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Paraná é o estado que mais realiza doação de órgãos para transplante no Brasil

Na imagem, Maria da Luz Ferraz da Silveira com seus filhos e esposo. Na parte de cima, da esquerda para direita: Lucimara Ferraz da Silveira, Gilmario Ferraz da Silveira e Juliane Ferraz da Silveira. Na parte de baixo, da esquerda para direita: Maria da Luz Ferraz da Silveira e Paulino da Silveira. (Foto: Acervo Pessoal)

O Paraná alcançou o primeiro lugar em doação de órgãos para transplantes no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o índice de doações no Paraná contabiliza 44,2% por milhão de população, entre janeiro e março de 2018. Em segundo lugar está Santa Catarina (33,7%) e o Ceará (29,7%).

Para marcar essa data, no dia 7 de junho, no Palácio do Iguaçu, a governadora Cida Borghetti destacou a ocasião como um momento de união, doação e continuidade. O evento reuniu em torno de 150 pessoas, entre membros da Secretaria de Estado da Saúde, técnicos e colaboradores da Central Estadual de Transplantes, membros das Comissões Intra-Hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplantes, profissionais dos hospitais notificantes, médicos de centros transplantadores e familiares dos doadores.

Desde o início de 2018, o Paraná já realizou 405 notificações de morte encefálica, sendo 125 doações efetivadas. Em 2017, no mesmo período, foram 261 notificações e 81 doações efetivas. Houve aumento de 54%. Se comparado aos primeiros meses de 2010, quando houve 22 doações efetivas no Paraná, o aumento é ainda maior e chega aos 468%.

Maria da Luz Ferraz da Silveira faleceu em fevereiro de 2018, e sua família autorizou a liberação para a doação de seus órgãos. Maria foi uma das homenageadas na cerimônia realizada no Palácio do Iguaçu que destacou o Paraná como o estado que mais realiza doação de órgãos para transplante no país. (Foto: Acervo Pessoal)

São Mateus do Sul também esteve representado nesse momento importante para todo o Estado. Gilmario Ferraz da Silveira, filho de Maria da Luz Ferraz da Silveira, representou toda a família na ocasião, que certificou e homenageou os familiares das pessoas doadoras de órgãos para transplantes. “O que conforta a nossa família é saber que a nossa mãe ainda continua viva, pois contribuiu para a continuidade da vida de muitas pessoas”, afirmam os filhos.

Maria da Luz faleceu em fevereiro desse ano, com 62 anos de idade, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), constatando dessa maneira sua morte encefálica. Natural de São Mateus do Sul, o amor ao próximo e o carisma eram sempre expressados por ela. “Minha mãe era uma pessoa meiga, com um coração enorme. Com certeza sua passagem nessa terra deixou um belíssimo legado para todos os familiares que conviviam com ela”, afirma a filha Juliane Ferraz da Silveira.

Após o falecimento, os familiares foram informados pela equipe do hospital de que Maria havia expressado sua vontade de se tornar doadora através de uma consulta de rotina realizada em um tratamento que ela havia feito anteriormente no hospital, constatando um registro em seu prontuário médico. “Ela nunca havia comentado com a gente dessa sua vontade. Nós respeitamos e ficamos orgulhosos dessa linda atitude de nossa mãe, que com certeza servirá de exemplo para muita gente”, dizem os filhos.

Nesse contexto é sempre importante comunicar os familiares da sua vontade de doar os órgãos, para que dessa maneira, mais pessoas sejam beneficiadas por essa atitude. Isso aconteceu com Gerson Santana Polinski, são-mateuense que há 14 anos passou por um transplante de córneas.

Gerson Santana Polinski passou por um transplante de córneas hás 14 anos e garante que a conscientização da família de seu doador possibilitou que ele e outras pessoas continuassem vivendo com saúde. (Foto: Acervo Pessoal)

Diagnosticado com herpes ocular, a única solução apresentada pelo especialista era um transplante. “Com isso entrei na fila de transplantes e em menos de um ano, com uma mistura de ansiedade e angústia, o telefone tocou informando que eu teria que estar às 7h da manhã do dia seguinte no hospital pois eu tinha conseguido uma doação”, conta.

O transplante ocorreu tudo bem, e Gerson afirma ser grato pela família que autorizou a doação. “Eles deram mais oportunidades para que outros como eu, vivessem com saúde”, diz.

Relacionando o amor ao próximo pela doação de órgãos, a equipe da Gazeta Informativa entrou em contato com a Central Estadual de Transplantes do Paraná, que comunicou que a única maneira eficaz para se tornar um doador é avisando a família de sua vontade, pois eles serão os responsáveis pela liberação legal do procedimento. “É sempre importante pensar que as nossas chances de precisar de um órgão são muito maiores do que de poder doar”, conscientiza Luana Cristina Heberle dos Santos, Enfermeira Coordenadora da Educação Permanente do Sistema Estadual de Transplantes.

A enfermeira também destaca a importância do trabalho realizado pela Coordenadora do Sistema Estadual de Transplante, Doutora Arlene Terezinha Cagol Garcia Badoch, responsável pela excelente gestão que possibilitou esse título de primeiro lugar para o Paraná.

Na casa da família de Maria da Luz, as fotografias e o amor é expressado em imagens guardadas com todo carinho.

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