina ganhou alta após três meses de acompanhamentos diários na UTI, e realiza consultas frequentes com especialistas que verificam como está sua saúde e crescimento. Morando com o pai e contando com a ajuda dos avós e tios, a pequenina é amada e admirada por todos que conhecem a sua história.

Em casa Diogo prepara as mamadeiras, o banho e cuida da Martina com o amor de pai que foi motivado pelo cuidado que seu pai também teve com ele e os irmãos. “Meu pai me inspira e sou grato pela força que ele me deu em todo esse tempo da rotina que eu passava no hospital!”

O reconhecimento

No Dia dos Pais, que foi comemorado no domingo, 11 de agosto, queremos deixar registrado nas páginas da Gazeta Informativa a história dessa família que serve de inspiração para as tantas famílias que existem.

Queremos que no futuro a Martina leia esses registros com orgulho de sua trajetória de vida, guiada pela sua mãe Jéssica e motivada pelo seu pai Diogo, que não mede esforços para lhe repassar todo o conforto e amor necessário para sua vida. Desejamos muitos momentos de alegria para a família que sempre contará com um anjo protetor. Um feliz Dia dos Pais para Diogo e todos os papais leitores do GI!

CHARGE

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski

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