(Imagem Ilustrativa)

Como é fácil espalhar uma informação falsa ou uma mentira, como é difícil afirmar uma verdade.

Hoje, a maioria de nós está ansiosa por receber uma vacina contra o Coronavírus. Temos a convicção que esta é a única alternativa disponível para acabar com ou minimizar a circulação deste inimigo invisível. Parece inacreditável, mas pouco menos de um ano antes do início da pandemia, estava em alta a discussão se devíamos ou não adotar vacinas. Ainda continuamos, porém, muitos repensam o posicionamento, principalmente quando alguém querido vai embora.

Os mais velhos sabem que até as primeiras cinco décadas do século passado, muitas crianças morriam antes dos cinco anos de idade em decorrência de doenças infecciosas. Este cenário só começou a mudar quando surgiram as primeiras vacinas e campanhas de vacinação em todo o mundo.

Fato é que, em pleno final da segunda década do século XXI, doenças erradicadas ressurgiram ao mesmo tempo que apareciam ao redor do mundo grupos organizados pregando a não vacinação. Bastou um médico apresentar um falso estudo dizendo que a vacina tríplice viral MMR causava o autismo. O médico, que na realidade queria “vender” um novo imunizante para o sarampo, foi patrocinado por um advogado que iniciou processos multimilionários contra governos e laboratórios. Hoje estão presos por fraudes, mas os seguidores que conquistaram continuam por aí, dizendo não às vacinas e multiplicando as inverdades nas redes sociais.

Segundo Natalia Pasternak, os imunizantes são vítimas do seu próprio sucesso, pois muita gente não se lembra ou não experimentou viver sem eles e acreditam que as crianças são mais saudáveis hoje, por isso não precisam das vacinas.

Parece que parte da população precisa, a qualquer custo, contestar algo, ser contra alguma coisa e não mede a consequência de seus atos. Somos bons em construir teorias da conspiração, em buscar inimigos, mesmo onde não existam ou não sejam tão poderosos assim.

Conheço pessoas que afirmam que a China iniciou um processo de ocupação do planeta. Não bastasse o seu poderio econômico, agora exportariam cidadãos chineses, que comprariam propriedades em países como o Brasil, formariam um bom contingente de chineses em solo estrangeiro e depois escolheriam seus governantes, para uma posterior dominação mundial. A contaminação pelo Coronavírus seria parte deste plano. Digo, em tom de brincadeira, que nesta linha, só haveria uma nação que poderia fazer frente aos chineses, a Índia, por possuir população de igual tamanho.

É claro que o mundo precisa de equilíbrio econômico e precisamos nos blindar, garantir que vários países dividam forças econômicas, sob pena de submissão. Mas não é nos fechando para o mundo que resolveremos tal situação.

Então, tais pessoas, as que criam teorias inusitadas, são as mesmas que costumam acreditar que a Terra é plana, que as vacinas são ferramentas de dominação global e que quem não pensa da mesma forma que elas são seus inimigos.

Tudo bem que acreditem nisso, são livres para pensar, se expressar e escolher o modo de vida, mas suas escolhas não podem prejudicar outras pessoas. Sempre é bom lembrar que os nossos direitos têm como limite os direitos dos outros, que somos livres para agir até o ponto que esta liberdade não fira a liberdade dos outros, não ameace a saúde dos outros. Quando alguém escolhe não se vacinar, continua sendo vetor de transmissão e com isso contamina os filhos, os país, os amigos dos outros. Por isso, precisa respeitar as regras de interesse comum.

Este é o principal desafio da sociedade ao longo dos milênios e não há lei, por mais perfeita que seja, que substitua o bom senso e a empatia. Amanhã, quando tudo isto passar, ainda precisaremos uns dos outros. Isto ninguém pode negar.

Adnelson Borges de Campos
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