Histórias de Terra e Céu

Primeiro de Maio, dia do azar em São Mateus do Sul

Antes de começar essa coluna preciso reconhecer e agradecer ao amigo Rodrigo Lima de Castro, um dos caras com maior habilidade de pesquisa que já conheci, que me ajudou na descoberta de boa parte dos dados que embasam estas linhas. Dito isso, vamos contar porque afirmo que primeiro de maio é o “dia do azar” em nossa cidade. Embarque comigo nesta história!

Quando São Mateus foi emancipada, em 1908, o dia do trabalhador ainda não era feriado (nem no Brasil e nem em qualquer país do mundo), mas as mobilizações de trabalhadores já eram suficientes para fazer desta uma data simbólica. Por isso, quando a lei 11/1909 determinou a denominação das primeiras ruas da cidade, não foi surpresa o fato de que a atual Ozy Mendonça de Lima recebeu o nome de “Primeiro de Maio”. Mas essa nomenclatura duraria só sete anos. Em 1916 a “Primeiro de Maio” passaria a se chamar “Cândido de Abreu”. Só que os vereadores não esqueceriam o “dia do trabalho” e, a mesma lei 60/1916 que tirava seu nome da (atual) avenida principal, definiria que uma rua lá no “final da cidade”, a última antes do cemitério, se chamaria “Primeiro de Maio”.

Mas o povo de São Mateus deveria ter motivos para comemorar o Primeiro de Maio. Foi em 1912 que o município realmente virou “cidade”, com a instalação da Comarca, e a data escolhida para o evento foi exatamente o primeiro de maio. Mas o dia seria repleto de confusões. A primeira decepção ocorreu porque o Governador (na época “Presidente do Estado”) havia anunciado a presença e não apareceu, para frustração do povo. E, falando em frustração, a data prometia. No dia anterior ao evento o alferes José de Almeida havia sido o responsável por ornamentar as ruas da cidade. Flores, folhagens, bandeiras e tudo o mais que se podia imaginar foi disposto pelas vias de São Mateus, a fim de impressionar as autoridades que vinham da capital. Mas durante a noite um forte temporal acabou com toda a decoração. Quando amanheceu, a cidade era apenas lama. Mesmo assim a população se mobilizou para esperar a chegada do juiz de Direito, Dr. Eudoro d’Albuquerque, que faria a instalação da Comarca, mas até a chegada dele mostraria as agruras daquele primeiro de maio…

Informações desencontradas diziam que ora ele estaria chegando por vapor, ora chegaria pela “via de Triumpho”. E, a cada uma destas informações, a multidão, a banda e as autoridades (padre, prefeito etc…) se deslocavam para o porto ou para a estrada de Triunfo, num cômico vai-e-vem à espera do Juiz. E tudo isso na chuva, que não parava! Finalmente chegou um vapor. A banda imediatamente começou a tocar. Os fogos de artifício, mesmo molhados, estouraram com força, o prefeito já preparava o discurso quando descobriu que o Juiz não estava a bordo. Quando a população se dissipou desanimada, chegou calmamente o vapor Tupy, trazendo o tal Juiz, que acabou sendo recebido por meia dúzia de pessoas.

Por fim, a Comarca foi instalada no dia primeiro de maio. E aquela ruazinha no final da cidade, que em 1916 ficou com o nome do dia do trabalho, anos depois passaria a se chamar “rua Agenor Nascimento”, e o Primeiro de Maio sumiria do mapa de São Mateus.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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