A divulgação da venda dividiu opiniões; entenda os benefícios da empresa no município e também os motivos que podem levar a sua privatização. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

O comunicado divulgado pela Petrobras na sexta-feira (26/04), que enfoca a venda de ativos de oito refinarias das treze da estatal, se tornou um dos assuntos mais comentados em São Mateus do Sul em 2019. A Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) – localizada no município – está na listagem para à venda junto das refinarias: Abreu e Lima; Landulpho Alves (RLAM); Gabriel Passos (REGAP); Presidente Getúlio Vargas (REPAR); Alberto Pasqualini (REFAP); Isaac Sabbá (REMAN); e Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste.

A equipe da Gazeta Informativa entrou em contato com a Petrobras para esclarecer as informações divulgadas. A empresa informa que o projeto de desinvestimento das refinarias, além do reposicionamento do portfólio em segmentos com maior vantagem competitiva e rentabilidade, possibilitará dar maior competitividade e transparência ao segmento de refino no Brasil, em linha com o posicionamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e recomendações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Este projeto tem como premissa a atenção e o respeito às pessoas. Serão apresentadas alternativas que buscam conciliar os interesses empresariais aos dos empregados, como a possibilidade de realocação interna, conforme interesse da Petrobras. Os empregados também poderão ser convidados a trabalhar nas empresas compradoras”, informam.

A empresa explica que estimativas de valores são informações estratégicas em qualquer processo de negociação e dependem da avaliação do vendedor e do apetite do comprador. “Conforme a sistemática para desinvestimentos, valores só serão divulgados após a conclusão da operação. Em relação a prazos, o projeto terá suas principais etapas divulgadas oportunamente ao mercado”, dizem.

Para alguns moradores de São Mateus do Sul a privatização da Unidade do município é positiva e vem de encontro com maior fiscalização, preços justos e meritocracia dos funcionários. Para outros, a empresa poderá ficar sucateada com a falta de interesse de compradores. “Para que se tenha preços mais baixos, precisa de outras empresas mostrando sua qualidade. Hoje somente a Petrobras vende seus combustíveis no Brasil, em que os postos sempre pagam caro, em seguida os consumidores pagam ainda mais. Queremos um Brasil melhor, mas lutamos por um preço mais justo. O que realmente impede de outras empresas criarem refinarias são as burocracias do governo, outra parte que esperamos que essa nova administração consiga deixar mais transparente e menos burocrática”, enfoca um morador de São Mateus do Sul que prefere não se identificar.

Realização do ato de defesa pela SIX

O Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro), realizou um ato de defesa na terça-feira (30/04), em frente ao Portão Principal da SIX. Além de ser um ato contra a venda da estatal, a manifestação também questionou a política de preços dos combustíveis no Brasil.

De acordo com o Sindipetro, a SIX processa diariamente cerca de 5,5 mil toneladas de xisto e 298 m³ de lastro (borras oleosas de tanques), com produção média diária de 4,5 mil barris de petróleo, 80 toneladas de gás combustível, 45 toneladas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e 75 toneladas de enxofre. “Essa riqueza é gerada a partir da escavação do xisto pirobetuminoso – rocha sedimentar rica em matéria orgânica. A tecnologia de processamento foi desenvolvida pela Petrobras”, enfocam.

O Sindicato também informou que a SIX emprega mil trabalhadores diretos e outros três mil indiretos. Em 2015, a Unidade gerou R$ 98 milhões em impostos e royalties. A Prefeitura Municipal, que ficou com uma fatia de R$ 20 milhões, teve com a Usina aproximadamente 40% de sua arrecadação total naquele ano.

O lado comercial

Instigado sobre as propostas do governo liberal, Márcio Luis Staniszewski, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de São Mateus do Sul (CDL), opina sobre os dois lados do modelo. “Existe o bom empresário e o mau empresário, isso é fato e acontece em todos os segmentos tanto estatais quanto no servidor e empresariado. Todas as organizações são perfeitas, o defeito ocorre nas pessoas”, enfoca. Para Márcio, o liberalismo é positivo, mas como outras formas de desenvolvimento, existem abusos e erros. “Vejo a importância da alternância de modelos de gestão para que no futuro possamos evoluir e usar o bom senso para unificar o que é positivo de todos os lados”, enfoca.

Em relação à SIX, Márcio explica que os salários vinculados à estatais são maiores que do setor privado. “As pessoas distribuem a renda, geram empregos com empregada doméstica, construção civil, jardineiros e compra no comércio local”, diz. O presidente informa que a CDL junto de outras entidades do município buscam o desenvolvimento da cidade, com ações que movimentem a economia local e o incentivo à novos investimentos.
Para Luciano Castilho, presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de São Mateus do Sul (ACIASMS), a venda da SIX além de diminuir os impostos arrecadados pode tornar um agravante de desempregos no município. “Nós como entidade da classe empresarial temos alguns receios com a venda da Unidade, principalmente pela possível diminuição de empregos que também prejudica segmentos comerciais”, diz.

Castilho informa que a ACIASMS participa de comissões que estudam o crescimento econômico regional. “A linha empresarial está compatível com novas ideias para o desenvolvimento da cidade, porém para um projeto sair do papel é necessário recursos e a união de responsáveis políticos para garantir que de fato os investimentos para a cidade sejam aplicados corretamente”, enfoca.

Ganhos com a SIX e a expansão econômica

De acordo com o Secretário Municipal de Indústria e Comércio, Eduardo Pinheiro Ferreira, a SIX em São Mateus do Sul é responsável por grandes benefícios financeiros e de convênio. “Quero deixar bem claro a toda nossa população que, em defesa de nossa cidade, estamos atentos ao fato da possível privatização da empresa. Nesse primeiro momento entendo que o município sofreria uma perda maior se a Unidade da SIX fosse desativada, e isso não podemos deixar que aconteça”, expressa.

Dentre os benefícios proporcionados junto da SIX, Eduardo explica que a empresa é responsável pelo fornecimento de calcário – que serve para manutenção das estradas rurais da cidade –, e a disponibilidade de despejo do lixo municipal nos aterros da Petrobras. “Devemos cobrar estes benefícios para que sejam colocados em contrato no processo de privatização da unidade, além disso, precisamos defender a continuidade do fornecimento de subprodutos do xisto à empresas locais para viabilizar a continuidade de suas atividades aqui em nosso município”, destaca.

Em termos financeiros entre royalties e impostos, a Petrobras é responsável por uma média de 20% da receita do município. “A população pode ter certeza que nós como representantes do poder público municipal iremos trabalhar para que a situação fique da melhor maneira possível para nossa cidade”, diz o Secretário.

Questionado sobre os projetos de incentivo ao desenvolvimento e vinda de novas empresas ao município, Eduardo informa que a equipe responsável pela Secretaria está em busca de um diferencial para a cidade em relação a outros municípios. “Entendemos que o carro chefe para nos tornarmos mais atrativos é o projeto da central de distribuição de Gás Natural em nossa cidade. Estamos trabalhando com afinco junto a Compagás para que isso aconteça o mais breve possível, além disso estamos reorganizando a área industrial existente no município e trabalhando para aquisição de novos espaços”, informa.

Dentre os projetos realizados pela Secretaria, Eduardo destaca: Plano Municipal de Atração de Investimentos (PMAI) em parceria com a Agência Paraná Desenvolvimento (APD); Cidade Empreendedora junto ao SEBRAE; Projeto do Gás Natural junto a Compagás; e Projeto Incubadora Tecnológica em parceria com o Sistema “S”.

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