Nesta semana um ciclo se fecha, um novo se inicia. É tudo muito simbólico, mas não deixa de ser importante na renovação da esperança por dias melhores.

Há mais de três milênios, os judeus escolheram um período para sua festa em homenagem ao seu Deus, a Pessach (passagem), termo que deu origem a Páscoa do Cristianismo. A festa lembra a fuga do povo judeu do Egito, a Festa da Libertação, relatada nos textos bíblicos, ideia aceita por judeus e cristãos.

No cristianismo, esta é a data maior. Neste período se relembra os fatos da morte e ressurreição de Jesus. Os eventos narrados no Novo Testamento coincidem com o período da festa judaica. Na quinta-feira, na última ceia, Jesus se reuniu com os apóstolos numa tradicional reunião judaica para lhes relatar os fatos que aconteceriam nos dias seguintes e definir os rumos da nova Igreja que se estabelecia.

A coincidência da morte e ressureição de Jesus, um jovem judeu e figura base do cristianismo, com a comemoração maior do judaísmo fortaleceu ainda mais a sua mensagem. Ajudou povos a se irmanarem na fé, na transmissão da mensagem de bondade, humildade, perseverança e amor. Algo que temos perdido nos últimos tempos.

Sempre fui curioso em entender como é determinada a data em que se comemoram os eventos da Páscoa. Há vários calendários usados para a comemoração da Pessach pelos judeus e da Páscoa pelos cristãos das diversas correntes do cristianismo. São calendários solares, lunares e religiosos.

Para os católicos ocidentais, a forma de se estabelecer a data surgiu em 325 d.C., no Concílio de Niceia. Então, o Domingo de Páscoa passou a ser comemorado no primeiro domingo após a lua cheia que ocorre depois do equinócio de primavera no Hemisfério Norte, equinócio de outono no Hemisfério Sul.

Neste ano de 2021, o equinócio de outono, início da nova estação, ocorreu no dia 20 de março e a lua cheia no último dia 28. Portanto, o primeiro domingo após a lua cheia ocorre no dia 04 de abril.

Vejam, que para a maioria dos povos da antiguidade, o período é coincidente com a chegada da primavera no Hemisfério Norte, mais uma passagem, o início de um novo ciclo, onde tudo se renova após o término do inverno. As folhas voltam, as flores surgem para um novo ciclo reprodutivo, os animais acasalam. Muitos dos símbolos da Páscoa, dizem estar associados a esta fertilidade como os ovos e o próprio Coelho da Páscoa. As pessankas, tradição milenar dos povos eslavos, é exemplo da tradição transformada pelas crenças religiosas.

Então, uma coisa comum em todas as crenças, mesmo para aqueles povos que eram considerados pagãos, é a de que este período marca um momento de renovação, de reafirmar a esperança em dias melhores, com mais alegria, fraternidade e esperança. A Páscoa representa a manutenção e valorização da vida.

Sinto que, quando levávamos nossas crenças mais a sério, quando as religiões e seus seguidores pregavam mais amor fraternal, tínhamos mais respeito uns pelos outros, nem que fosse pelo medo do castigo divino. Hoje os homens não temem a Deus, não amam um Ser Maior, da mesma forma não temem as leis, não respeitam outros homens e mulheres.

A fé, a religiosidade, a espiritualidade ajudam na construção de um mundo melhor.

Nossa Páscoa, mais uma vez, ocorrerá em meio a pandemia do Coronavírus.

Quem sabe este novo ciclo não marque uma reversão na tendência de crescimento da doença e passemos a viver um período mais tranquilo, com mais vidas preservadas.

Feliz Páscoa a todos!

Adnelson Borges de Campos
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