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Professora que comemora 50 anos de carreira, é a profissional mais experiente a lecionar no município

“Comecei a trabalhar com 17 anos há 50 anos, no dia 4 de abril de 1968”, conta Vilma Alves Chula emocionada e forçada a segurar a comoção que transparecia com as lágrimas que escorriam de seus olhos. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Essa semana que se finaliza foi muito especial para uma são-mateuense que atua como professora há exatos 50 anos, que fielmente foram contemplados na última quarta-feira (4), diante suas colegas professoras em um curso realizado na Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC).

Sendo a professora mais experiente do quadro do magistério municipal, segundo o setor de recursos humanos da Prefeitura Municipal de São Mateus do Sul, há 48 anos oficialmente em território são-mateuense, Vilma Alves Chula leciona em uma escola rural.

Vilma, com 68 anos, nasceu em local ainda reconhecido como propriedade de São João do Triunfo, onde hoje se localiza a comunidade de Papuã, Estiva dos Vidal e Mourão. Mas com espírito e honra de se considerar são-mateuense, de corpo, alma e coração, quando criança, ela mudou-se para Santa Catarina junto do pai que era gerente de uma serraria que se estabeleceu na “Terra dos Barriga Verde”, e lá deu continuidade ao seu sonho de ser professora.

“Comecei a trabalhar com 17 anos há 50 anos, no dia 4 de abril de 1968”, conta emocionada e forçada a segurar a comoção que transparecia com as lágrimas que escorriam de seus olhos. Logo após se formar no curso do magistério na cidade de Inácio Martins, onde atuou como professora durante 1 ano, logo em seguida, como concursada pelo governo de Santa Catarina, ministrou durante 2 anos, aulas na rede estadual.

Vilma conta que quando ingressou na carreira de professora, seu pai foi transferido para São Mateus do Sul e ela voltou junto. Em 1971, a professora começou a ministrar aulas na rede pública do município, há 48 anos. Residindo na comunidade do Papuã e desde então atuando como professora na mesma localidade, Vilma também ficou à frente de várias turmas em todo o município.

Casada com Pedro Chula, e mãe de 5 filhas, onde 4 também são professoras e uma, futura assistente social, Vilma emociona-se ainda mais ao contar de seu compromisso enquanto professora, que no início apesar de todas as dificuldades, “foi fácil, pois era um sonho que tive desde criança e consegui realizar, lutando e me esforçando. Foi muito bom e é bom até hoje!”

São 50 anos como professora enfrentando as duras realidades com o passar dos anos: governos, situações econômicas e muitas delas onde os profissionais da educação foram desvalorizados. Mesmo assim a professora cinquentenária afirma que o amor pela profissão talvez seja o segredo que a fez perpetuar como profissional da educação diante tantas situações.

Ao questionada sobre sua possível aposentadoria, a professora comenta que não pensa nisso. “Vou trabalhar até o dia que Deus me der condições de vida e saúde”, e a olho nu, esbanja disposição e vitalidade plena.

Momento de entrega de uma flor em homenagem a comemoração de 50 anos de carreira. Na imagem, equipe da SEMEC.

Ao longo desses 50 anos com as mãos calejadas de diariamente manusear o giz diante o quadro negro e praticar a arte da educação, Vilma já foi responsável pela formação e construção cidadã de centenas de alunos que segundo ela, lhes dão cada dia mais e mais orgulho.

“Hoje eu tenho alunos em todas as profissões, são professores que perpetuam os meus ensinamentos, advogados que nos defendem, enfermeiros e médicos que zelam por nossa saúde, vereadores que legislam por nós, caminhoneiros que viajam o mundo, enfim, com tudo o que lhes ensinei. E ainda hoje me encontram e me chamam de professora, minha professora”. Sem contar nas próprias colegas de trabalho que já foram suas alunas, desde as merendeiras até as professoras, inclusive sua própria filha, professora na mesma escola.

Hoje Vilma leciona para o 4º e 5º ano na Escola Municipal José de Alencar, na comunidade de Papuã, e é responsável por 16 alunos da comunidade.

A professora Vilma relembra de vários fatos que com o passar dos anos enfrentou e os vive quase que diariamente quando se depara com situações semelhantes, e baseada nisso, deixa um singelo recado às possíveis futuras professoras: “façam por amor, não por motivos de pensar que a carreira possa ser mais fácil ou que pague bem.

Trabalhem por amor. Pois assim como qualquer profissão, se for fazer algo que não gosta você viverá menos e nunca irá se realizar. Contudo, mesmo com o baixo salário que o professor ganha, eu sou uma pessoa realizada”, e ainda complementa, “todos os dias paro na minha casa e olho ao meu redor, diante toda a nossa comunidade e respiro bem fundo e me realizo ao ver que praticamente todos passaram por meus ensinamentos.”

Dentre as histórias vivas em sua lembrança, a que mais merece destaque segundo a professora, é uma, que quando ela conta nos dias de hoje, causa comoção e gargalhadas. “Quando eu era professora na comunidade de Estiva dos Vidal, os municípios de São Mateus do Sul e São João do Triunfo brigavam por aquele território, cada um alegando ser de sua propriedade. Até que o prefeito da época, Doutor Edison Carlos Scharamm, teve o ganho de causa jurídica e quando eu menos esperava fui surpreendida com caminhões da prefeitura da cidade vizinha que chegaram na escola e carregaram todos os móveis e materiais”, deixando apenas a professora e seus pequenos alunos, desnorteados.

A professora ainda relata que contou com a ajuda da comunidade que a trouxe de carroça para conversar com o prefeito da época para relatar o acontecido. A professora brinca, “ainda bem que eles não pediram meus documentos, senão saberiam que também era propriedade de São João do Triunfo e me carregariam junto.”

50 anos após seu primeiro dia de aula a professora conclui emocionada e amparado por um forte abraço, “sinto-me honrada, pois sou uma pessoa que não parou no tempo, estou sempre em busca de aprimoramento pessoal e profissional, amo o que faço, amo ser professora.”

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