(vejasp.abril.com.br)

Num país de dimensões continentais como o Brasil, qual a razão de uma miscigenação gastronômica tão distinta em seus terrois [regiões gastronômicas]?

O que nos distingue entre si, o mesmo povo, que nos faz comer tão diferente em cada lugar do mesmo país e ao mesmo tempo se assemelhar tanto em nossas raízes?

O tríplice pilar fundamental da formação da gastronomia identitária brasileira – ou o que formou nossas características alimentares originais – são as cozinhas indígena (moqueca, caruru, paçoca, tapioca, beiju, mingau, raízes, algumas folhas e frutos de palmeiras como palmito, cocos, as carnes de caças, peixes, castanhas e frutos silvestres, etc) e toda sua complexidade e variação cultural; a colonização portuguesa acostumada com comidas que deveriam durar uma travessia do Atlântico, apresentando aos nativos comidas como as carnes secas, o toucinho, a cerveja, e os peixes salgados e suas fortes influências europeias, e também toda a riqueza do povo africano que nos ajudou a produzir o azeite de dendê, cuscuz e a fundar e construir um país tão rico, diverso e complexo.

De grande protagonismo nacional, sempre se destacou em todas as regiões brasileiras a mandioca [ou aipi, aipim, castelinha, uaipi, macaxeira, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira], que já era cultivada pelos indígenas muito antes da chegada dos portugueses e mantida como base alimentar da cultura brasileira.

Da mandioca, surgiu a fécula da mandioca, um ingrediente típico brasileiro, conhecido como tapioca e que serve como base do beiju, um quitute indígena descoberto em Pernambuco no século 16.

Ainda no início da colonização portuguesa, os portugueses descobriram que a tapioca substituía o pão, e por seu consumo cotidiano como o beiju e a goma, em Olinda, desde a criação da Casa da Farinha em Itamaracá, logo se espalhou por outros povos indígenas, e posteriormente se tornou a base da alimentação dos escravos no Brasil.

A partir da tapioca também eram feitas bebidas alcoólicas, como o tarubá, o pajuari, o tapiocuí e talvez a mais tradicional de todas, a tiquira.

E pra dar vida ao insumo mais querido e poderoso do Brasil, uma delícia de receita que vai muito bem pra acompanhar qualquer ocasião: dadinhos de tapioca.

Dadinhos de Tapioca com Queijo Coalho

Essa receita é do chef Rodrigo Oliveira, do Restaurante Mocotó.

INGREDIENTES

1 ¼ de xícara (chá) de tapioca granulada
250 g de queijo de coalho
½ litro de leite
1 pitada de sal
1 pitada de pimenta branca

FAÇA ASSIM:

  • Forre com plástico filme uma assadeira pequena, de cerca de 20 x 25 cm;
  • Rale o queijo de coalho e misture com a tapioca. Tempere com sal e pimenta;
  • Ferva o leite e misture com a tapioca, mexendo bastante e com cuidado para não formar grumos, até que todo leite tenha sido incorporado. Não deixe endurecer muito. Transfira a mistura para a assadeira preparada e espalhe com a colher. Cubra com filme e aplaine com as mãos. Deixe esfriar e leve à geladeira por pelo menos 3 horas;
  • Forre o fundo de uma assadeira com papel-manteiga. Pré-aqueça o forno a 180 ºC;
  • Transfira a massa para uma tábua e retire o plástico. Corte em tiras de 2 cm, e as tiras, em cubos;
  • Leve para assar por 40 minutos ou até dourar. Se preferir fritar, use óleo quente, e tenha cuidado para não queimar, porque fica pronto rapidão!

E você pode fazer como o chef e servir com um molho de pimenta agridoce. Super combina!

Bon appétit!

Lincoln Molinari
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