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Paralisação dos caminhoneiros encerra em São Mateus do Sul após 9 dias de bloqueio

Uma hora após o encerramento da paralisação, os postos de combustíveis foram liberados para o abastecimento dos veículos. Todos os postos contaram com grandes filas para abastecimento. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Iniciada em São Mateus do Sul no dia 22 de maio, a paralisação da classe trabalhadora dos caminhoneiros teve como principal ponto de concentração um dos trevos de acesso à cidade próximo ao posto Triângulo. A manifestação reuniu cerca de 120 profissionais de todo o país cadastrados pelos organizadores.

A pauta defendida pelos caminhoneiros se baseou em demandas provenientes de sua atuação diária em todo o território nacional, defendendo, segundo os motoristas, os interesses de toda a sociedade.

As principais reivindicações eram: a diminuição do valor cobrado nas bombas de combustíveis, principalmente o diesel; revisão das tabelas de capitais de fretes em todo o país; redução do valor dos pedágios e a conscientização da comunidade sobre a importância da atuação destes profissionais.

Ao longo dos 9 dias, centenas de munícipes e classes da representatividade empresarial, cultural e trabalhadora apoiaram o movimento. Juntos, promoveram várias ações nas ruas da cidade, indo além do bloqueio que impediu veículos pesados de seguirem viagem, salvo aqueles que transportavam equipamentos e mantimentos de saúde, ambulâncias e afins.

Reginaldo Macuco, um dos caminhoneiros que organizaram o protesto, enalteceu uma das principais pautas da contrariedade da classe e que afeta diretamente a todos os cidadãos. “Não dá mais para suportar essa situação. Ela não prejudica somente nós caminhoneiros, mas agricultores e todos os trabalhadores que dependem de um veículo para trabalhar.”

Ainda no decorrer dos dias que a paralisação perdurou, vários trechos da cidade foram bloqueados, como a PR-151 em dois pontos de acesso a São Mateus do Sul, na comunidade de Colônia Taquaral e Divisa, e no Posto Amigão, localizado nas proximidades do distrito de Fluviopolis, onde além da proibição de veículos de grande porte, os manifestantes conscientizavam os motoristas que passavam pelo local.

Logo no terceiro dia dos bloqueios que impediram a passagem de caminhões, a comunidade são-mateuenses começou a sentir os efeitos da paralisação com a ausência dos combustíveis nos postos e produtos de hortifrúti nos mercados locais. Em seguida, o abastecimento de gás também foi afetado.

O movimento que ganhou força diariamente com o apoio de mais e mais pessoas, chegou ao fim por volta de 12h da quarta-feira, dia 30 de maio. Após a segunda proposta elencada aos profissionais pelo Governo Federal, a greve chegou ao fim mesmo contrariada pela maioria, mas desencadeada pela aceitação em todo o Brasil.

Em São Mateus do Sul o desfecho teve a intercessão do Capitão da 3ª Cia da Polícia Militar, Ederson Pinheiro Crevelin, do Delegado Chefe da 3ª Subdivisão Policial, Jonas Eduardo Peixoto do Amaral, do Promotor de Justiça do município, Thimotie Aragon Heemann e por representante da Polícia Rodoviária Federal, que solicitaram aos caminhoneiros que organizaram o movimento, que pusessem um fim ao bloqueio e permitissem que os caminhões trafegassem.

Reivindicações atendidas

Dentre as reinvindicações oriundas das manifestações dos profissionais caminhoneiros, o Governo Federal lançou como proposta e de sua integral responsabilidade algumas determinações, que segundo os caminhoneiros, não agrada aos profissionais autônomos e não viabiliza um acordo positivo de forma mútua para ambas as partes.

O Governo propôs a redução, até 31 de dezembro do corrente ano, de R$ 0,46 no preço do diesel e seu congelamento por 60 dias. Após esse período, os reajustes no valor acontecerão a cada 30 dias, o que permitirá certa previsibilidade do transportador para cobrança do valor do frete.

Também foi proposto a extinção da cobrança de pedágio por eixo suspenso em rodovias federais, estaduais e municipais. Ou seja, o caminhão descarregado fica isento de pagar por aqueles eixos (pneus) que não estão rodando devido à ausência de carga.

Outras propostas elencadas, foram a criação de uma tabela mínima para o pagamento de fretes e a determinação para que 30% dos fretes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), sejam feitos por caminhoneiros autônomos, o que segundo Macuco, não colaborará em nada com os caminhoneiros que convivem diariamente no trecho.

Mesmo após o término dos bloqueios e a quase normalidade no tráfego dos caminhões pelas rodovias, a comunidade ainda demorou alguns dias para ter a retomada do abastecimento. Os combustíveis tiveram alta logo após o desfecho da paralisação, e as compras de hortifrútis nos mercados locais sofreram com a excessiva procura e baixa oferta.

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