Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Pentecostes: A Era do Espírito

No último domingo, 24, a Igreja Católica celebrou a Solenidade de Pentecostes, encerrando assim o Tempo Pascal transcorrido durante cinquenta dias desde o Domingo da Páscoa.

O Pentecoste era uma festa tradicional já no Antigo Testamento. Todo hebreu levava no Templo os primeiros frutos de sua colheita para ofertar a Deus, agradecendo pela colheita e consagrando seu trabalho.

No contexto cristão o Pentecostes recebe outro sentido. Jesus Ressuscitado quando aparece ao seus discípulos lhes comunica o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, Aquele que irá fortalecer os discípulos na fé, e que vai conduzi-los na missão que Jesus lhes confiou, anunciar o Evangelho a todos os povos, e batizar pela água e pelo Espírito aqueles que desejarem caminhar na Vida Divina.

Nas palavras do Padre Carlo Battistoni, em comentários de textos bíblicos, a partir do Pentecostes começa a última fase da história da humanidade, que é o tempo da Igreja, com base na Primeira Carta de Pedro: capítulo 1 versículo 20. Os frutos da colheita oferecidos por Jesus ao Pai são seus discípulos; a partir deles agora um novo tempo, uma nova vida começa para a humanidade.

Jesus não estará mais presente fisicamente com os discípulos, Ele volta para o Pai. Ver Jesus apenas fisicamente, seus milagres, as realizações do poder divino poderia não fazer aqueles homens e os futuros discípulos fazer a experiência do encontro com Deus.

O ver com os olhos pode gerar dependência, Seus milagres poderiam se tornar superficiais para as pessoas, buscando apenas verem um espetáculo. Mas, sua ausência fará a humanidade encontrar a Deus dentro de si. O Espírito Santo, que pelo batismo mora em nós, nos faz experimentar a Deus que não vemos, mas que o temos, que o carregamos conosco. Em certos momentos, vemos a verdade das coisas quando não estamos muito próximos dela.

Aquela comunidade que estava sendo oferecida por Jesus como Seu Fruto era aceita pelo Pai. Eles expressavam também a unidade do natural com o sobrenatural. Agora, a Comunidade dos Discípulos, a Igreja desejada por Cristo, seria para o mundo o “local” o sacramento que vai unir os homens à Deus.

A Igreja então, movida pelo Espírito Santo, sendo continuadora do Projeto de Jesus é o “lugar” onde mais facilmente os homens podem encontrar Deus. Mas, o projeto de Deus tem um inimigo que é o orgulho humano, que acredita conquistar sua realização plena pelas próprias capacidades. O relato da Torre de Babel expressa exatamente isso, sendo o símbolo do homem que decide sozinho construir seu caminho rumo à Deus. Com isso, ele cai no perigo de criar a imagem de Deus conforme as próprias necessidades. O Dom das línguas manifestada em Pentecostes mostra a unidade que o Espírito Santo oferece, onde todos, mesmo sendo diferentes caminham juntos para o mesmo objetivo, o mesmo Deus. O Espírito Santo gera entendimento e não confusão.

A Igreja, guiada pelo Espírito Santo, nos faz nessa Era encontra a Deus que não vemos com os olhos, mas nos faz senti-lo e experimentá-lo em nós.

Movidos pelo Mesmo Espírito caminhemos juntos rumo ao mesmo e único Deus.

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