Omar Picheth em seu gabinete na Câmara Municipal. (Fotos: Acervo Pessoal)

Omar Picheth assume neste ano pela terceira vez a cadeira de presidente da Câmara Municipal de São Mateus do Sul. Em entrevista à Gazeta Informativa o vereador comenta sobre as questões que considera de maior importância para a sequência do ano legislativo, sem deixar de ressaltar que passamos por uma pandemia e esta precisa ser considerada pelos ocupantes do legislativo.

Entre outras observações, o presidente da Câmara aponta para a necessidade da participação da sociedade nas discussões parlamentares e acredita que a cobrança popular seria uma forma de melhor exercer a política. Picheth também deixa claro que considera de primeira necessidade a participação dos secretários municipais, escolhidos pela prefeita Fernanda Sardanha (PSD), nas discussões da Câmara. Além desse tema também deixa claro que “nem legalmente é possível” que haja aumento dos valores pagos mensalmente aos vereadores.

Confira agora a entrevista completa, que foi realizada no gabinete de Picheth na Câmara Municipal, com ambos utilizando máscara e respeitando o distanciamento social.

Pergunta: Qual a expectativa para este mandato à frente da Câmara Municipal?


Resposta: Olha, a expectativa é muito boa, devido até a essa renovação da Câmara de vereadores. Estamos vindo com vereadores de primeiro mandato, com muito entusiasmo, com muita tentativa de participação. Até alguns eleitos pela própria característica de vida deles, pessoas bem dinâmicas dentro do município e em outras áreas. Tenho certeza que isso vai oxigenar o Legislativo são-mateuense. Espero, com a experiência que já tenho aqui dentro, que consiga fazer esse controle da gestão, ter uma relação muito boa com o Executivo mas nunca deixar de fazer o papel real do Legislativo, que tem como uma das funções mais necessárias a fiscalização. Quero ver se consigo, com a minha experiência e com essa juventude e vontade de trabalhar dos novos que estão entrando aqui consigamos fazer uma gestão harmônica mas cumprindo os papeis constitucionais.

P: Já há algum tipo de diálogo aberto com a prefeitura para a execução de projetos?


R: A gente tem alguns pensamentos [em comum], como eu participei da campanha, a Fernanda e eu fomos parceiros aqui dentro da Câmara, a gente sabe bem a dificuldade que é ser vereador, a dificuldade de mostrar os projetos de viabilidade. A gente tem uns projetos que queremos trazer já no primeiro trimestre da gestão que são incentivos aos agricultores, ao piscicultor, ao produtor de fumo. Um trabalho muito próximo ao Porteira Adentro, que dá condições do município levar estrutura da administração pública aos seus lares, onde tem trabalho e renda. Acho muito estranho eu poder arrumar na frente de um comércio para melhorar o acesso para a pessoa poder fazer a compra em uma loja, para melhorar a visibilidade desse comércio e eu não poder levar a estrutura municipal para a pessoa poder tirar a sua produção, a qual é o comércio dele. Então não pode ter essa diferença de fazer um serviço muito bom dentro da cidade e esquecer nossos agricultores do interior. A prefeitura tem estrutura física, de maquinário e por falta de legislação, por falta de competência administrativa não somos permitidos a fazer esse serviço.

P: Apesar de já ter sido vereador em outros mandatos, em 2020 e agora em 2021 é a primeira vez que atua em uma pandemia. O que isso traz de diferença para o trabalho?


R: É uma grande dificuldade para todos nós, não só para o Legislativo. Estivemos nessa semana com o governo do Estado, mas está tudo fechado, as pessoas trabalhando em home office, e nós com dificuldade de algumas liberações de recursos para o nosso município porque a burocracia já é complicada e nessa pandemia está ainda mais. Mas a gente entende, a gente acredita na ciência, tem entendimento. Eu fui uma das pessoas que foi acometida por esse vírus, eu sei o quanto esse vírus é traiçoeiro, mas com muita competência médica eu consegui voltar do hospital. Passei muito mal, tive reações e até hoje tenho dificuldades, estou com sequelas e estou livre do vírus desde novembro. A população na totalidade infelizmente ainda não acredita nessa doença. Nós tínhamos que fazer um cuidado bem maior. Tentamos explicar para a população, passar até a minha própria experiência. Infelizmente a gente sabe o que aconteceu no Natal e no Ano Novo, a gente vê os jornais o aumento da média de mortes. Estamos no gargalo do sistema SUS. Infelizmente no meu modo de ver, se a população não tiver cuidado o problema vai ser maior ainda. Não adianta a gente restringir se as pessoas não cumprirem essas restrições, a gente vê um monte de gente sem máscara, fazendo festa, movimento, viagens de um lado pro outro. São erros que de maneira ou outra nós vamos pagar.


P: De que maneira a Câmara deve agir no combate à pandemia?

R: No meu pensamento particular tento passar minha experiência. Fazermos lei aqui, fora o que está dentro dos governo do Estado e Federal que infelizmente têm muita dificuldade. Está sendo cumprido o decreto que vale do governo do Estado, mas não é isso que a gente vê no dia a dia. É uma cobrança e eu faço sempre essa cobrança e espero que a população consiga enxergar isso para não ter seus familiares doentes.

P: Como presidente da Casa, o que espera dos projetos que venham a ser discutidos nesse período?


R: Estou indo para o meu quinto mandato e a maior dificuldade do Legislativo sempre foi os projetos de última hora. Aqui sempre chegam projetos de grande importância, de valores grandes e chegam para serem aprovados em 24h, 36h ou 48h e não dá tempo nem de discutir, verificar todos os termos da lei, de fazer um parecer técnico exigido, de conversar com a população para ver se tem viabilidade todos esses projetos. Sobre isso já falei com a prefeita, com o jurídico da prefeitura e com o financeiro – vem muita dotação financeira de última hora, a contabilidade da prefeitura é um dos grandes gargalos da administração – e eu espero que nesta administração não ocorra o que se viu em outras, de virem sempre projetos de última hora, sem podermos discutir. O que eu pedi para a prefeita Sardanha é que os secretários municipais sejam mais presentes dentro do município, para quando haver algum projeto muito polêmico ou de interesse do Executivo, que eles venham explicar para nós. Que antes da votação eles venham explicar para nós, mostrar os dados técnicos e abrir de verdade a cartilha da prefeitura e não projetos que a gente entenda pela metade e venha em cima da hora.


P: Então o que você quer é maior participação dos secretários na Câmara?


R: Os secretários aqui, já passei por três gestores, sempre tiveram muita dificuldade para vir aqui, o Executivo nunca permitiu muito que eles viessem. Queremos que tenha essa cobrança direta, que os gabinetes sejam abertos aos vereadores, não só os da base como os da oposição.

P: Em 2015 foi votado um projeto polêmico que pretendia aumentar os subsídios dos vereadores. Enquanto você for presidente da Câmara teremos um projeto como aquele em pauta?


R: Nem legalmente podemos fazer. O Legislativo e o Executivo só podem ter aumento de salário real – que não é o controle da inflação – só pode de uma legislatura para outra. Acho que fazem três legislaturas que não há aumento real no salário dos vereadores.

P: Que tipo de pautas você considera que sejam necessárias a serem discutidas na Câmara neste momento?


R: A grande dificuldade nossa hoje é a geração de emprego. Uma das grandes pautas do Executivo municipal para chegar até o governo do Estado é a geração de emprego. De uma maneira ou outra temos que fazer a estrutura do município ter uma nova área industrial com condições para podermos trazer uma grande empresa ou várias pequenas empresas.

P: E com relação a moradia, o que teria de ser feito?


R: Já tivemos os primeiros contatos com o governo, não só a Fernanda como eu também, para irmos atrás da COHAPAR para agilizar isso porque é uma coisa demorada. Vemos municípios da região já conquistando isso, mas são trabalhos que foram feitos no passado. Então temos que começar agora, plantar hoje para colher daqui a dois ou três anos.

P: Há algo que você considera importante e eu acabei não perguntando?


R: Acho que a grande importância – e infelizmente nos últimos quatro anos não tivemos – é a cobrança mais efetiva da população, a presença. A população não pode ter medo, tem que vir ao Legislativo, a participação popular na reunião da Câmara é muito importante. Os vereadores que são vereadores de verdade não têm medo do povo. A população não pode esquecer que não tem só direitos, mas tem deveres. A gente vê muitas pessoas nas redes sociais fazendo a cobrança, mas esquece de fazer seus deveres: infelizmente ainda vemos gente jogando bituca de cigarro na rua, lixo na rua. Qualquer serviço que a gente vai fazer vemos bueiro entupido, entrada de casa sem roçar e sem calçamento, terrenos baldios sujos. Temos que trabalhar todos juntos, todo mundo cobrar mas também todo mundo executar. Não adianta cobrar a administração se não fizer o serviço de casa.

Picheth e sua família na cerimônia de posse pela 5ª vez.

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