Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Polícia Militar de São Mateus do Sul vem utilizando armas de choque na segurança pública

A 3ª Companhia da Polícia Militar de São Mateus do Sul possui duas armas de choque que estão sendo utilizadas há cerca de 6 meses. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Em São Mateus do Sul, a 3ª Companhia da Polícia Militar recebeu e vem utilizando há 6 meses dois kits com pistolas Spark, arma de categoria elétrica incapacitante não letal. Os policiais já estão trabalhando com os novos dispositivos e segundo os mesmos, as armas estão colaborando efetivamente no dia a dia.

Segundo o Capitão Ederson Pinheiro Crevelim, foram recebidas duas armas de choque e todos os policiais tiveram o treinamento devido, onde o próprio policial recebe uma descarga para poder sentir a intensidade do disparo e seu impacto, vivenciando o que a arma faz no corpo da pessoa.

A importância do emprego das armas não letais, em específico o dispositivo elétrico incapacitante usado pela Polícia Militar, mostra a necessidade e as vantagens para o profissional e principalmente, para a sociedade em geral.

O objetivo de sua utilização refere-se que ela é uma arma de menor potencial ofensivo. “O policial precisa de alternativas antes de usar a sua arma de fogo que é o último caso. Antes ele tem como opção um bastão, o espargidor de gás de pimenta, e agora a arma de choque, que é um excelente equipamento que vem a somar e ajudar o trabalho policial e também a preservar vidas”, afirma o capitão.

Uma arma não letal é um instrumento desenvolvido com o fim de provocar incapacitação às pessoas atingidas, fazendo com que se interrompa um comportamento violento, mas de forma que tal interrupção não provoque riscos à vida desta pessoa em condições normais de utilização. “Muitas vezes o policial tem de usar a arma de fogo por não encontrar nenhuma outra alternativa dependendo da situação”, garante o Capitão.

No Brasil, a sociedade em geral e o sistema de segurança pública vivem em um dilema no que tange aos posicionamentos voltados a ação policial. Diante de tal quadro, a atuação policial deve ser pautada nos princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade, conveniência e moderação. Logo existe o dever do policial ter habilitação e ferramentas necessárias para a sua atuação dentro dos princípios do uso diferenciado da força.

Uma vez o profissional estando bem equipado e treinado, e ainda, com a percepção quanto a forma e a graduação da força a ser empregada, traz a sua legalidade na atuação. Dessa forma, a utilização das armas não letais permite que os policiais resolvam as ocorrências de uma forma mais eficaz, racional e humana, minimizando lesões corporais e perdas de vidas.

Com o disparo, é transmitida uma energia de até 50 mil volts. A pistola, que também pode ser usada como arma de contato, imobiliza o alvo e, através de descargas elétricas, faz com que o indivíduo caia no chão. Segundo a Polícia Militar, a arma atua com impulsos elétricos no sistema neuromuscular, causando desorientação e contração muscular. O efeito do disparo leva à queda e impede qualquer reação temporária. Ao ser disparada, o impulso dura cinco segundos.

Segundo o Capitão, não existe diferenciação da carga de choque entre as pessoas. “A carga emitida é uma corrente alternada que não trará risco a vida da pessoa que foi submetida a esse disparo”. Crevelim ainda complementa que inúmeros testes foram feitos em adultos, adolescentes, homens e mulheres, e independente ao tamanho e peso, não trará risco a vida dessa pessoa.

As armas paralisam e derrubam imediatamente qualquer pessoa, não importando quão forte, treinada ou mesmo drogada ou embriagada ela esteja. Para entender melhor este funcionamento, basta lembrar que o sistema nervoso humano se comunica através de impulsos elétricos, que são as ondas cerebrais.

As armas de choque com dardos energizados emitem impulsos elétricos similares, diretamente em contato com os músculos do agressor. Quando o corpo recebe da fonte externa uma emissão destas ondas, esta se sobrepõe às ondas emitidas pelo cérebro humano e, assim, há a interrupção da comunicação do cérebro com o corpo, gerando a paralisação total e imediata dos movimentos.

Os dardos lançados ficam afixados na pessoa e para fazer a retirada dos mesmos, o cidadão tem de ser encaminhado ao Pronto Atendimento onde profissionais capacitados o farão. Uma vez utilizados, os dardos têm de ser inutilizados. O capitão explica que existe uma recarga disponível aos policiais destes dardos.

Em São Mateus do Sul, neste curto espaço de tempo, as duas armas de choque foram utilizadas em três ocorrências. A cada utilização, um boletim de ocorrência tem de ser lavrado, além de um relatório explicando os motivos que levaram a utilização desse recurso, e também em qual parte do corpo atingiu a pessoa. Crevelim enalteceu que todas essas medidas são para haver um controle sério em relação a utilização desse material, adotado pela Polícia Militar do Paraná.

De acordo com o Capitão, as duas armas são suficientes para a demanda existente em São Mateus do Sul, mas ressalta que são necessárias uma para o município de Antonio Olinto e outra para São João do Triunfo, e garante que conversas juntos as entidades de segurança já estão sendo realizadas para que os contingentes de ambas as cidades também possuam esse recurso.

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