Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Por onde andam os Irmãos Nhanhowski?

Da esquerda para a direita: Juzo (Iujo) Karlito Nhanhowski, Mieceslaw Zigbundo Nhanhowski e Stanislau Boleslau Nhanhowski. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Há quem diga que São Mateus do Sul não foi mais a mesma depois dos Irmãos Nhanhowski, e mesmo depois de 10 anos de ausência do grupo nas festividades regionais, muitos ainda se lembram das apresentações sempre lotadas e das músicas que contagiavam crianças e adultos de forma irreverente.

E como tudo começou? A Gazeta Informativa traz a história dos amigos, José Márcio Zelinski, o Stanislau Boleslau Nhanhowski, Andryus Evaldo Drabeski, o Mieceslaw Zigbundo Nhanhowski e Rafael Guimarães de Lima, o Juzo (Iujo) Karlito Nhanhowski.

Na foto, da esquerda para a direita: Andryus Evaldo Drabeski (Mieceslaw Zigbundo Nhanhowski), Rafael Guimarães de Lima (O Iujo – Juzo Karlito Nhanhowski) e José Márcio Zelinski (Stanislau Boleslau Nhanhowski).

Os amigos que sempre se reuniam, começaram a brincadeira, dentre piadas e sotaques, no ônibus que os levava diariamente para a cidade de União da Vitória, onde estudavam em 2001.

Incentivados principalmente pelos colegas, “o pessoal pedia, conta aquela piada, conta aquela outra”, comentam Rafael e Márcio, que em seguida convidaram Andryus, que segundo eles era muito criativo e já tinha bagagem cultural sobre o assunto.

O trio fazia parte do grupo “Os Bunitão” e contam que encenavam anualmente o casamento caipira “apolacado” em várias comunidades da cidade e região nas festividades juninas e julinas, “teve um ano que casei mais de 30 vezes”, conta Rafael. Com isso, os personagens foram ganhando mais aprimoramento, porém, ainda como coadjuvantes.

Os Irmãos Nhanhowski nasceram nas ondas do rádio no ano de 2002, pois, a pedido do pai de Andryus que apresentava o tradicional programa Tradycje Polskie, fizeram uma apresentação especial durante o programa e devido ao grande sucesso, onde os ouvintes faziam dezenas de ligações interagindo com os amigos, acabaram se fixando na programação da emissora por cinco anos, “fomos fazer uma brincadeira na rádio e o sucesso veio por acaso”, dizem.

“Durante o programa comentávamos que tínhamos vindo com nossa rural e estacionado na frente da rádio, e então as pessoas costumavam passar pelo local para tentar conhecer os irmãos. Várias vezes muitos chegaram na rádio e nos perguntavam, ‘os Nhanhowski ainda estão aí?’, e respondíamos que eles tinham acabado de sair”, pois todos esperavam conhecer senhores de idade a frente da programação, e era exatamente essa a ideia, relembram.

O nome “Irmãos Nhanhowski” nasceu de forma alusiva aos grupos de música que já existiam na cidade e faziam muito sucesso, como os Irmãos Poncheki e Irmãos Müller. Os irmãos nasceram daí, já o sobrenome foi pejorativo a uma novela que fazia sucesso na época e uma expressão que ficou bastante famosa, nascendo o Nhanhowski, “nossa intenção sempre foi fazer uma brincadeira sadia, não necessariamente com os poloneses e sim com os colonos de uma forma geral, pois a maioria vem a ser descendente de ucranianos e mesmo poloneses”, contam.

A primeira aparição ao vivo dos irmãos foi na cidade de Palmeira a convite da direção de uma festa de igreja interiorana. A partir desse momento foram dezenas de outras apresentações que extrapolariam as ondas do rádio e chegariam mais próximo do povo, ao vivo e, “em carne, osso, chapéu de palha e paiero”.

O grupo percorreu inúmeras cidades da região e nas várias viagens sempre cheias de emoções, a bagagem vinha repleta de histórias e causos que os fazem rir até hoje. Fosse de Kombi, de fusca, com camarins improvisados, em locais com pouca ou muita estrutura, lá estavam os amigos que eram mais que irmãos e sempre levavam boas gargalhadas, de forma sadia e despretensiosa.

Lembram que em um show na cidade de Cruz Machado eram a atração exclusiva de um evento beneficente à APAE do município que aconteceu em um ginásio de esportes lotado, cerca de 6 mil cruz-machadenses que os esperavam ansiosos e não deixaram espaço nem para que eles pudessem se vestir, então a organização providenciou uma sala pequena para que pudesse lhes servir como camarim, se tratava de uma sala mortuária, pois ao lado do ginásio tinha um cemitério.

Em São Mateus do Sul, dentre dezenas de apresentações, inclusive em parceria com o humorista Paulinho Mixaria, que lotava o Salão Paroquial, os artistas contam que um dos momentos mais marcantes para eles foi em uma das edições da Expomate, a qual trazia em cartaz o show do cantor Daniel e eles se apresentariam no mesmo dia. Em determinado momento daquela tarde o sistema interno de som anunciou de que os Irmãos Nhanhowski iriam se apresentar, “foi uma enxurrada de gente saindo do pavilhão de exposição e de todos os cantos do parque para poder se aproximar do palco onde faríamos a apresentação”, conta Márcio. “Não éramos nós os famosos e sim os Nhanhowski”, completa Rafael. Rolou até paródia em homenagem ao cantor Daniel.

As apresentações eram regadas a piadas, paródias que eram criadas com as músicas que faziam sucesso na época e a interpretação de causos do dia a dia dos colonos, “o Andryus puxava as músicas, o Márcio interpretava e nos embalava com as características dos colonos e eu era um pouquinho dos dois, entendia um pouco de música e de composição e ia na onda do Márcio”, conta Rafael.

Foram cerca de 40 músicas parodiadas pelo grupo, dentre elas as que mais fizeram sucesso, os Irmãos destacam como sendo, “Assim de Ré” baseada na música Ragatanga do grupo Rouge e “Dormi na Roça”, baseada em “Dormi na Praça” da dupla Bruno e Marrone.

Foram dois CDs gravados pelo grupo e mais de 3 mil cópias vendidas, o material era produzido pelos próprios integrantes que contavam com a ajuda de amigos para vender, “por mais que fosse brincadeira para nós, tínhamos de cobrar para as pessoas valorizarem. Nossa intenção não era ganhar dinheiro, e sim buscar a valorização de nosso trabalho e quando é de graça as pessoas desdenham”, relatam os Nhanhowski.

O grupo “largou os paiero” no final de 2008, quando a cidade recém completou 100 anos, “não tivemos um momento de enceramento. Cada um seguiu um rumo familiar, profissional e de sequência na vida. Houveram comentários irreais de que o grupo havia sido processado e por isso acabaram”, contam.

Após 10 anos da última apresentação o grupo pensa, mesmo que remotamente, em voltar à tona esporadicamente, “mas ainda temos de pensar muito bem antes e ensaiar muito”. Mas o recado que eles deixam é, “que campeiem, pois quem campeia faz buía”, se referindo a questão de que, será que os são-mateuenses realmente sentem a falta dos Irmãos Nhanhowski?

CHARGE:

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