Máquina do Tempo

Preservar para lembrar

Na foto o renomado historiador francês da Escola dos Annales Jacques Le Goff. (Fonte: www.cartaeducacao.com.br – Acesso em 08/09/18)

Na coluna dessa semana, resolvi falar sobre um assunto muito importante. A preservação dos patrimônios históricos. Você sabe o que é um patrimônio histórico? Qual a finalidade de um? E por que eles são importantes? Pois bem, existem vários aspectos a se levar em conta quando falamos de patrimônios históricos para além do ponto de vista histórico, a perspectiva arquitetônica, econômica, cultural, social, geográfica, turística etc., Contudo, como aspirante à historiadora, minha intenção aqui, é abordar esse tema diante da perspectiva histórica.

A preocupação com a preservação de patrimônios históricos começou na Europa, sobretudo pós Revolução Francesa (1789-1799), e no período pós e entre Guerras (1914-1945), devido à destruição massiva de cidades em tais eventos. Segundo o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) um patrimônio histórico, por definição, é um título dado à bens materiais ou naturais, que dado processo de reconhecimento, fique comprovado valor inestimável para uma sociedade, nação, região, povoado ou comunidade. Ou seja, um patrimônio histórico pode ser uma construção, um objeto, um monumento, um lugar, que tenha uma história por detrás dele atrelada à história de um país, cidade, região ou comunidade.

Mas por que é importante, e digo até, necessário, elencar e preservar patrimônios históricos? Do ponto de vista da história, considero um aspecto como principal, a memória. A preservação de patrimônios históricos está diretamente atrelada à preservação da memória de um local e de um povo. Segundo o historiador francês Jacques Le Goff, a memória é um elemento essencial para a identidade do indivíduo ou da coletividade, ela é também instrumento de poder e de legitimação, pois através dela é que uma sociedade entende sua história, seu papel e seu lugar nela. Para Le Goff, a memória salva o passado para este servir ao presente e a gerações futuras. Portanto, tem uma função social. E, como se dá a escolha de um patrimônio histórico? Através do processo de tombamento, que é segundo a Secretaria de Estado da Cultura, um ato administrativo realizado pelo poder público com o objetivo de preservar, através da aplicação da lei, bens de valor histórico, cultural arquitetônico e ambiental para a população, impedindo que venham a ser destruídos e ou descaracterizados.

Recentemente, São Mateus do Sul foi alvo de debate a respeito da preservação do atual prédio da Prefeitura Municipal, que corre o risco de ser demolido para a construção de um novo. Pois esse prédio foi sede da primeira escola do município e do Fórum Municipal. Se preservar é lembrar, e lembrar é não esquecer, não esqueçamos da nossa história, seja para não repeti-la se tratando de aspectos ruins, seja para dar poder a um povo através de sua identidade cultural, sobretudo, quando falamos de uma história como postularam os Annales, “vista de baixo”, ou seja, daqueles que ficaram à margem dos “grandes homens” e dos livros oficiais de história. Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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