Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Patrocínio da Petrobras ajuda na instrução de jovens produtores rurais e suas famílias

Fotos: Acervo Pessoal

Fotos: Acervo Pessoal

Ao finalizar o ensino fundamental, os adolescentes se deparam com uma encruzilhada frente à juventude: para onde vou e que profissão irei seguir? Muitas vezes esse questionamento se prolonga durante todo o ensino médio. No caso dos agricultores, seus filhos podem experimentar algo diferenciado, proporcionado pela Casa Familiar Rural (CFR) de São Mateus do Sul, que estende o sistema escolar também para o município de Antonio Olinto.

Nesse sistema, o ensino médio é associado ao técnico. Uma semana o estudante fica na escola, em regime de internato – estudando, alimentando-se e dormindo no local. Na seguinte, fica em casa com seus pais (ou familiares) aplicando, na prática, o conhecimento adquirido. Segue-se essa alternância, semana após semana, atendendo meninos e meninas.

Tal método permite a formação profissional, melhoria da estrutura produtiva familiar e abre espaço para a permanência do jovem no campo. Isso ainda evita, muitas vezes, a mudança para as cidades e a disputa por empregos, com baixos salários e condições de vida não tão boas, em comparação à permanência no campo com bagagem técnica de instrução.

Petrobras – Governo Federal & patrocínio

A Casa Familiar Rural, além de atender aos jovens, teve a preocupação em estender essa formação as famílias e, por meio do patrocínio da Petrobras, desenvolve – desde 2015 – o Projeto ‘Saberes e Sabores do Campo’. A iniciativa tem como meta capacitar em agroindústria familiar 180 agricultores familiares de São Mateus do Sul e Antonio Olinto.

No decorrer destes dois anos de execução, 60 jovens oriundos do meio rural receberam conhecimento técnico com foco na agroecologia. Isso somado à capacitação das famílias agricultoras dos dois municípios atendidos na proposta.

O projeto proporciona orientações no processamento de frutas nativas, erva mate e de alimentos da horticultura com infraestrutura para aulas teóricas e práticas, por meio do Laboratório de Agroindústria construído especificamente para as capacitações previstas.

Permanência de valores

A articulação entre a práxis e o ensino pedagógico procura explorar o processamento de frutas e hortaliças bem como o resgate da exploração de frutíferas nativas, agregando valor de mercado e tendo o enfoque na capacitação, qualificação e inovação da agricultura familiar.

Para tanto, o sistema de ensino visa estabelecer essa articulação entre aprendizado pedagógico e práticas sociais da agricultura familiar, por meio da modalidade de curso técnico em agroecologia e regaste dos valores e saberes produtivos do próprio agricultor.

“A metodologia de ensino procura transformar a propriedade em um ambiente sócio profissional, promovendo situações de aprendizagem, em que a escola se torna um instrumento que vincula o saber universal ao saber alternativo”, resume a professora Sinara Soares, coordenadora do projeto.

Sinara observa que acaba existindo uma permanência desses valores e conhecimentos nas propriedades. “Com uma produção natural no campo, que se deve fazer presente na escola, os conhecimentos das comunidades rurais precisam ser levados em consideração, constituindo ponto de partida das práticas pedagógicas”, salienta.

Famílias e jovens

Essa perspectiva diferenciada de educação fortalece e destaca a importância da agricultura familiar em meio à diversidade e promoção do conhecimento, com intuito de emergir conteúdos e debates sobre a diversificação de produtos relativos à agricultura, compreendendo o uso de recursos naturais e destacando a importância da família no processo sócio-produtivo da Agricultura Familiar.

Em fase de finalização, o projeto já propiciou 272 horas de capacitações que fizeram a diferença no contexto escolar e na proposta pedagógica da escola, transferindo essa gama de conhecimento também para as famílias e comunidades.

Desenvolvimento

As ações previstas no projeto também têm proporcionando diversidade de alimentos saudáveis, cultivados em moldes agroecológicos para a mesa, seja a mesa do agricultor familiar ou dos demais consumidores.

Outra ação de destaque, na iniciativa, foi o trabalho com espécies frutíferas, preservando esse patrimônio da biodiversidade e cultura. De acordo com o entendimento do projeto, ‘as frutas nativas apresentam forte potencial para o aproveitamento agroindustrial familiar’. Para explorar melhor esse nicho, são fundamentais as capacitações para jovens, famílias e comunidades da agricultura familiar com foco no processamento dessas frutas.

O leque de ações da CRF prevê visitas e assistência técnica, além de palestras de sensibilização ambiental. O objetivo é maximizar a utilização das árvores frutíferas nativas existentes na propriedade, de forma adequada e com manejos agroecológicos.

Relevância

A coordenadora do projeto entende que o objetivo da escola implica em transformá-la ‘num instrumento que opere a vinculação do saber universal, com o saber alternativo que vem sendo gestado nas práticas sociais’.

O papel da escola é justamente este de entender o seu sentido dentro do cenário rural, envolvendo a parte teórica com a prática. E disso estabelecendo o conhecimento, sem atropelar os saberes, as tradições e valores culturais do seu povo; gerando gera aos envolvidos, com sustentabilidade, dentro do segmento de agricultura familiar.

‘Embora estejamos no final do período de patrocínio, todas as ações desenvolvidas durante esses dois anos de projeto demonstram que o Laboratório da Agroindústria Familiar tornou-se um espaço privilegiado, com superação de suas expectativas pedagógicas. Tornou-se ainda um espaço de referência não só para os jovens, mas também para toda a comunidade, que poderá usufruir deste espaço para novas ações e capacitações, atendendo a demandas’, comenta a Gisela Bueno Lazzari, professora de Biologia da CFR.

Segundo resumem os realizadores do projeto, o apoio recebido da Petrobras, em forma de patrocínio, proporcionou condições para manter jovens (homens e mulheres) no campo, com o devido suporte técnico.

Sidnei Muran

Sidnei Muran

Jornalista (MTB 7597 DRT/PR), formado pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), pós-graduado em História e Cultura pela Unespar – campus de União da Vitória e Licenciado em História pela Unespar – campus de União da Vitória.
Sidnei Muran
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