Artigo de Opinião

Precisamos falar do tamanho da sua roupa

(Foto: Reprodução/Centro Comunitário Marítimo)

“Também, com o tamanho dessa saia, ‘tava’ pedindo”; “sai com roupa que deixa as pernas de fora e depois reclama das pessoas que mexem na rua”; “olha aquela menina ali, como ela consegue usar esse tipo de roupa?”. Tenho certeza que pelo menos um desses comentários você já ouviu (ou até mesmo falou), quando se deparou com situações parecidas. Às vezes é involuntário – mas algumas é proposital –, agirmos dessa forma, mas precisamos entender que a violência sexual não se resume no tamanho da roupa que a vítima está usando.

A imagem que ilustra esse artigo é de uma exposição feita na Bélgica, que mostra as roupas que as vítimas de estupro estavam usando no momento que foram atacadas sexualmente. Calça jeans, vestido infantil e camiseta com desenhos estão entre as peças do acervo doado pela Organização Não-Governamental (ONG), CAW East Brabant, que apoia as vítimas da violência. O objetivo dessa ação é conscientizar as pessoas de que a culpa é única e exclusivamente do estuprador, e de que a roupa não é a justificativa para esse tipo de atitude.

Outro caso que teve grande repercussão nas últimas semanas foi do apresentador Silvio Santos. Ele insinuou que a roupa da cantora Claudia Leitte o deixava com desejos. O desconforto foi visível no rosto da cantora, que mostrou que não apoia esse tipo de atitude. (Afinal, quem apoia né? Apenas quem está falando).

Já parou para pensar que as vezes nós, mulheres, nos sentimos inseguras com a roupa que usamos? Ficamos com medo do que os outros vão pensar e da forma que vão agir. Não é porque São Mateus do Sul é uma cidade pequena que esse tipo de coisa não acontece. É nessas esquinas da avenida que estão as rodas de amigos e homens casados insinuando e olhando dos pés à cabeça as meninas que passam na rua. Não importa se você usa calça ou vestido, o olhar destinado a sexualidade está sempre ali.

Queria poder apresentar uma saída ágil para esse problema, mas a educação e principalmente a empatia são o início de tudo. A solução não é deixar de usar uma roupa que faz você se sentir bem, mas sim entender que ela não é uma carta branca para assédios verbais e sexuais.

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