(Imagem Ilustrativa)

Tempos bicudos esses em que estamos vivendo, não bastassem às durezas normais da vida, temos que conviver com essa pandemia que virou tudo de pernas pro ar, pra cima pra baixo, de lado, ou seja, na verdade fica até difícil de explicar, as pessoas entendem bem o que eu quero dizer. Alguns dizem que tudo isso deve fazer com que as pessoas despertem um pouco mais para o amor ou o carinho, são otimistas como quem vos escreve.

Falando isso, dias atrás eu fui fazer algumas coisas no centro e uma cena me chamou a atenção, tirando o fato de que sou um bom observador. A cena em si já me chamaria a atenção, mas é o fato dela ter se repetido diversas vezes naquele dia, mais precisamente sete vezes, que eu contei. Os casais estão voltando a andar de mãos dadas na rua, e isso é algo muito legal, maravilhoso mesmo eu penso. Quando se vê notícias de que casais por estarem mais tempo em casa devido a pandemia, têm discutido mais, e ver na rua vários casais de mãos dadas é um bom sinal. É um sinal de que muitos casais estão se aproximando mais também, com o tempo a mais que passam juntos devido ao isolamento social. Não é uma questão de romantismo apenas, mas pensando de uma maneira um pouco mais ampla, imagine como os filhos desses casais devem se sentir vendo os pais andando de mãos dadas, enquanto outros veem os pais discutindo ou brigando com mais veemência? Um pequeno gesto com grandes repercussões, que nem se imagina onde pode chegar.

Um casal andando na rua de mãos dadas, conversando e rindo (mesmo com máscara é fácil ver isso), pode não apenas alegrar um pouco a vida de quem passa por eles, mesmo sem saber. Pode influenciar outros a fazerem o mesmo, pois sei de alguns casais que têm vergonha de tal gesto de carinho. Andar de mãos dadas, com toda certeza aproxima ainda mais o casal e demonstra que são felizes e isso passa para os filhos e para quem vê, e mesmo que esteja andando sozinho, com certeza sente aquela energia positiva de um casal de mãos dadas, diferente daquela de casais que apenas andam um ao lado do outro, quando isso acontece, pois muitas vezes vai um na frente (geralmente ele) andando rápido, fazendo a parceira quase correr para tentar acompanhar. O mesmo acontece com crianças, e dá aquela vontade de parar o pai ou a mãe e dizer, “devagar” as pernas dos seus filhos são menores que a sua, ande num ritmo que eles possam ao menos acompanhar. A gente vê as crianças “trupicando” na calçada tentando acompanhar os pais e depois vemos nas redes sociais aquelas fotos tão meigas com todo mundo junto e feliz.

Está certo que as coisas andam difíceis nesses tempos de pandemia, a grana está curta pra comprar aqueles mimos de outrora, uma lembrancinha, uma flor que seja, quem sabe um chocolate, isso eu sei que realmente está um tanto bastante complicado nesses dias atuais. Isso até me recorda uma postagem do Facebook, que me fez rir bastante, talvez pela cruel verdade que estava disfarçada de piada, que dizia assim, “Quando era criança não podia entender como um adulto não tem dois reais pra comprar um picolé? E hoje sou adulto e sei que é verdade!”. Realmente as finanças estão tão bagunçadas como todo o restante das nossas vidas, mas não existe desculpa para não ter um gesto de carinho, respeito, admiração, amor que é andar de mãos dadas. Não custa nada e faz maravilhas entre um casal, e mesmo que não seja essa a intenção, faz até um bem para quem está vendo, seja alguém desconhecido ou mesmo os filhos.

Nesse mundo tão corrido, onde o tempo livre é preenchido com o celular e as redes sociais, ver na rua um gesto assim entre casais, é uma bênção. Quem sabe de mãos dadas na igreja, dentro de casa, num momento de alegria, ou num momento de aflição ou dor. Não custa nada, mas tem um valor inestimável para todos, é a matemática do coração demonstrando que um mais um é sempre mais do que dois.

Hugo Lopes Júnior
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