Pandemia ampliou muito o comércio online. (Imagens Ilustrativas)

Uma pesquisa realizada em conjunto pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) constatou que com a chegada da pandemia, a orientação para que as pessoas permaneçam em casa, a situação econômica que adveio disso culminando com o fechamento de muitas lojas e a consequente tentativa de reduzir o contágio do Covid-19, as compras online cresceram e apresentam um panorama dessa nova realidade.

A pesquisa revela que nos últimos 12 meses cerca de 91% dos internautas no Brasil realizou alguma compra online, um crescimento de 5 pontos em relação a 2019. O celular foi o dispositivo mais utilizado para acesso a internet e as mulheres foram as que mais se utilizaram desse dispositivo, sendo cerca de 90% dos casos de acesso delas foi pelo smartphone. Quem mais se utilizou das redes sociais para adquirir produtos está na faixa de 18 a 34 anos, sendo 93% dos compradores, evidenciando que os mais jovens já tinham esse hábito e aumentaram nesse momento de pandemia. Com o avanço da tecnologia dos smartphones, os computadores de mesa perderam espaço nas compras online e hoje representam apenas 28% dos meios utilizados para essa finalidade, demonstrando também que se utilizam menos os ambientes corporativos para as compras.

Há alguns anos, o varejo no Brasil vinha se preparando para essa nova realidade de compras, principalmente as grandes redes, o médio e pequeno comércio também estava experimentando essa tendência, se adaptando e se equipando, aprendendo sobre o assunto, mas a pandemia provocou uma revolução no consumo e a adaptação passou a ser uma questão de sobrevivência em muitos casos. Ainda não se têm estatísticas, mas as grandes redes já vinham investindo em sites e passaram a investir mais em aplicativos e plataformas de vendas, o mesmo que as médias empresas, enquanto o pequeno varejo investiu nas redes sociais.

A maior parte das compras online são realizadas pelos smartphones.

Crescimento do comércio online fez crescer os serviços de entregas.

Outro setor que acabou se destacando muito com o crescimento do comércio online, foi o setor de logística de entregas. Sem as condições dos produtos chegarem com rapidez, economia e segurança aos consumidores, as vendas online não conseguiriam ter o crescimento que experimentaram. As grandes redes investiram também em sistemas seguros de entregas de produtos, criando canais próprios além de utilizar os tradicionais serviços dos Correios, isso fez com que as transportadoras conseguissem substituir suas linhas de entregas que estavam passando por dificuldades com a freada da economia, e passaram a atender a logística de entrega. Antes trabalhando com volumes grandes e passaram a trabalhar com grande movimento, mas agora de pequenos volumes, o que também fez com que fossem obrigados a investir em tecnologia para evitar perdas ou extravios, além de criarem redes de entregas que chegassem a locais mais distantes com baixos custos.

As pequenas redes e os comércios locais passaram a utilizar e fazer crescer muito o sistema delivery para entrega de seus produtos, tanto que as fábricas de motos que tinham perdido muito terreno para os carros devido aos financiamentos facilitados que existiam, voltaram a ter uma grande demanda para suprir esse mercado que a pandemia fez crescer. Atualmente, os serviços de entregas por meio de motos ganhou corpo e não foi apenas os produtos das lojas, pois com a situação de se evitar aglomerações e fechamento ou restrições de funcionamentos de restaurantes e bares, muitos sobreviveram com os serviços de entregas, que também ganharam seus vários aplicativos, cada um formando sua equipe de entregas ou permitindo em determinadas cidades que um entregador possa trabalhar para mais de um aplicativo. O serviço de alimentação via delivery cresceu até 55% em relação a 2019 e é uma tendência que veio para ficar, pois pesquisas demonstram que essa mudança de hábito acabou caindo no gosto das pessoas, pois muitos viram que continuaram com os mesmos hábitos, mas com mais economia ao não necessitar da saída, o que implica em outros gastos além da refeição e bebidas, como gasolina, estacionamento, guarda do veículo, risco de furto do automóvel, etc.

Outro hábito que a pesquisa apontou foi o crescimento nas compras online em supermercados, pois o serviço delivery facilitou as entregas e os supermercados, principalmente nos grandes centros, investiram para esse fim e acertaram. Outro crescimento que ocorreu pela internet foi dos cursos online, pois com mais tempo em casa devido a pandemia, muitos se voltaram para se especializar e com essa procura, aliado à concorrência existente, os valores diminuíram. Com a tendência de terem mais tempo livres em casa e as reduções das tradicionais formas de lazer, como teatro, cinema, shows, parques e restaurantes, além dos cursos online, outro crescimento verificou nos chamados “serviços streaming” de música e de filmes, tanto que quem reinava tranquilo era a Netflix e hoje tem muita concorrência com outras plataformas.

Os grandes sites ainda dominam amplamente o mercado de vendas, mas há o crescimento dos pequenos também por conta da diversificação dos canais de compras, o que possibilita a redução dos custos. Apesar da variação existente nos valores do dólar, os sites internacionais de vendas também tiveram maior crescimento em suas vendas, com o incremento que ocorreu nos sistemas de distribuição e logística, pois antes produtos que levavam meses para chegar e às vezes nem chegavam, agora podem chegar em questão de dias, demorando mais nos serviços alfandegários do que de transporte.

Esses são os produtos campeões, mais adquiridos via online: os eletrônicos e informática (50%), eletrodomésticos (50%), livros (43%), artigos para casa e decoração (41%), moda e vestuário (40%) e produtos de beleza, cosméticos e perfumes (39%). Os alimentos em sua maioria são via aplicativo. As grandes redes investiram na distribuição para concorrer com os varejos locais, possibilitando que os valores dos fretes não influenciassem no valor final dos produtos, a ponto de em determinados itens o frete ser grátis. Isso demonstra como a pandemia mexeu com as engrenagens do comércio de maneira geral, obrigando as empresas a investirem mais em logística do que em estoques para se manterem vivas no mercado.

Outro dado apresentado nessa ampla pesquisa foi o crescimento do uso do cartão de crédito para as compras, visto que na grande maioria dos casos apenas ele permitia o parcelamento. Mas também, se por um lado cresceu o uso do cartão, houve uma redução nos valores dos produtos adquiridos, o que à primeira vista poderia parecer uma redução dos gastos, os números demonstram mais consciência na hora de comprar, evitando a tentação de ultrapassar os limites e aumentar as dívidas. O cartão de crédito aparece em primeiro nas compras online, os boletos em segundo, o cartão de débito em terceiro e quase na mesma proporção a novidade do PIX. Para aqueles que preferem as compras à vista, o PIX caiu no gosto, para as empresas essa modalidade de compra também é duplamente vantajosa, assim como o débito, pois pagam menores taxas e evita-se as compras canceladas ao não serem pagos os boletos emitidos.

A pesquisa também demonstrou que os brasileiros se sentem seguros ao realizarem suas compras pela internet, sendo que o nível de satisfação demonstrado foi de 0 a 10, tendo a nota 8. Acompanhando esse número, as explicações de que os internautas compram em canais conhecidos ou indicados por pessoas conhecidas, além de verificação de depoimentos e avaliações de outros clientes e também da descrição dos produtos nas fichas técnicas, evitando dúvidas.

Essa é a nova realidade que o comércio de varejo está enfrentando, que já era uma tendência que muitos esperavam, mas que a pandemia fez com que simplesmente de uma hora para outra todos tivessem que se adaptar, mas de maneira consistente, pois é uma situação que veio para ficar.

Pesquisa realizada pela Offer Wise Pesquisas, para a CNDL e SPC. A coleta foi realizada entre os dias 30 de março e 07 de abril de 2021.

Por Hugo Lopes Júnior com apoio da CDL de São Mateus do Sul

Hugo Lopes Júnior
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