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Se fossemos eleger os temas mais polêmicos para se conversar em família, com toda a certeza a sexualidade estaria no pódio. Mas por que é tão difícil iniciar essa conversa com os filhos? E por que é tão vergonhoso falar sobre isso com a mãe ou o pai? Por que a intimidade é algo tão delicada que chega a botar tanto medo?

Lembro que quando estava no ensino fundamental, na quarta-série mais precisamente, tive meu primeiro contato científico com o assunto. Nunca acreditei na história da cegonha ou da sementinha de melancia engolida por engano. Não sabia ao certo como o bebê nascia, mas tinha tantas outras coisas para me “preocupar” que nem me interessava muito em saber.

Com o passar dos anos os seios começaram a doer e eu me sentia estranha e com medo de enfrentar tudo isso sozinha. Esse medo foi passando porque eu contava com o apoio da minha mãe e irmã, que me explicavam sobre essas mudanças que estavam acontecendo. “Filha, nunca tenha vergonha de conversar sobre esses assuntos comigo tá?”, ainda é uma das frases que eu escuto da minha mãe. Me sinto privilegiada por ter uma família tão aberta em falar sobre esses assuntos. Acho que essa liberdade me fez escrever sobre isso hoje. Caso contrário, nem estaria se quer mencionando sobre sexualidade em um jornal.

Quando falamos em educação sexual nosso pensamento quase que automaticamente vai para a vertente do ato em si. Que chato isso né? Sendo que a educação sexual começa com as primeiras mudanças no corpo durante a puberdade. Seja na voz do menino se transformando, às primeiras dorzinhas de cólicas menstruais no caso das meninas. Falar sobre essas mudanças são fundamentais para que esse momento se torne o mais natural possível. Explicar também sobre métodos preservativos e cuidados higiênicos é uma pauta de saúde pública.

Sempre fui muito aberta em falar sobre esses assuntos também com os meus amigos. E só quando a sexualidade chegou na roda de conversa pude perceber a importância de falar sobre sexo no ciclo familiar. “Eu não falo sobre isso com os meus pais de jeito nenhum!”, meus amigos mencionam. O medo da repressão e a insegurança são as bases para evitar o início dessas conversas em muitas famílias.

Você que é pai e mãe, seus pais falavam sobre o tema com você? Se você tem um filho no início da puberdade ou que já tenha passado por essa fase, com que frequência esse assunto se faz presente? Fale e explique para o seu filho o que você queria escutar quando estava passando por esses momentos. A vergonha não é o melhor caminho.

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